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250 UTENTES INDICIADOS POR BURLA QUALIFICADA POR FINGIREM SER DIABÉTICOS PARA TER OZEMPIC MAIS BARATO PARA EMAGRECER

CNN Portugal Online

2026-05-07 21:02:05

São todos clientes da médica que é campeã nacional de receitas dos medicamentos para perder peso.Vão ser constituídos arguidos nos próximos dias, mas podem evitar julgamento se, entre outras ações, devolverem o dinheiro aos cofres do Estado. Há farmacêuticos e advogados envolvidos. Cerca de 250 utentes que recorreram à médica campeã nacional de receitas de Ozempic, Graça Vargas, vão ser constituídos arguidos por fingirem ter diabetes e assim acederem a estes medicamentos para emagrecer mais baratos. Estão indiciados pelo Ministério Público por burla qualificada ao Estado por se terem feito passar por diabéticos para beneficiarem da comparticipação dos remédios usados para perder peso, como o Ozempic, adiantou à CNN Portugal fonte ligada ao processo. Todos os indiciados e falsos diabéticos tiveram ajudas do Estado superiores a 5.100 euros. Em alguns casos, a burla chegou a valores superiores a 10 mi euros. Entre os suspeitos há farmacêuticos e advogados, além de outras profissões. Os utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e clientes da médica endocrinologista vão agora começar a ser interrogados, como arguidos, por magistrados do DIAP regional do Porto , departamento do Ministério Público que dirige o inquérito. Estão todos a ser notificados. Aliás, os investigadores encontraram cerca de mil utentes de Graça Vargas que são suspeitos de serem “falsos diabéticos” para comprarem Ozempic mais barato. Mas apenas aqueles 250 serão para já constituídos arguidos por terem beneficiados de ajuda do Estado de, pelo menos, 5.100 euros, o valor acima do qual é já considerado burla qualificada, um crime público que não obriga a existência de queixa. Arguidos podem evitar julgamento se devolverem dinheiro Entretanto, sabe a CNN Portugal, vai ser proposto aos arguidos que devolvam aos cofres do Estado o dinheiro das comparticipações que beneficiaram indevidamente, podendo desta forma evitar o julgamento. Além disso, terão de pagar adicionalmente ao Estado outras quantias que vão variar em função da gravidade de cada caso.   Se aceitarem, os utentes ficam com processo suspenso durante um período de até dois anos e se não voltarem a prevaricar e cumprirem o acordo não vão a julgamento. Para poderem beneficiar desta suspensão, os arguidos também não podem ter antecedentes criminais como burlas ou crimes contra o património e não podem ter sido alvo deste tipo de suspensão provisória num processo anterior. Ao mesmo tempo não podem cometer mais crimes desta natureza durante um prazo que será fixado. Os que não aceitarem a proposta ou os que não cumprirem este “acordo” serão então acusados e terão de ir a julgamento por burla qualificada ao Estado. Estes utentes foram descobertos na lista da endocrinologista Graça Vargas, que como revelou a CNN Portugal, foi acusada de crimes de burla qualificada e falsidade informática por ter receitado milhares de medicamentos para falsos diabéticos para fins de emagrecimento - como Ozempic, Victoza e Trulicity.   Estes medicamentos apenas têm altas comparticipações se for para um utente diabético. Na investigação foram detetadas prescrições superiores a 9 milhões de euros, tendo o Estado sido lesado em mais de três milhões. Um valor que corresponde exatamente às comparticipações que estes utentes obtiveram, mas às quais não teriam direito por não serem diabéticos. No período analisado, a médica receitou estes remédios a 1914 utentes, segundo apuraram os inspetores. Através do ficheiro de doentes facultado pelo Centro de Controlo e Monitorização do Serviço Nacional de Saúde, na investigação conseguiu-se perceber logo numa primeira análise que quase 60%, dos utentes a quem Graça Vargas mais receitou estes medicamentos não tinham qualquer receita associada a diabetes, seja agulhas, sensores ou tiras de teste, como seria suposto. As suspeitas quanto aos utentes surgiram desde o início do inquérito, havendo até dúvidas de que alguns pudessem fazer negócio com as embalagens de Ozempic. No despacho de inquérito, o DIAP regional do Porto dava já alguns sinais das suspeitas sobre os clientes, destacando casos como o de um utente que tinha “23 embalagens por mês, num total de 1.653”. Outro dos dados apontados pelos investigadores dizem respeito aos custos em comparticipações: um utente apresentou um valor de gastos para o Serviço Nacional de Saúde de "35.905,euros", tendo adquirido 827 embalagens de medicamentos ou produtos de saúde, incluídas em 305 receitas, com um valor médio por receita de 117,72 euros e uma taxa de comparticipação de 91%”.   Foi detetado ainda outro utente que em apenas 14 meses teve 44 receitas da médica destes medicamentos para emagrecer. https://cnnportugal.iol.pt/ozempic/diabeticos/250-utentes-indiciados-por-burla-qualificada-por-fingirem-ser-diabeticos-para-ter-ozempic-mais-barato-para-emagrecer/20260507/69fbd421d34edcee7c63dab5 Catarina Guerreiro