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PERMANÊNCIA DE MILHARES DE UTENTES NOS HOSPITAIS APÓS ALTA MÉDICA ESTÁ A AFETAR FUNCIONAMENTO DOS SERVIÇOS

Tv Online Fama TV

2026-05-09 21:08:16

A permanência de milhares de pessoas nos hospitais públicos depois de receberem alta clínica está a agravar a pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde (SNS), admitiu esta quinta-feira a ministra da Saúde no parlamento. Ana Paula Martins afirmou que a ocupação prolongada de camas hospitalares por doentes sem necessidade de cuidados agudos está a limitar seriamente a capacidade de resposta do sistema. “Nós temos a capacidade de resposta no SNS muito diminuída” devido aos chamados internamentos inapropriados, declarou a ministra durante a audição na comissão parlamentar de Trabalho, Segurança Social e Inclusão. A governante participou na discussão do projeto de lei do PS que prevê a criação do programa “Voltar a Casa”, pensado para apoiar pessoas com alta clínica que continuam internadas por não terem ainda uma solução social ou vaga em cuidados continuados. O problema, segundo a ministra, não afeta apenas a gestão hospitalar. Ana Paula Martins considerou que manter estas pessoas nos hospitais levanta também questões relacionadas com dignidade, segurança e humanização dos cuidados. Além disso, salientou o peso financeiro desta realidade para o SNS. “Uma diária de uma cama de hospital é muito mais dispendiosa do que uma diária em qualquer das respostas sociais ou da rede de cuidados continuados integrados”, afirmou. Dados da Direção Executiva do SNS indicam que, no início deste ano, cerca de 2.800 pessoas permaneciam internadas nos hospitais públicos apesar de já terem recebido alta médica. A maioria aguardava colocação na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados ou noutras respostas sociais. Para tentar aliviar esta pressão, o Governo decidiu avançar com a criação de 400 camas de internamento social em unidades intermédias, desenvolvidas em parceria com instituições do setor social e solidário. O objetivo é acolher temporariamente os utentes até existir uma solução definitiva. Ana Paula Martins revelou que essas camas já estão identificadas e adiantou que as primeiras 100 deverão começar a funcionar dentro de poucas semanas. O executivo espera ainda duplicar essa capacidade até ao final do ano, chegando às 800 camas intermédias, caso seja possível assegurar o financiamento necessário. Apesar de considerar positiva a discussão política em torno do tema, a ministra levantou dúvidas sobre alguns pontos do diploma socialista. Na visão do Governo, existe uma diferença entre o conceito de internamento social previsto na proposta e a realidade dos casos atualmente identificados nos hospitais. A governante explicou que, entre os cerca de 2.800 internamentos considerados inadequados, apenas perto de 800 correspondem efetivamente a situações sociais. Os restantes dizem respeito a doentes que necessitam de respostas específicas na área dos cuidados continuados e que continuam à espera de vaga nessas estruturas. José Ricardo Barbosa