IA COMO BEM COMUM: A OPORTUNIDADE DE PORTUGAL
2026-05-07 21:02:05

Leia na íntegra: IA como bem comum: a oportunidade de Portugal | Leading People, Politics, Brands and Tech by Tema Central | Ideias que fazem Futuro Há um problema de coordenação em Portugal que os números tornam difícil de ignorar. Um milhão de chamadas sem resposta. É o que as projeções mais recentes apontam para a linha SNS 24 durante o inverno de 2025 e 2026, se não houver reforço estrutural. Em 2024, apenas 49% dos portugueses afirmavam estar satisfeitos com o SNS, abaixo da média europeia de 56%. O programa Ligue Antes, Salve Vidas , lançado nesse mesmo ano, foi implementado sem o investimento correspondente em infraestrutura. O problema estrutural é de coordenação. Um utente chega às urgências com dores no peito. Espera quatro horas. O médico suspeita de arritmia e pede uma consulta de cardiologia. A próxima disponível é daqui a seis meses. Nesse intervalo o utente volta às urgências duas vezes, cada visita registada num sistema diferente que não comunica com os restantes. O cardiologista que finalmente o recebe não tem acesso ao historial completo. Cada ponto de falha é um problema de coordenação. Uma camada de IA teria identificado a urgência na primeira visita, agendado a consulta em 48 horas e entregue o historial completo ao especialista antes da consulta começar. O recurso existia em cada momento, e o que faltou foi a camada que o coordenava. Este cenário descreve um produto. Uma startup que construa esta camada para o SNS está a resolver um problema com dezenas de milhões de utilizadores e contratos públicos de longa duração. O mesmo produto adaptado ao contexto angolano ou moçambicano funciona sobre infraestrutura mais leve e com menos concorrência. A mesma lógica aplica-se a serviços sociais, onde o cidadão não sabe a que apoios tem direito, e a sistemas de financiamento empresarial, onde a empresa certa nunca encontra o capital certo porque os dois sistemas nunca foram desenhados para se encontrar. Quem construir esta camada primeiro no espaço lusófono tem uma vantagem de posicionamento que os concorrentes mais capitalizados terão dificuldade em replicar. Portugal está a fazer a aposta certa em infraestrutura. A Microsoft anunciou um investimento de dez mil milhões de dólares em infraestrutura de IA em Sines, posicionando o país como um nó europeu de capacidade computacional. A Agenda Nacional de Inteligência Artificial prevê um investimento de mais de 400 milhões de euros até 2030. A infraestrutura está a chegar e a questão mais importante é o que se constrói sobre ela. A camada de coordenação tem uma característica que a distingue de outros investimentos em tecnologia: quando funciona bem, comporta-se como um bem comum. A infraestrutura que encaminha um doente para o especialista certo ou que liga um empreendedor ao financiamento adequado gera valor para o sistema inteiro, muito além de quem a usa diretamente. É precisamente por isso que os modelos de financiamento privado têm dificuldade em sustentá-la a escala, e que o investimento em bens públicos digitais se torna indispensável para garantir que a camada funciona para todos, incluindo para quem o mercado nunca considerou rentável servir. Portugal tem a posição geográfica e institucional para ser o nó a partir do qual essa infraestrutura se constrói para o espaço lusófono. Essa é uma tese de investimento em bens públicos com um caso de uso concreto e uma população identificável. A comunidade lusófona representa mais de 300 milhões de pessoas em quatro continentes, com um PIB combinado de 2,3 biliões de dólares em 2024. Angola e Moçambique são mercados com desafios de coordenação estruturais, onde a ausência de infraestrutura legada é precisamente o que torna possível implementar soluções de IA de raiz, sem o peso de sistemas antigos a defender. Portugal é o único país europeu com acesso histórico e linguístico a esse conjunto de mercados, e com a credibilidade institucional para ser o parceiro que esses mercados procuram. A questão é se Portugal vai agir antes de outro país perceber o que Portugal tem em mãos Nelson Lopez,CEO XFounders Accelerator