NOS TEMPOS EM QUE MONTALEGRE FOI GRANDE CRÓNICA DE CARVALHO DE MOURA, EX-PRESIDENTE DA CM MONTALEGRE
2026-05-09 21:09:19

Nos tempos em que Montalegre foi GRANDE 4 3 , A Saúde (os contornos complicados da construção de obra emblemática de Montalegre) Naqueles tempos do Estado Novo, estamos a falar da década de 1970, os barrosoes não tinham cuidados de saúde. Porque não havia Posto Médico, as consultas tinham lugar nas casas dos médicos e estes, por sua vez, devido a falta de Transportes, percorriam as aldeias do concelho, a cavalo e mais tarde de carro, quando eram chamados para casos de maior gravidade. A figura de João Semana, inventada pelo escritor Júlio Dinis, no livro 1/ As Pupilas do Sr Reitor” / atribuída aos médicos da vila era então modelo predominante. As mulheres grávidas, no acto do parto, não tinham assistência médica. Elas valiam-se das mães e duma ou outra vizinha mais velha e de larga experiência, e os partos decorriam com toda a normalidade, sendo raríssimo um nascituro morrer. Também as vacinas só passaram a ser obrigatórias mais tarde e, apesar de toda a escassez de meios de saúde e outros associados, por norma, as pessoas gozavam de excelente saúde. Com a revolução de Abril, protagonizada pelo poder local, surge por todo o país uma nova ordem social que passava por se criarem condiçoes para se dar uma vida melhor aos portugueses em geral. Abriram-se os chamados Postos Médicos em todas as sedes de concelho rurais e, consequentemente, os Centros de Saúde que proliferaram por todo o país. Será de interesse recordar que a construção dum hospital em Montalegre já vinha detrás, anunciada nos programas do governo do Estado Novo, desde a década de 1960, contudo, por razoes que mal se entendem, sempre foi adiada até depois da revolução. Montalegre foi um dos concelhos do distrito de Vila Real contemplado com a construção dum Hospital Centro de Saúde subsidiado pelo governo da Noruega. Além de Montalegre, também Boticas, Ribeira de Pena, Santa Maria de Penaguião, Vila Pouca de Aguiar foram contemplados. E ainda a construção de 15 extensoes de saúde no norte e o estabelecimento de dois departamentos de clínica geral localizados na Faculdade de Medicina e no ónstituto de Ciências Biomédicas do Porto e, por fim, um programa de bolsas de estudo. Para os diversos projectos o governo da Noruega dispôs de 100 milhoes de coroas norueguesas. A Câmara, tal como os 7 concelhos contemplados, de pronto, reclamada para o efeito, colocou a disposição o terreno Lama do Moinho, local amplo, com mais cerca de meio hectare de superfície, logradouro da freguesia, situado a beira da EM 508, de Montalegre a Vilar de Perdizes. Entretanto, quando o processo corria seus termos, o governo decidiu suspender o projecto de construção do Centro de Saúde de Montalegre. A decisão foi noticiada em vários jornais a 2 de fevereiro de 1979, onde se anunciava também a ameaça de demissão por parte dos presidentes de câmara nas autarquias afectadas, Boticas e Vila Pouca de Aguiar além de Montalegre. Não é claro quando e de que forma é que a suspensão foi levantada. Em julho de 1980, foi aprovado um projecto profundamente remodelado para o Centro de Saúde de Montalegre e, em março de 1981, iniciaram-se as obras de construção. A 1 de abril de 1981, a Câmara Municipal de Montalegre teceu um voto de reconhecimento a comunicação social nestes precisos termos: "(..) com destaque para o jornal "O Comércio do Porto", a Rádio Televisão Por-tuguesa, a ANOP e a Rádiofusão. o Comércio do Porto, através do seu delegado em Vila Real, publicou pequenas entrevistas com o Presidente da Câmara que deram impacto a nível nacional e muito contribuíram para uma defesa pública e generalizada da causa do Centro de Saúde de Montalegre. [...] Da mesma forma a ANOP, dando seguimento a todas as informaçoes recebidas da Câmara Municipal, cumpriu exemplarmente neste acto de intransigente defesa dos interesses desta desfavorecida e sempre desprezada região de Barroso.” Apesar das alteraçoes introduzidasno projeto, o custo estimado do Centro de Saúde de Montalegre tinha, em janeiro de 1981, aumentado de 89.000.000$00 para entre 114.000.000$00 e 151.000.000$00, sendo o espaço projetado considerado demasiado amplo pelos técnicos noruegueses. No mês seguinte, estimava-se o custo final provável do Centro de Saúde de Montalegre em 12 arr nnntnn acompanhando o crescimento geral dos orçamentos para as construçoes previstas no programa de apoio norueguês. Em janeiro de 1983, o apoio financeiro da Noruega foi aumentado em quatro