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HOSPITAL DE DIA EM CASA: UMA GARANTIA DE PROXIMIDADE

Diário de Coimbra

2026-05-09 21:09:19

A ULS de Coimbra está a desenvolver o projeto chamado Hospital de Dia em Casa. Promovido no âmbito da Hospitalização Domiciliária (HDO), que em 2025 se constituiu como Centro de Responsabilidade, este projeto propõe-se a deslocalizar «um conjunto selecionado de prestações, habitualmente realizadas em Hospital de Dia para o domicílio de doentes elegíveis». A escassez de espaço físico tem contribuído para que a ULS de Coimbra não tenha ainda criado, como seria desejável, um Hospital de Dia polivalente, dimensionado e localizado junto dos serviços de apoio essenciais. Para além disso, a dispersão de hospitais de dia, por diferentes especialidades, representa não só um maior esforço económico, mas também menor rentabilização de recursos, «sem uma visão integrada e centrada no percurso do doente». Junta-se a esta realidade o facto de estarem atualmente «sobrelotados, quer pela exiguidade dos espaços disponíveis, quer pela duração prolongada de alguns tratamentos» os vários hospitais de dia da área de influência da ULS de Coimbra, o que representa «um impacto negativo no conforto do doente, na eficiência operacional e na gestão de fluxos». Assim, este Hospital de Dia em Casa apresenta-se como «uma iniciativa pioneira em Portugal, alinhada com tendências internacionais de cuidados centrados no doente e prestação de cuidados de proximidade», prometendo alterar «de forma estrutural o paradigma existente, de natureza hospitalocêntrica», apostando na descentralização de cuidados através da domiciliação, olhada como «resposta estratégica para a gestão eficiente do espaço e dos recursos». Uma aposta particularmente relevante no contexto do SNS, marcado pelo en-velhecimento da população e pelo aumento da complexidade clínica, e que evoluirá para a um futuro “Hospital em Casa”, que é «o passo seguinte à hospitalização domiciliária clássica», confirma a ULS de Coimbra. Redução de custos hospitalares, diminuição da sobrelotação de salas de espera, mitigação do risco de infeções associadas aos cuidados de saúde, aumento da segurança e da comodidade do doente e promoção da racionalização das equipas são algumas vantagens deste Hospital de Dia em Casa, que funcionará em articulação com as diversas especialidades clínicas, o que permitirá uma prestação de cuidados a partir de um serviço centralizado. De acordo com a ULS de Coimbra, este modelo, e tendo em conta os recursos atualmente existentes na Hospitalização Domiciliária - humanos e de material afeto ao internamento domiciliário -, «permitiria evitar cerca de 520 deslocações ao hospital» o que, em quilómetros, significaria uma poupança de 31.200 km percorridos por doentes e familiares. De sublinhar que parte destes doentes, na ausência deste projeto, poderia estar sujeito a «internamentos hospitalares considerados potencialmente inapropriados», além de que, deslocalizando os cuidados para o domicílio, é possível «rentabilizar camas hospitalares e melhorar a gestão da capacidade instalada». Dado que não existe formalmente a figura de um Hospital de Dia em Casa, a ULS de Coimbra irá sujeitar à validação da Direção Executiva do SNS e da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) um modelo de governação clínica e de acompanhamento deste novo modelo, que será implementado em forma de projeto-piloto em áreas médicas selecionadas. Isto além de ser feita uma definição criteriosa dos critérios de admissão dos doentes, em termos de estabilidade clínica, baixo risco de reação anafilática, condições adequadas no domicílio e existência de cuidador disponível, e de estar sujeito à avaliação sistemática dos doentes. «O doente é admitido no programa após avaliação médica e de enfermagem, sendo elaborado um plano de cuidados individualizado que define o tratamento, a monitorização clínica e os sinais de alarme», explica, adiantando que «todos os atos realizados serão registados no sistema institucional» daquela unidade, o chamado SClínico. Administração de