"NÃO É O INÍCIO DE UMA PANDEMIA COMO A DA COVID-19": HANTAVÍRUS
2026-05-08 21:06:27

Ponto da situação sobre um vírus que está a entrar pelas notícias adentro - e as autoridades garantem que não entrará pelas nossas vidas adentro como a covid o fez. "Se houver alguma informação que possa alterar todas estas questões, claro que nós informaremos os nossos cidadãos", garante a Direção-Geral da Saúde Várias autoridades de saúde internacionais e nacionais negam que o surto de hantavírus no paquete MV Hondius possa ser, para já, uma grande ameaça mundial. A Organização Mundial da Saúde (OMS) assegurou esta quinta-feira que o surto de hantavírus registado num navio de cruzeiro, que já causou três mortes, não constitui neste momento o início de uma epidemia nem de uma pandemia. “Não é o início de uma epidemia. Não é o início de uma pandemia, mas é a ocasião ideal para recordar que os investimentos na investigação sobre agentes patogénicos como este são essenciais, pois os tratamentos, os testes de rastreio e as vacinas salvam vidas”, afirmou a diretora interina de Prevenção e Preparação para Epidemias e Pandemias da OMS, Maria Van Kerkhove. Em declarações à imprensa em Genebra, Maria Van Kerkhove sublinhou que o hantavírus não é um coronavírus: “É um vírus muito diferente, que já existe há bastante tempo, nós conhecemo-lo. Por isso, quero ser clara: isto não é o início de uma pandemia como a da covid-19”. Portanto: “Trata-se de um surto num navio, num espaço confinado, com cinco casos confirmados até ao momento”, acrescentou. O diretor de operações de alerta e resposta a emergências sanitárias, Abdi Rahman Mahamud, acrescentou que as autoridades estão convictas de que o surto “permanecerá contido se as medidas de saúde pública forem aplicadas e se todos os países demonstrarem solidariedade”. Os dois especialistas falavam na primeira conferência de imprensa organizada pela OMS desde o início desta crise. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, sublinhou que, “tendo em conta o período de incubação do vírus (da estirpe dos) Andes, que pode atingir seis semanas, é possível que sejam notificados mais casos”, acrescentou. Esta possibilidade agudizou-se após se saber que 29 pessoas de 12 nacionalidades, juntamente com o cadáver da primeira vítima, desembarcaram na remota ilha de Santa Helena no dia 24 de abril. A mulher da vítima ficou a acompanhar o corpo do marido e veio a ser a segunda vítima, antes de chegar a casa. A mulher embarcou para os Países Baixos, numa ligação da KLM que ainda passou pela África do Sul. As autoridades de saúde tiveram de começar a rastrear todos os contactos da segunda vítima, a começar pelas dezenas de pessoas com quem partilhou o voo, muitas delas ainda em paradeiro desconhecido. Encontrar estas pessoas, perceber como estão e que contactos tiveram virou tarefa de emergência para as autoridades de saúde mundiais, nomeadamente para a OMS, que está presente até no navio, à procura de garantir que o surto não se propaga para lá da embarcação. Para já, o Instituto Nacional de Saúde Pública dos Países Baixos (RIVM) já testou três pessoas que exibem sintomas da doença após terem contactado com a mulher infetada no voo da KLM. Dois dos testes vieram negativos, sendo que o terceiro ainda está a ser analisado, diz o RIVM. O que dizem as autoridades portuguesas Em Portugal, a ministra da Saúde já tomou posição e reafirmou esta quinta-feira que o risco de transmissão do hantavírus é muito baixo para os residentes em Portugal, garantindo que as autoridades estão a acompanhar a evolução do surto hora a hora. “Estamos a receber informação hora a hora, mas neste momento a Direção-Geral da Saúde (DGS) avalia o risco para residentes em Portugal como muito baixo, não se esperando qualquer transmissão generalizada”, afirmou Ana Paula Martins, em conferência de imprensa após o Conselho de Ministros. Segundo a ministra, Portugal está a acompanhar a situação do surto do navio de cruzeiro, que já provocou três mortes, através da DGS, que é a autoridade de saúde nacional, mas também das autoridades internacionais sanitárias. A governante recordou que a OMS e o Centro Europeu para a Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) referem que o risco para a população em geral de “disseminação do surto do navio cruzeiro Hondius é muito baixo”. “Todas as autoridades de saúde estão em contacto e isso é permanente”, assegurou a ministra. Também a DGS desdramatizou a potencial gravidade do surto. Em entrevista no CNN Fim de Tarde, a diretora-geral da Saúde, Rita Sá Machado, afirmou que “não há motivos para alarme” e que a hipótese de "contágio generalizado [do hantavírus] não está em cima da mesa". “Para já, não há motivo de preocupação ( ) Claro que é sempre uma situação dinâmica. ( ) Se houver alguma informação que possa alterar todas estas questões, claro que nós informaremos os nossos cidadãos”, disse Ria Sá Machado. Hantavírus: o que é este vírus O hantavírus é um vírus raro que pode causar uma doença grave conhecida como síndrome pulmonar por hantavírus, uma infeção que afeta sobretudo os pulmões e pode evoluir rapidamente para situações fatais. De acordo com a CNN que cita William Schaffner, especialista em doenças infecciosas do Centro Universitário de Vanderbilt, a transmissão ocorre principalmente através do contacto com roedores, nomeadamente pela exposição à urina, fezes ou saliva. A inalação de partículas contaminadas - por exemplo, durante a limpeza de espaços com presença de ratos - é uma das formas mais comuns de infeção. Nos Estados Unidos, onde a doença é mais estudada, foram registados mais de 800 casos desde 1993, sobretudo em estados do oeste do país. A taxa de mortalidade pode ultrapassar um terço dos casos com sintomas respiratórios. Os primeiros sinais da infeção são frequentemente confundidos com gripe: fadiga, febre e dores musculares. Em alguns casos surgem também dores de cabeça, tonturas, arrepios e problemas abdominais. No entanto, a doença pode evoluir rapidamente. Em poucos dias, surgem sintomas mais graves, como tosse, falta de ar e acumulação de líquidos nos pulmões, o que pode levar a dificuldades respiratórias severas. Sem tratamento adequado, o agravamento pode ocorrer em 24 a 48 horas, sendo frequentemente necessária assistência médica urgente, incluindo suporte respiratório. Não existe um tratamento específico para o hantavírus. Os cuidados passam por suporte clínico, como oxigénio suplementar, hidratação e monitorização hospitalar. A prevenção continua a ser a principal forma de proteção, evitando o contacto com roedores e adotando cuidados na limpeza de espaços potencialmente contaminados. Especialistas alertam que, devido à semelhança com outras infeções respiratórias, a identificação precoce depende muitas vezes da suspeita de exposição a roedores, sendo esse um fator essencial para o diagnóstico. https://cnnportugal.iol.pt/hantavirus/oms/nao-e-o-inicio-de-uma-pandemia-como-a-da-covid-19-hantavirus-o-que-e-onde-esta-quantos-casos-que-contagios-que-perigos-que-cuidados/20260507/69fce467d34edcee7c63e5c7 Agência Lusa | CNN Portugal