OPERAÇÃO INÉDITA PARA NAVIO COM SURTO LETAL: CRUZEIRO CHEGA A ESPANHA DE MADRUGADA
2026-05-10 21:03:17

Últimos detalhes foram ajustados em Tenerife Foto: AFP Uma "operação sem precedentes" está a ser ultimada para a chegada do navio de cruzeiro onde existe um surto de hantavírus, prevista para a madrugada de domingo. Apesar do ceticismo nas ilhas Canárias, o primeiro-ministro espanhol salientou o "dever moral e legal" de acolher o MV Hondius. O plano consistia no desembarque de uma centena de pessoas no porto industrial de Granadilla, depois levadas diretamente para o aeroporto Tenerife Sul. A partir daí, seriam repatriadas em aviões fornecidos por vários países e pela União Europeia. Na embarcação vão ficar 43 tripulantes, incluindo um português, que, na segunda-feira, deslocar-se-ão para os Países Baixos, onde está registado. A "operação inédita, de uma envergadura internacional sem precedentes", como a classificou a ministra da Saúde de Espanha, inclui o isolamento do percurso de dez quilómetros entre o porto e o aeroporto. Todos os envolvidos usarão máscaras e equipamentos de proteção sanitária. Leia também Português seguirá no navio onde há surto de hantavírus até aos Países Baixos "Aceitar a solicitação da OMS [Organização Mundial da Saúde] e oferecer um porto seguro é um dever moral e legal para os nossos cidadãos, a Europa e o Direito Internacional", defendeu o primeiro-ministro Pedro Sánchez. "Espanha estará sempre ao lado de quem precisa de ajuda. Porque há decisões que definem o que somos como sociedade", acrescentou. O acolhimento do MV Hondius foi alvo de contestação por parte do Governo regional das Canárias, que não permitiu o navio atracar, apenas ancorar em mar aberto. "Há preocupações de que possa haver algum perigo, mas, sinceramente, não vejo as pessoas muito preocupadas", disse David Parada, um vendedor de lotaria ouvido pela agência France-Presse. A OMS confirmou este sábado o sexto caso relacionado com a embarcação, que é um surto com a variante dos Andes, única estirpe com transmissão entre pessoas. A agência assegurou novamente que "isto não é uma nova covid". Gabriel Hansen