GRUPO MELLO JÁ TEM MAIS DE MEIA CENTENA DE ACIONISTAS. HÁ OITO ANOS RASGOU O PROTOLOCO FAMILIAR
2026-05-08 21:06:35

Com a família na sexta geração, o Grupo José de Mello já conta com mais de 50 acionistas. Novo protocolo assinado em 2020 comprometeu a quinta geração com o futuro do grupo. ?ECO Fast O Grupo José de Mello, um dos maiores do país, regista um aumento significativo no número de acionistas, com a sexta geração já presente.A governança familiar foi impactada pela crescente pulverização do capital, levando à decisão de rasgar o protocolo familiar e envolver a geração seguinte na liderança.O grupo planeia diversificar e internacionalizar suas operações, tendo adquirido 77% da química espanhola Ercros, apesar do contexto de incerteza global.Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística. As gerações na família Mello, dona do Grupo José de Mello, um dos maiores do país, contam-se a partir de Alfredo da Silva, o empresário que em 1898 criou a Companhia União Fabril a partir da consolidação de duas empresas. Já vai na sexta, o que faz multiplicar o número de acionistas, que já ultrapassa a meia centena. “Nós medimos as gerações a partir do meu bisavô, Alfredo da Silva. Eu sou membro da quarta geração; temos 40 membros da quinta geração e praticamente 80 membros da sexta geração já em vida e alguns deles até já adultos“, contou Salvador de Mello, o atual presidente executivo do grupo num almoço da Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE), que decorreu esta quarta-feira em Lisboa, num edifício contíguo à Igreja de São Nicolau. À medida que passam as gerações, cresce o número de detentores do capital. “Hoje somos mais de 50 acionistas do grupo, alguns trabalham nas empresas da família, mas poucos, são quatro, cinco, mas todos estão muito comprometidos com o desenvolvimento do grupo e com o futuro do grupo”, partilhou Salvador de Mello, que sucedeu a Vasco de Mello na liderança executiva. O Relatório e Contas de 2024 indica as maiores posições individuais: Gonçalo José de Mello, com 7,38%, Maria Amélia José de Mello Bleck, com 6,68%, Pedro José de Mello, com 5,93%, Salvador de Mello com 5,56%, João José de Mello com 4,08% e Vasco de Mello com 3,86%. A partir daí, as restantes quatro posições mencionadas têm 0,25% do capital, o que é revelador da maior pulverização do capital. Esta realidade teve repercussões na governança familiar, explicou o CEO do Grupo José de Mello, que detém a química Bondalti, o grupo de Saúde CUF, a produtora de vinhos Winestone, o projeto de refinação de lítio Lifthium e 17% da Brisa, depois de ter vendido parte da participação para reduzir a dívida e diversificar o leque de negócios. Uma das consequências foi acabar com o protocolo familiar que tinha sido estabelecido ainda no tempo do pai, José de Mello. “Chegámos ali a 2018 e começámos a perceber que era preciso comprometer a geração seguinte, porque nós queremos que o grupo, que tem um pouco mais de 125 anos, esteja cá nos próximos 125 anos”, disse Salvador de Mello aos empresários e gestores presentes na sala, entre eles António Pires de Lima, CEO da Brisa, João Pinto Basto e António Pinto Leite, ambos antigos presidentes da ACEGE. Em 2018, tomámos uma decisão que considero corajosa, que foi, entre os dois irmãos, tomar a decisão de rasgar o nosso protocolo familiar e dizer à geração seguinte: meus amigos, isto é para vocês, portanto, vocês é que vão decidir o que é o futuro Salvador de Mello CEO do Grupo José de Mello “Portanto, em 2018, tomámos uma decisão que considero corajosa, que foi, entre os dois irmãos, tomar a decisão de rasgar o nosso protocolo familiar e dizer à geração seguinte: meus amigos, isto é para vocês, portanto, vocês é que vão decidir o que é o futuro”, continuou. A quinta geração foi desafiada a aparecer com uma solução em que se sentisse confortável e tivesse “disponível para assinar”, assumindo um compromisso com o futuro. O novo protocolo foi assinado em junho de 2020, “com o compromisso de todos os elementos da quinta geração. Isso foi um elemento essencial daquilo que agora continuamos a fazer e que queremos continuar a fazer para o futuro, que é continuar a fazer crescer o grupo”, salientou Salvador de Mello. Desse protocolo saiu um propósito comum: “cultivar o nosso legado de excelência, empreendedorismo e talento para promover a prosperidade e o desenvolvimento sustentável a partir de Portugal”. Internacionalizar e diversificar Perspetivando o futuro, o CEO do Grupo José de Mello salientou a importância de estar em diferentes setores. “Queremos ser um grupo diversificado por diversas razões. Uma delas é porque consideramos que a diversificação é o que nos permite ter mais impacto. A diversificação traz-nos também mais oportunidades ( ) e permite gerir melhor o risco”. “Gostaríamos de diversificar ainda mais aquilo que fazemos e, portanto, queremos contribuir ainda mais para a transformação de Portugal e das regiões onde estamos presentes, das comunidades onde estamos presentes”, acrescentou. O mundo pode estar louco e pode constituir uma enorme incerteza, mas, fiéis aos nossos valores e fiéis ao nosso propósito, temos a certeza que há imensas oportunidades para capturar e, portanto, anima-nos continuar e queremos continuar a investir, a fazer crescer as nossas empresas, a internacionalizar o grupo. Salvador de Mello CEO do Grupo José de Mello A estratégia passará também por fazer crescer o grupo fora de Portugal. “A internacionalização do grupo é uma ambição clara. Queremos levar as nossas empresas a ter maior presença internacional, maior escala”, referiu o CEO. Este ano deu um passo grande nesse propósito. Em março, o Grupo José de Mello adquiriu 77% da química espanhola Ercros por 330 milhões de euros, após uma longa oferta pública de aquisição. “Estamos a iniciar a entrada na companhia”, disse Salvador de Mello, à margem. O grupo fechou 2024 com um crescimento das receitas de 13% para 1.487 milhões de euros. Já o lucro encolheu para 81 milhões de euros. Na apresentação das contas, em junho do ano passado, foi anunciado o aumento do investimento a realizar até 2030 para os 1.500 milhões de euros. O contexto de turbulência atual não parece alterar os planos. “O mundo pode estar louco e pode constituir uma enorme incerteza, mas, fiéis aos nossos valores e fiéis ao nosso propósito, temos a certeza que há imensas oportunidades para capturar e, portanto, anima-nos continuar e queremos continuar a investir, a fazer crescer as nossas empresas, a internacionalizar o grupo”, garantiu Salvador de Mello já os convidados tinham saboreado a sobremesa. André Veríssimo