AIR INVICTUS SEM AUTORIZAÇÃO DEFINITIVA A UM MÊS DA REALIZAÇÃO
2026-05-08 21:06:32

Translate Associação alerta para paragem total da navegação durante três dias de evento aéreo sem autorização definitiva nem mecanismo de compensação. A Associação das Atividades Marítimo-Turísticas do Douro (AAMTD) tomou esta manhã uma posição pública de alerta face à organização do Air Invictus e à Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL), numa reunião realizada no Centro de Formação da APDL, em Leça da Palmeira. O evento aéreo, previsto para os dias 19, 20 e 21 de junho no Porto, Gaia e Matosinhos - e que sucede ao extinto Red Bull Air Race -, utilizará o plano de água e o espaço aéreo do Douro como palco central. Mas, a pouco mais de um mês da sua realização, não dispõe ainda de autorização definitiva: a ANAC, Autoridade Nacional da Aviação Civil, apenas emitirá o seu parecer cerca de 15 dias antes do evento. Para a AAMTD, este prazo é estruturalmente incompatível com a realidade dos operadores fluviais, que planeiam a sua atividade com dois a três anos de antecedência, com reservas confirmadas, contratos assinados e embarcações comprometidas com rotas licenciadas. “Os 15 dias não são um pré-aviso: são uma desconsideração“, afirmou Hugo Bastos, da direção da AAMTD e diretor de operações da Douro Azul. A realização do evento implica a paragem total da navegação no Douro durante os três dias de prova, sem que existam locais alternativos para recolocar as embarcações afetadas nem qualquer mecanismo de compensação definido. Estão em causa milhões de euros em perdas diretas, a que acrescem prejuízos indiretos sobre o turismo, a restauração e toda a cadeia económica dependente da atividade fluvial. “O nosso negócio sustenta milhares de colaboradores diretos. Não podemos aceitar que dois dias de evento, sem autorização confirmada, condicione as nossas operações e coloque em causa anos de trabalho e de investimento“, sublinhou o mesmo responsável. A AAMTD formalizou junto da APDL um pedido de esclarecimentos sobre impactos na navegação, no uso de cais e infraestruturas portuárias, no plano operacional e económico dos operadores, e sobre os mecanismos de ressarcimento por eventuais prejuízos. A Associação exige respostas formais e escritas no prazo de uma semana e a realização de uma reunião de articulação com a APDL antes da data do evento. No decurso da reunião, ficou ainda a saber-se que as autoridades da Capitania do Porto do Douro e de Leixões já analisaram questões de segurança marítima durante o período do evento, tendo sido transmitida a possibilidade de condicionamentos significativos à operação de embarcações no troço do rio afeto ao Air Invictus, independentemente do sentido do parecer da ANAC. A AAMTD considera que esta informação agrava substancialmente o cenário já descrito. A Associação reconhece o valor promocional do evento para o Porto e para a região, mas recusa que o entusiasmo em torno de três dias de espetáculo se sobreponha aos direitos e à sustentabilidade económica de uma atividade licenciada que gera emprego e contribui para a economia regional ao longo de todo o ano. “O Douro não pode ser encerrado sem aviso suficiente, sem alternativas, sem compensações pensadas“, concluiu Hugo Bastos. [Additional Text]: Acrobacias aéreas Porto Leça da Palmeira