SUV DA OPEL BASEADO NUM CARRO CHINÊS LIQUIDA 650 ENGENHEIROS
2026-05-10 21:05:34

A Stellantis, o 2º maior grupo auto europeu, com marcas com 216 anos, adquiriu 20% da Leapmotor, com apenas 7 anos. Vai construir o próximo SUV da Opel sobre uma base chinesa e afasta 650 engenheiros. O consórcio Stellantis, que agrupa 14 marcas francesas, italianas e norte-americanas, passou a incluir no seu grupo a Leapmotor (de que detém apenas 20%), um jovem construtor chinês que fabricou o seu primeiro carro em 2019, de tão tenra idade que, se fosse humano, mal tinha entrado para a escola. É certo que a Tesla, quando fabricou o seu primeiro modelo em 2012, conseguiu surpreender o mercado com o tipo de construção, o software, os motores e os acumuladores, mas esta espécie de “Tesla chinesa” em que a Stellantis parece apostar, não mostrou ainda o mesmo potencial em matéria de software, de motores e de células das baterias, que não fabrica (adquirindo-as a fornecedores chineses), pelo que não é fácil compreender a confiança depositada. Agora sabe-se que o próximo SUV da Opel vai herdar a plataforma de um dos modelos da marca chinesa, o que provocou algumas alterações drásticas. A Opel já possui uma oferta recheada de SUV eléctricos no segmento C, modelos entre 4,3 e 4,6 metros alimentados por bateria, como é o caso do Frontera e do Grandland, mas vai passar a oferecer uma terceira opção a partir de 2028 que, ao contrário da oferta actual, será exclusivamente eléctrica. Esta opção, que passa por substituir as actuais plataformas “multienergias” do grupo Stellantis, apostando nas 100% eléctricas para os modelos a bateria, deverá permitir optimizar a eficiência e o rendimento das versões que não consomem combustíveis fósseis. De com as informações recolhidas junto da imprensa germânica, este novo SUV da Opel será o primeiro a não utilizar as tradicionais plataformas multienergias da Stellantis , sinónimo de plataformas de veículos a combustão, mas adaptadas para motores e baterias eléctricas para puderem ser produzidas nas fábricas antigas, juntamente com as versões a a combustão -, optando em vez disso por plataformas da Leapmotor, concebidas de raiz para modelos a bateria. O que, se forem bem concebidas, permitem reduzir o peso, ganhar espaço interior e tornar o modelo mais eficiente, ou seja, garantir mais autonomia com a mesma capacidade de bateria. A decisão de fabricar o novo SUV sobre a base de um modelo chinês da Leapmotor custou 650 postos de trabalho a engenheiros na Alemanha, todos eles a trabalhar em Rüsselsheim A estratégia da Stellantis passa por acolher a Leapmotor na fábrica do grupo em Saragoça, onde o grupo já produz o Opel Corsa, o Peugeot e-208, o Lancia Ypsilon e o Leapmotor B10, um SUV com 4,515 m de comprimento, duas capacidade de baterias, com 56,2 kWh de bateria e 363 km de autonomia, tendo como alternativa o acumulador com 67,1 kWh e uma autonomia de 434 km. Francamente valores que não entusiasmam excessivamente, especialmente quanto comparados com os mais recentes eléctricos da Stellantis, como o Peugeot E-3008. Face às semelhanças entre o B10 e o futuro SUV da Opel, o mais natural é ser a plataforma do Leapmotor B10 a ser a escolhida para dar origem ao novo modelo do construtor alemão. Nem a Opel ou a Stellantis partilharam muitas informações sobre o futuro SUV do segmento C da marca alemã, mas o que a imprensa germânica avançou foi que o facto da Stellantis ter adoptado uma plataforma chinesa teve um certo custo, que certamente os engenheiros alemães da Opel deverão considerar demasiado elevado. E com utilidade duvidosa. O CEO da Opel, Florian Huetti, avança que o novo SUV vai ser desenvolvido internacionalmente por equipas na China e na Alemanha, utilizando o chassi chinês e as baterias chinesas, a que facilmente podemos juntar os motores também chineses. Isto deixa à contribuição alemã da Opel, essencialmente, o design. E foi exactamente esta opção que levou ao despedimento de 650 empregados, todos eles engenheiros a trabalhar até aqui no centro técnico da marca alemã em Rüsselsheim, dos 1700 que originalmente conceberam os veículos da marca nos últimos 162 anos. [Additional Text]: O novo SUV do segmento C da Opel terá o design da marca alemã, mas tudo o resto é chinês Alfredo Lavrador