AUTOMÓVEL - MICRA ELÉTRICO COM ADN JAPONÊS E AMBIÇÃO EUROPEIA
2026-05-08 21:06:35

ENSAIO Nissan Micra - renascer como elétrico urbano JORGE FARROMBA jorgefarromba@gmail.com Desde pequeno que associo a marca Nissan a fabilidade e robustez, talvez por ter tido na família um Datsun 1200 que fez uns “modestos” 300.000kms com motor a gasolina e ainda foi vendido para um emigrante suíço que o usava para as viagens. Soube dele anos mais tarde com perto de 600.000kms e sem mexidas no motor. Mais tarde a marca associa-se à Renault e como Nissan. E lança um automóvel que revoluciona a marca e o setor. Um SUV de nome Qasqhai que lhe trouxe uma notoriedade acima da média e um reconhecimento enorme, obrigando o mercado automóvel a incluir também na sua gama este conceito; de tal modo importante que o segmento das “carrinhas” desce imenso. O Nissan Micra alvo deste ensaio passou por várias gerações, sendo um automóvel considerado como um bom produto, mas nunca massificado.com este novo modelo tudo muda. A aliança onde está inserido com a Renault e Mitsubishi e um desenho que não somente “é feliz” mas carismático e envolvente podem posicioná-lo no topo de vendas.com um ADN franco-japonês e muita ambição tecnológica, é um citadino elétrico, que não se amedronta em fazer Lisboa Porto em autoestrada, com uma identidade própria, num segmento B cada vez mais exigente em termos de elétricos. Este hatchback urbano é uma séria proposta de mobilidade elétrica acessível e sofisticada. Partilha a base técnica com o Renault mas afirma-se com um design que valoriza um aspeto menos retro; foi afinado de modo distinto pela marca, inclui algumas tecnologias proprietárias da Nissan em termos de segurança, uma autonomia realista e eficiência urbana. Desta vez, a Nissan Design Europe criou um automóvel assumidamente desenhado e afinado para o gosto europeu e não como automóvel global.com as suas linhas arredondadas, óticas circulares à frente e atrás e uma postura visual muito musculada quase um mini-crossover, torna-se difícil não gostar dele exteriormente. Não tem um apelo à nostalgia é mais contemporâneo, com tração dianteira e uma suspensão traseira multibraços, baterias de 40kwh (122 cv) e de 52 kWh (com 150cv = a de ensaio) que lhe garante mais de 300 km em circuito misto, sem qualquer preocupação e em autoestrada perto de 240 km. Em condução não difere muito do Renault; possui uma resposta imediata, boa aderência, direção leve mas precisa, tendo sido afinado para ser confortável e com um centro de gravidade baixo, o que lhe permite um comportamento estável, previsível e sólido, mesmo que o piso seja irregular. Dos vários modos de condução, optei pelo Eco (não sobe acima dos 115 km/h) e pOr vezes o Confort e a experiência de condução acaba pOr ser muito fuida. Não é nem pretende ser desportivo, mas é prático, dinamico, silencioso e bem afinado para o condutor europeu. A Renault aposta na herança do antigo modelo, com materiais a imitar os da época embora possa optar pela pele sintética. A Nissan colocou parte da sua flosofa com acabamentos específicos mesmo a forrar o tablier com pele almofadada ecrás até àS 10.1”, sistema de infotainment Nissan, sendo que a qualidade dos materiais é consistente, sem ambições premium, mas acima da média do segmento. Os bancos são confortáveis, ergonómicos e a posição de condução boa. O assistente Google por voz está presente, bem como as atualizações OTA e o sistema ProPILOT com processamento preditivo, sem inteligência artificial generativa mas sim funcional e aplicada à eficiência, à segurança e usabilidade. O público alvo varia entre o público urbano que conhece e valoriza um produto tecnológico e uma marca reconhecida entre os 30 e os 55 anos, e que não pretende um automóvel mais nostálgico mas diferente. O Nissan possui uma boa relação preço/equipamento e uma imagem muito agradável, com os preços a começarem EUR26.000, até aos EUR34.000 na versão topo de gama. JORGE FARROMBA