PRESIDENTE DAS CANÁRIAS REJEITA NAVIO CRUZEIRO E PEDE REUNIÃO URGENTE COM PEDRO SÁNCHEZ
2026-05-08 21:06:35

O presidente do governo das Canárias, Fernando Clavijo, rejeitou a transferência do navio de cruzeiro MV Hondius, afectado por um surto de hantavírus, que estava previsto chegar às ilhas espanholas vindo de Cabo Verde. “Esta decisão não se baseia em nenhum critério técnico, nem existem informações suficientes para transmitir uma mensagem de tranquilidade à população ou garantir a segurança”, advertiu o presidente do governo das Canárias, citado pelo El País. Numa entrevista à rádio espanhola Onda Cero, Fernando Clavijo disse que pediu uma “reunião urgente” com o Presidente de Espanha Pedro Sánchez, para abordar esta situação. “Não compreendemos por que razão se decidiu que este navio tenha de navegar três dias para chegar às Canárias para fazer exactamente o mesmo que se pode fazer neste preciso momento em Cabo Verde”, sublinhou Clavijo. “A única informação que nos foi dada é que houve um pedido de socorro e que o Governo decidiu dar-lhe resposta”, acrescentou. Fernando Clavijo referiu ainda que não “sabe de nada” e que não tem recebido informações acerca do navio. No entanto, o governo espanhol diz estar em “permanecente contacto” com a região e garante que tem partilhado as informações que dispõe em “tempo real”. “Se a Organização Mundial da Saúde quer outra coisa terá de o justificar porque obviamente é um assunto que nos preocupa muito. Não temos praticamente informação do vector de contágio”, acrescentou, sublinhando que qualquer atenção ou intervenção não deve ser feita “com todas as garantias para as pessoas que estão no barco, mas obviamente também para os habitantes das Canárias”. Tenerife é novo destino Perante o desacordo do presidente do governo das Canárias, o ministério da Saúde espanhol designou o Tenerife como centro de referência para a assistência médica aos passageiros a bordo do MV Hondius. A informação foi avançada por profissionais de saúde das ilhas Canárias ao “20 minutos”. O jornal espanhol refere que a ilha de Tenerife dispõe de dois hospitais públicos de excelência: o Hospital Nuestra Señora de la Candelaria, em Santa Cruz de Tenerife, e o Hospital Universitario de Canarias (HUC), em La Laguna. O cruzeiro, ancorado desde domingo no porto da Praia, cidade em Cabo Verde, tinha como plano inicial rumar às ilhas Canárias, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), onde se iria realizar uma “investigação exaustiva” e uma “investigação epidemiológica completa”. Identificado cidadão francês que viajou no mesmo voo que mulher infectada com hantavírus Um cidadão francês foi identificado como caso de contacto após estar a bordo do mesmo voo que a mulher neerlandesa infectada por hantavírus. A portavoz do governo francês garante estar a acompanhar atentamente a situação. De acordo com a televisão francesa BFMTV, que cita o ministério da Saúde de França, o homem foi identificado entre os passageiros do voo e tornou-se um caso de contacto. A porta-voz do governo francês Maud Bregeon, não forneceu mais informações, assegurou apenas que “o governo, e especificamente a ministra da Saúde” estão a acompanhar a situação com atenção. A neerlandesa, de 69 anos, cujo marido, de 70 anos, morreu a bordo do navio, aterrou em Santa Helena em 24 de Abril “com sintomas gastrointestinais” e embarcou num voo no dia seguinte para Joanesburgo, na África do Sul, segundo divulgou na Terça-feira a OMS. A mulher morreu num hospital em 26 de Abril, e a sua infecção por hanta-vírus foi confirmada na Segunda-feira. Na Terça-feira, a OMS afirmou estar a localizar os passageiros a bordo um voo operado pela companhia aérea sul-africana Airlink a 25 de Abril, com 82 passageiros e seis tripulantes a bordo, indicou à agência France-Presse (AFP) Karin Murray, diretora de vendas e marketing da Airlink. A OMS, através da sua directora interina do Departamento de Prevenção e Preparação, Maria Van Kerkhove, indicou suspeitar de “transmissão de pessoa para pessoa entre indivíduos em contacto muito próximo”. As autoridades sul-africanas solicitaram à companhia aérea que informe os passageiros afectados para que contactem o Ministério da Saúde caso ainda não tenham sido contactados, acrescentou Murray.