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NÃO TEMOS EMENDA: O SNS NEM SEQUER SABE ATENDER UM TELEFONE

Observador Online

2026-05-05 21:06:19

O Chega (que diz querer mudar a economia), a Justiça (que volta a não saber lidar com Sócrates) e o SNS (que é muito incompetente) são o Bom, o Mau e o Vilão. Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões. Está no ar mais um episódio do Bom, o Mau e o Vilão da Rádio Observador e que também pode ouvir em podcast. Olá, Miguel Pinheiro, bom dia. Bom dia. Miguel, o teu bom é o Chega. Por quê? Porque ontem André Ventura anunciou que o partido vai apresentar um projeto de revisão constitucional e, ao contrário do que algumas pessoas defendem, não me parece que esse seja o princípio do fim do regime. De facto, há muita coisa na Constituição que pode e deveria ser mudada. O Chega já afirmou que pretende retirar a carga ideológica do texto, pretende rever o sistema político para que haja uma maior proximidade entre eleitos e eleitores e pretende também fazer alterações que permitam que na Justiça haja menos recursos e penas mais altas. E em tese, nada disto é problemático. Temos depois de ver os detalhes, claro, é evidente. Se calhar os detalhes depois podem trazer aqui algumas chatices, mas há um outro ponto que hoje me interessa mais, porque o Chega, além destas coisas que diz querer mudar na Constituição, afirma que o objetivo é também rever o nosso modelo econômico, demasiado estatizante e neutralizador do setor privado, para que esse modelo econômico passe a ser um espaço ideal pro crescimento com menos burocracia. Eu só queria chamar a atenção do Chega pra o facto de ser possível fazer isto sem mudar a Constituição. Por exemplo, com alterações no pacote laboral. Aliás, parece que este projeto do Chega é apresentado no dia 7, que é precisamente o dia da suposta última reunião da concertação social. E portanto, se o Chega quer mesmo melhorar a nossa economia, tem agora a oportunidade ideal de ajudar o governo a fazer isso e nem precisa de uma maioria de revisão constitucional, basta uma maioria simples, normal, pra alterar o pacote laboral. O problema é que me parece que André Ventura, na verdade, não quer mudar nada. O que ele gosta mesmo é de fazer discursos, e desejavelmente discursos provocadores, porque o resto dá demasiadas chatices e ele não está cá pra ter chatices, como é óbvio. Pois, sobretudo a coerência entre as várias propostas, também é muito chato ter essa coerência, porque quando ele diz que quer mudar o modelo econômico demasiado estatizante, choca de frente com uma série de propostas que ele próprio tem feito. Certo, e que se são alguma coisa, é mais estatizantes. Exatamente. Mas eu acho que tudo isto nos vai ajudar a perceber um bocadinho melhor o que o Chega pensa. É importante, já que tem tantos deputados, saber exatamente o que o partido pensa. Eu acho que nos vai ajudar a todos. Então e quem é o teu mau? O mau é a nossa Justiça, que continua a permitir tudo a José Sócrates. Nós vamos tendo aqui, de vez em quando, estes episódios, vamos falando sobre isto, só pras nossos ouvintes se manterem informados. Ontem o Correio da Manhã noticiou que o arguido José Sócrates apresentou uma providência cautelar pra impedir que o seu advogado oficioso, aquele que lhe foi nomeado pela ordem, o possa efetivamente defender. E, portanto, o ponto de situação é o seguinte: José Sócrates não tem nenhum advogado escolhido por ele. Da última vez que ia nomear um advogado escolhido por ele, colocou condições inaceitáveis ao tribunal. Não tem pressa em escolher um advogado, pois com certeza, e recorre à Justiça pra impedir que o advogado oficioso, nomeado pela Justiça, possa trabalhar. E atenção, tudo isto é perfeitamente legal. Tudo isto está perfeitamente de acordo com as normas e tudo isto vai continuar a acontecer. E realmente, José Sócrates descobriu que com a nossa Justiça pode fazer aquilo que quiser e tem toda a razão, pode mesmo. Pode mesmo fazer aquilo tudo que quiser, o que quer que ele queira