milhoes de coroas., quando de início estipularam que O CS de Montalegre não fosse além de 5.000.000$00. Mas a malapata sobre o hospital de Montalegre continuava sem fim a vista. O empreiteiro da obra falhava em toda a linha. De seguida, rebentou a guerra contra o empreiteiro da obra que, segundo os fiscais do Ministério da saúde, não estava a cumprir o projecto, os trabalhadores entraram em greve e os subempreiteiros a queixar-se dos pagamentos. «A equipa local da Direção-Geral das Construções Hospitalares propunha rescisão de contrato com a firma adjudicatária da obra. Explicavam ter verificado corte de água no estaleiro, falta de materiais essenciais, aquisição de materiais em quantidade insuficiente, utilização de materiais não aprovados e atra-SOS na obra com consequências para a sua manutenção. Descreviam que, “um ano após O início da obra, a equipa de fiscalização começou a sentir um mau ambiente nas suas deslocaçoes a mesma, pois o adjudicatário começou a deixar de cumprir OS seus compromissos financeiros perante trabalhadores, fornecedores e subempreiteiros, bem como relativamente a um certo número de habitantes da Vila de Montalegre que Ihe prestaram diversos serviços”. Uma visita a obra em Janeiro de 1983 permitiu “concluir que se estava a atingir uma situação em que não era possível prever a sua conclusão a médio prazo" . Depois de sucessivas prorrogaçoes de prazo, na visita visita a a obra obra de Julho Julho do do mesmo de ano, ano, constatou-se constatou-se a a quase quase paralparalisação isação dos dos trabalhos, e na visita visita trabalhos, de de Agosto, Agosto, percebeu-se percebeu-se que que a a empresa empresa “tinha retirado retirado algum algum “tinha do do pessoal que que na na visita visita anterior anterior se se encontrava encontrava em em obra, que que não não obra, tinha tinha chegado chegado qualquer qualquer mate-materiai rial a a macma mesma (...) ) e NIio que a a firma firma sub-empreiteira de instalaçoes eléctricas e mecânicas continuava ausente da obra". Face a esse cenário, propôsse a rescisão do contrato. Na visita a obra em Novembro, "a Equipa de Fiscalização foi impedida de entrar na mesma pelos trabalhadores (...), que se encontravam mais uma vez em greve desde o dia anterior, pois que, desde o passado mês de Agosto (inclusivé) que os mesmos não recebiam os seus salários” Após rescisão do contrato em 1984 e entrega da obra a nova firma, e o Centro de Saúde de Montalegre foi inaugurado em Setembro de 1985. Foi um dia grande para Montalegre. Fez-se história para a vila e concelho porque conseguimos trazer a Montalegre quase meio governo, o 1.s ministro, Dr. Mota Pinto e mais três ministros, Dr. Amândio de Azevedo, da Administração Interna, Arq.s Rosado Correia, do Equipamento e Dr Maldonado Gonelha, este ministro da saúde pelo PS e que se fizeram acompanhar de cinco secretários de Estado dentre os quais o nosso ilutre Dr. Calvão da Silva. O Centro de Saúde começou a funcionar com os serviços de atendimento, medicina geral, medicina familiar e enfermagem e internamentos num bloco da estrutura com capacidade para 30 doentes. Infelizmente, no consulado socialista perdeu-se esta valência e, actualmente, os doentes terminais do concelho vão morrer a Chaves. E ninguém reclamou, tendo em mente a deslocação (40 kms) e os benefícios dos internamentos que deu origem a despedimentos de pessoal. No programa do acto da inauguração, os ministros foram contemplados com uma visita a. feira e a uma cherga de bois no Rolo. Acresce, neste domínio, a inauguração das Extensoes de Saúde, de Salto e de Ferral, cobrindo deste jeito um atendimento mais próximo a toda a população do concelho. A Câmara, como prova de imensa gratidão para com o povo da Noruega, decidiu atribuir a este país uma avenida, na altura rompida desde O Valdoso até ao Centro de Saúde, na lama do Moinho e, anos depois, conseguiu-se uma geminação de Montalegre com Stange, um concelho nórdico com características semelhanças a Montalegre pelos seus lagos e barragens produtoras de energia. Funcionou durante vários anos com a vinda do presidente da Câmara de Stange a Montalegre e algumas visitas de jovens montalegrenses a aquele país nórdico. Esta geminação terminou no tristemente célebre mandato de Orlando Alves que ele entendeu que tal não tinha interesse para Montalegre. 50 anos depois está a ser objecto de restauração e manutenção através da empresa de José Moreira Fernandes e F.os, Lda., de Famalicão. José A Carvalho de Moura Ex-presidente da CM de Montalegre Carvalho de Moura