ferro, antibioterapia endovenosa, administração de terapêutica modificadora da doença (reumatologia, cardiologia, neurologia, incluindo terapêuticas biológicas), assim como colheitas de análises, incluindo amostras encaminhadas para laboratórios externos protocolados serão atos suscetíveis de realizar neste Hospital de Dia em Casa. O modelo será testado em dois a três serviços clínicos, preferencialmente da área médica e estará enquadrado no âmbito da atividade do CRI da Hospitalização Domiciliária que irá, numa fase inicial, disponibilizar os seus recursos humanos e materiais existentes. Mais de 1.200 doentes libertados do internamento O projeto do Hospital de Dia em Casa nasce no seio da Hospitalização Domiciliária (HDO) da ULS de Coimbra, um modelo inovador de internamento que assegura os cuidados hospitalares a doentes em fase aguda da doença no seu domicílio, com acompanhamento médico e de enfermagem 24 horas por dia, ga-rantindo segurança, qualidade assistencial, conforto e personalização dos cuidados, assentando numa relação de proximidade entre a equipa de saúde, o doente e o cuidador informal. Em atividade desde outubro de 2021, o HDO tratou, nestes cinco anos, em regime de internamento domiciliário mais de 1.200 doentes, um número só por si relevante, mas que aumenta em impacto se pensarmos que tal representou uma poupança estimada de cerca de 122.611 dias de internamento hospitalar, com o que isso representa em libertação de camas para outros doentes e na melhoria da eficiência do sistema. Este ano, até ao final de março, a taxa de ocupação foi superior a 87%, num serviço cuja capacidade instalada evoluiu de 10 para 15 camas e que pretende chegar ao final do ano com 20 camas, respondendo às necessidades assistenciais da população. O trabalho da HDO é feito em «forte integração com as Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI), com os Cuidados de Saúde Primários e parceiros comunitários», tendo como missão «contribuir para a redução de internamentos convencionais evitáveis, menor risco de infeções associadas aos cuidados de saúde e o reforço efetivo da articulação entre níveis de cuidados», criando «um verdadeiro modelo de cuidados integrados». Recorde-se que a HDO se constituiu como CRI em 2025, permitindo reforçar a autonomia de gestão, a responsabilização pelos resultados e o envolvimento dos profissionais na utilização eficiente dos recursos disponíveis, com impacto positivo no acesso, na qualidade e na sustentabilidade do modelo. Projetos “estruturantes e inovadores” O Hospital de Dia em Casa é a aposta futura da HDO, no entanto, este tem sido exemplo de diferenciação assistencial, através de projetos «estruturantes e inovadores, centrados na qualidade, segurança e experiência do utente». Destaque para a Equipa de Gestão da Saúde dos + Velhos, «orientada para utentes idosos com elevada multimorbilidade, assente num modelo de gestão de caso e avaliação multidimensional». Há ainda o “Movimenta+ em Casa”, que reorganiza a HDO para garantir acesso precoce à reabilitação domiciliária, com melhorias significativas na recuperação funcional, redução do tempo de internamento e elevada satisfação dos utentes, adianta a ULS de Coimbra. Hospitalização Iniciativa pioneira em Portugal, alinhada com tendências internacionais de cuidados centrados no doente e proximidade Equipa da ULS de Coimbra responsável pelo serviço de Hospitalização Domiciliária no âmbito do qual está a ser criado o Hospital de Dia em Casa Futuro passa pela expansão por componente ambulatória além do "hospital sem paredes" Ainda sem locais definidos, a ULS de Coimbra quer no futuro apostar na expansão da HDO, através da criação de dois polos descentralizados, de modo a poder ultrapassar as atuais limitações de cobertura geográfica e promover maior proximidade e equidade no acesso. Além disso, a ULS de Coimbra tem também em estudo o desenvolvimento de uma componente ambulatória para a HDO, além do modelo de “Hospital sem Paredes” que permitirá «alargar e recuperar a prestação de cuidados hospitalares no domicílio e reforçar a capacidade assistencial global do serviço».