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"UM MARCO MARCO EXTRAORDINÁRIO" PARA GUIMARÃES NA ECONOMIA DO ESPAÇO: FÁBRICA PRODUÇÃO E TESTE DE SATÉLITES ÓPTICOS A FUNCIONAR ESTE ANO EM PEVIDÉM

Guimarães Digital Online

2026-05-05 21:06:13

"Um marco marco extraordinário" para Guimarães na economia do espaço: fábrica produção e teste de satélites ópticos a funcionar este ano em Pevidém A unidade de produção e teste de satélites ópticos nas instalações da antiga Fábrica do Alto, em Pevidém, ficará operacional ainda este ano, estando a decorrer já a adaptação do edifício para o projecto. O Secretário de Estado da Economia visitou o imóvel esta segunda-feira, antes de presidir à cerimónia de assinatura do contrato de comodato entre o Município de Guimarães e o CEiiA - Centro de Engenharia e Desenvolvimento que concretiza "um marco absolutamente extraordinário que é só o início da viagem". Na sessão realizada no salão nobre do Município, João Rui Ferreira afirmou que a sua presença "é um sinal de confiança e de agradecimento por tudo ser feito de uma forma pró-activa". "Não ficaram à espera, não houve lamentações, criaram-se as oportunidades, a Câmara percebeu a dimensão do projecto, uniu-se a uma entidade do desenvolvimento tecnológico muito importante do País, encontrou-se espaço, deram-se as condições e o projecto vai acontecer", enalteceu o governante, observando: "onde às vezes há tantas barreiras, aqui a maior barreira foi arranjar agenda". O Secretário de Estado assinalou que este pólo "gerará um ambiente" em todo o seu entorno com "efeitos positivos nos sectores que estão já instalados". "As soluções tecnológicas para um problema de um sector com mais tradição às vezes estão ao nosso lado. O importante é ligar estes dois mundos, com a capacidade que haverá de arrastar novas startups, para atrair novo investimento, colocando a Cidade e o Município no mapa para poder ser algo que é reconhecido globalmente". "A economia do espaço evolui rapidamente e podemos estar a falar de um sector ligado a um negócio que no mundo vai valer mais de um trilião de dólares. Portugal não quer ser um espectador, quer ser um actor. O principal sinal disso foi na reprogramação das agendas mobilizadoras do Plano de Recuperação e Resiliência, com a agenda ligada ao espaço que teve um apoio financeiro fortíssimo", salientou, ao referir que "a Europa enfrenta o desafio do relançamento e consolidação do ponto de vista industrial porque já se percebeu que só pode haver valor acrescentado de forma perene e consistente se tivermos uma base industrial forte, será uma base diferente do passado, será assente na tecnologia e, em particular, com um crescimento vertiginoso do que é a IA". No entender do governante, este é um projecto capaz de transformar "inovação em valor". "Estamos a falar em desenvolver tecnologia, deixando valor acrescentado no território e no País, porque estas empresas vão ter sede, conhecimento e mão de obra qualificada cá", perspectivou, considerando o projecto "vanguardista e exemplar nessa matéria, porque vamos produzir produtos de alto valor acrescentado, associados aos maiores parceiros globais, num mundo que liga soberania, conhecimento e desenvolvimento tecnológico". Lembrando o posicionamento estratégico único do País no acesso ao espaço, o Secretário de Estado da Economia felicitou o Presidente da Câmara pela "dinâmica transformadora, ao inovar, procurar e antecipar, com coragem e ambição, no respeito pelo passado, no orgulho pela história, mas colocando sempre o olhar no futuro", comentando que a visita à Fábrica do Alto permitiu-lhe ver algo " muito real e tangível, com máquinas e com pessoas". O Presidente do Município de Guimarães agradeceu a proximidade que de João Rui Ferreira, "um dos membros do Governo que mais tem visitado Guimarães", ao realçar que o tecido empresarial que ao longo do século XX esteve centrado em sectores tradicionais aos poucos vai-se diversificando para sectores com valor acrescentado significado, novos