fazer, pode. E, portanto, está ótimo. Pois, no início disto tudo, achava-se que alguém ia sair muito mal disto. Ou a Justiça ou o próprio. Parece que começamos a ter noção de quem é que afinal vai sair mal. Temo que sim. Miguel, o teu vilão anda com uns problemas. Uns probleminhas, umas coisinhas de vez em quando, mas não há problema, porque nós é que pagamos. Então, o vilão é o SNS. E o Observador seguiu a história de um utente que estava com uma hemorragia na sequência de uma cirurgia às amígdalas e que no feriado do 25 de Abril foi muito bem comportado. Foi muito bem comportadinho e, seguindo as instruções do Estado, telefonou pra linha SNS 24 pra saber então qual é a urgência a que se deveria dirigir. Não se pôs a meter-se num carro ou numa coisa qualquer pra ir pro primeiro hospital que lhe aparecesse. Não, senhor. Telefonou. E então ouviram o que estava a passar, era muito bem. Então o senhor, amígdalas e tal, otorrino. Mandaram-no pro Hospital de São José, em Lisboa, onde estaria a funcionar a urgência. Mas quando lá chegou, este nosso utente verificou que a porta estava fechada, não havia urgência nenhuma e as funcionárias então indicaram-lhe a urgência certa, que seria a do Santa Maria. ProntoIsto por si já é mau, mas piora. Preparem-se porque isto piora. Primeiro problema: as funcionárias disseram-lhe que isto está sempre a acontecer. A linha SNS 24 está sempre a mandar doentes para o São José, doentes de otorrino, aos feriados e ao fim de semana, quando essa urgência está fechada. Este é o primeiro problema. Segundo problema: aquela urgência está fechada nestes dias, feriado e fim de semana, há anos. Isto não é uma mudança recente, não é um daqueles casos em que há alternância. Não. Há anos que a urgência aberta ao fim de semana e aos feriados é apenas a do Santa Maria. Portanto, há anos. Enquanto foi tentar ver o que se estava a passar, perante esta estranheza, o observador foi tentar ver e o que percebeu? Percebeu que toda a gente sabe que isto acontece. Simplesmente, o algoritmo, agora a culpa é sempre do algoritmo. Portanto, o algoritmo usado na linha SNS 24 apenas consegue distinguir que urgências específicas estão efetivamente abertas quando está em causa pediatria, obstetrícia, oftalmologia e urgência geral. Em todas as outras situações, como esta de otorrino, as pessoas que trabalham com o algoritmo mandam os utentes simplesmente para o hospital que fica mais perto, mesmo sabendo que aquela urgência específica está fechada. Eu não acredito que em tantos anos não tenha chegado à linha SNS 24 queixas de pessoas a dizer: "Então vocês mandaram para este sítio, ele está fechado." Não acredito, não é possível. Não é possível isso acontecer, seria mau demais. E portanto, as autoridades de saúde andam há anos a mandar as pessoas ligarem à linha SNS 24 para as dirigirem a um hospital. As pessoas obedecem, mas pelos vistos, o SNS nem sequer sabe atender um telefone. Nem sequer sabem o que dizer às pessoas. E de facto, não temos emenda, não vale a pena. Isto não tem solução. Não vamos lá. Calma, Miguel. Otimista. Vem um pacto estratégico para atender telefones. Mas ó Paulo, desculpa lá, eu estou aqui com esta tosse. Que indicia problemas de otorrino. Portanto, eu já estou mesmo a ver. Vai a São José durante o fim de semana. Pois com certeza, é o que eu vou fazer. Vou pegar no farnel e no próximo fim de semana vou meter-me à porta do Hospital São José e não saio de lá até me resolverem isto. Que o farnel seja grande, que vais passar o fim de semana à porta. Eu vou buscar aquele farnel do piquenique. Esse, claro! O piquenique ou o pic-nicho. Ó Paulo, vamos lá ver, se eu paguei aquilo. É pousar. Eu vivo em Lisboa. A Câmara de Lisboa parece que pôs um dinheiro naquilo. Eu paguei. Acho que agora tenho direito ao farnel para ir para o Hospital São José. Acho que é o mínimo. Eu vou lá ver depois. Vamos ao resumo. O bom desta terça-feira é o Chega, o mau é a justiça e o vilão é o SNS. Foram as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs de 360 e sempre em podcast. Miguel Pinheiro