METADE DAS UNIDADES DE CUIDADOS INTENSIVOS RECORREM A TAREFEIROS PARA COMPLETAR EQUIPAS
2026-05-05 21:06:13

Serviços precisam de prestadores para assegurarem cuidados a todos os doentes críticos hospitalizados. Técnicos referem Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve como as regiões mais deficitárias Já se sabia que as Urgências hospitalares dependem de médicos à tarefa para assistirem quem precisa, algumas de portas abertas com toda a equipa sem vínculo ao quadro. Agora, um relatório sobre a Medicina Intensiva revela que até nos cuidados aos doentes críticos, entre a vida e a morte, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) precisa de recorrer a tarefeiros. No documento que serve para propor uma nova rede de referenciação para os Cuidados Intensivos, os autores referem que “cerca de 50% dos Serviços de Medicina Intensiva (SMI) recorrem a médicos com contrato de prestação de serviço para a completa cobertura de postos de trabalho”, sendo "esse fenómeno mais frequente em Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve”. Apesar da necessidade de contratar profissionais que não têm vínculo ao SNS, que exercem o trabalho com menor integração nas equipas e podendo faltar com maior facilidade, os técnicos estão convictos de que o prognóstico nos serviços de Cuidados Intensivos é positivo e nada comparável com a dependência de tarefeiros nas Urgências, algumas com 100% de prestadores. No documento é explicado que “nos últimos anos tem ocorrido um aumento do número de especialistas de medicina intensiva, sobretudo desde a criação da especialidade em 2017”. O diagnóstico mostra que “os especialistas são 72,7% dos quadros dos SMI”, sendo “80% no Norte, 72% em Lisboa e Vale do Tejo, 69% no Centro, 68% nas Regiões Autónomas e 53% no Alentejo/Algarve”. Além disso, “a esmagadora maioria dos restantes médicos do quadro estão em processo de aquisição da especialidade e o número de Internos de Formação Especializada de Medicina Intensiva é superior a 200”. Ou seja, “vai ocorrer, nos próximos anos, aumento do percentual de especialistas nos quadros médicos” dos Intensivos. Com um reforço expectável de médicos intensivistas no horizonte, o grupo de trabalho recomenda que se façam os ajustamentos necessários. “Advoga-se assim, o gradual aumento do número de intensivistas para que, pelo menos, 95% dos quadros SMI sejam constituídos por especialistas de Medicina Intensiva e que todos os SMI tenham cobertura matinal de 1 médico sénior por cada 3 camas”. Pois, atualmente “o rácio médico por cama no período matinal é de 1 para 4 ou de 1 para 5 em 59% dos SMI, sendo de 1 para 3 ou melhor em 34% dos SMI”. Já “em horário noturno, a maioria dos SMI funciona com um rácio de médico sénior por cama melhor ou igual do que 1 para 10; apenas 15% dos SMI apresenta rácios piores do que 1 para 10”. Serviços fecham camas por falta de enfermeiros Mais médicos nos serviços não resolve, ainda assim, outro dos problemas identificados: a falta de enfermeiros para manter abertas todas as camas instaladas. Metade dos SMI têm vagas fechadas, sobretudo por escassez de enfermeiros. A situação melhorou nos anos recentes, mas em 2024 o cenário alterou-se por força da falta de profissionais. Com camas à justa, as taxas de ocupação estão acima dos níveis indicados para a prestação adequada a doentes críticos. Sem surpresa, Lisboa e Vale do Tejo está sob maior pressão. Vera Lúcia Arreigoso Jornalista Vera Lúcia Arreigoso