postos de trabalho qualificados onde os jovens aqui formados possam ter perspectiva de futuro". Ricardo Araújo indicou que o contrato celebrado com o CEiia "é estratégico para o presente e para o futuro porque evidencia uma das prioridades assumidas para o mandato". "A instalação em Pevidém, na Fábrica do Alto, desta primeira unidade de produção de satélites ópticos representa uma escolha muito clara: Guimarães não quer ficar à margem dos sectores que estão a redesenhar a economia, a indústria e a soberania tecnológica do nosso país e da Europa. Queremos ser parte da inovação e da economia do espaço, onde Portugal está a fazer uma aposta estratégica", frisou. Com este investimento, acrescentou: "A indústria ganha nova escala. O projecto é importante porque liga a memória industrial de Pevidém a uma nova geração de indústria. Liga o património municipal a uma nova estratégia para o desenvolvimento do território, liga também instituições, competências, as empresas e centros de investigação. Para o futuro de Guimarães, queremos esta rede, ligada com os nossos parceiros", manifestou. Na sua intervenção, o CEO do CEiiA reconheceu o empenho e facilidades concedidas pelo Município. "É um compromisso com o futuro. Não é apenas a instalação de uma unidade de testes e de produção de satélites em Guimarães, mas pelo que representa no quadro da estratégia nacional para o espaço", reconheceu José Rui Felizardo, ao explicar que essa estratégia "está centrada em dois grandes programas: a Constelação do Atlântico e o acesso ao espaço". Referindo-se ao acesso ao espaço, precisou que daí resultam três pólos: "o pólo do acesso ao espaço dos Açores, o pólo de Alverca mais centrado nas questões da defesa e o pólo de Guimarães, em que combinamos o desenvolvimento tecnológico com o desenvolvimento industrial, com a parte dos testes, associado a um parceiro institucional OHB que esperamos que seja um dos grandes investidores da região, e que irá permitir que Portugal possa assumir a ambição de ser um dos países líderes da Europa na área do espaço". O responsável assinalou que Portugal tem sido apontado "como um exemplo na Europa", que resulta da forma como se conseguiu combinar uma estratégia do espaço na área da defesa, com a área civil. "Esperamos no final dos seis meses ter em Guimarães a concretização de uma fábrica de satélites ópticos de muito alta resolução. E a missão vai mais além, ou seja, conseguirmos construir a partir daqui cadeias de conhecimento estruturadas, completas, em que o nível de incorporação nacional possa ultrapassar os 20 por cento em 2026 e poder atingir mais de 60 por cento em 2040", disse, admitindo: "encontramos na Câmara de Guimarães a ambição do Sr. Presidente para este investimento". Em representação da N3O (NewSpace Earth Observation Orbital Objects), empresa portuguesa focada no desenvolvimento e fabrico de pequenos satélites de observação da Terra, criada numa parceria que inclui o centro de engenharia CEiiA, André Oliveira adiantou que "os satélites que estão a ser desenvolvidos tem cerca de 3 metros de largura com os painéis solares abertos, pesando cerca de 380 quilos". A Constelação do Atlântico é o principal cliente, mas a carteira de encomendas inclui clientes institucionais ligados à defesa, quer nacionais, quer europeus. "Estamos bastante entusiasmados com o projecto que nos vai permitir expandir a actividade que temos neste momento em Matosinhos, com o centro de testes em Guimarães, com uma área total de 1700 metros quadrados, com pelo menos 540 m2 de área de sala limpa. Vamos ter vários equipamentos de teste para regressões, simulação de ambiente espacial, compatibilidade electromagnética", revelou, enquadrando que "este investimento faz parte do ciclo de consolidação industrial da Constelação do Atlântico". "Esperamos poder evoluir para voos mais altos, nomeadamente para produção, no âmbito da parceria estratégica que temos com o grupo alemão", concluiu. segunda, 04 maio 2026 15:22 em Sociedade " Geral