pressmedia logo

NÚMERO DE UTENTES A AGUARDAR CIRURGIA CARDÍACA DISPARA 40%. LISTA DE ESPERA PARA CIRURGIA ONCOLÓGICA TAMBÉM AUMENTA

Observador Online

2026-05-11 21:01:40

Número de cirurgias cardíacas e oncológicas realizadas estão em quebra e listas de espera aumentaram, revela a ERS. Na Cardiologia, 58% dos utentes esperavam para lá dos tempos recomendados. É um retrato negro da evolução do acesso ao SNS. O número de utentes a aguardar cirurgia cardíaca disparou cerca de 40% no final de 2025, enquanto a lista de espera para cirurgia oncológica também se avolumou, com um aumento de 9%, segundo dados divulgados esta segunda-feira pela Entidade Reguladora da Saúde (ERS). A situação é particularmente preocupante no caso das cirurgias cardíacas, uma vez que quase 60% dos utentes estavam à espera, no final de 2025, para lá do tempo clinicamente recomendado. Nas primeiras consultas, o cenário não é melhor: a lista de espera aumentou 17% face ao ano anterior (2024), com mais um milhão de utentes à espera. Ao Observador, o presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH), Xavier Barreto, considera “crítico e preocupante a situação nas áreas cardíacas e oncológicas”, lamentando que o SNS “continue a não ter capacidade para responder à procura”. De entre todas as listas de espera, a que registou um maior agravamento em 2025 foi a das cirurgias cardíacas: a 31 de dezembro último, 2.703 utentes aguardavam por uma operação deste tipo, mais 39,5% do que no final de 2024, segundo os dados da monitorização sobre os tempos de espera no Serviço Nacional de Saúde (SNS), da ERS. Do total, 58,6% estavam à espera já fora do tempo clinicamente recomendado - uma demora que, em muitos casos, pode levar à morte. Recorde-se que, entre 2021 e 2025, quase 330 doentes morreram à espera de cirurgia cardíaca, como admitiu, em abril, a secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, anunciado também que o Governo está a preparar uma revisão das redes de referenciação. No caso da Oncologia, 8.215 utentes aguardavam cirurgia programada nesta área, um aumento de 9% face a 2024. Destes, 21,2% dos quais esperavam para lá dos Tempos Máximos de Resposta Garantidos (TMRG). Em contraciclo, o número total de utentes a aguardar uma cirurgia programada ascendia, no final de 2025, a 189.444 utentes, uma ligeira diminuição (de 0,6%) em relação a 2024. Desses, 16,3% esperavam fora dos TMRG. O aumento das listas de espera para cirurgias está associado, não apenas ao aumento da procura pelo SNS, mas também à quebra na produção dos hospitais públicos. No caso das cirurgias cardíacas, foram realizadas 4.508 operações programadas nos hospitais públicos, uma diminuição de 4,9% face ao segundo semestre de 2024. Já na Oncologia, foram realizadas 34.771 cirurgias programadas entre julho e dezembro do ano passado, menos 3% face ao período homólogo de 2024. Quanto ao total de cirurgias programadas, foram feitas 283.878 operações no segundo semestre de 2025, menos 0,7% do que no período homólogo. Faltam cirurgiões e blocos operatórios nos hospitais, realçam administradores hospitalares No caso das cirurgias, Xavier Barreto considera que o aumento das listas de espera se deve essencialmente ao aumento da procura e também à falta de cirurgiões e de blocos operatórios nos hospitais públicos. “Não temos cardiologistas e cirurgiões oncológicos suficientes”, diz o presidente da APAH, salientando ainda que muitas unidades hospitalares do SNS se debatem com a falta de espaço para dar resposta ao número de cirurgias agendadas. “Há poucas salas cirúrgicas, e temos muito hospitais que estão a arrendar salas”, sublinha, dando o exemplo do Hospital de Barcelos, que, diz, tem apenas duas salas cirúrgicas, vendo-se obrigado a arrendar uma sala a um hospital privado em Braga. “É preciso investir mais em infraestrutura”, defende Xavier Barreto, lamentando que muitos dos investimentos do Plano de Recuperação e Resiliência nos hospitais estejam em risco de não se concretizarem, a poucos meses do final do prazo. Quanto às primeiras consultas, os dados da Entidade Reguladora da Saúde indicam que, a 31 de dezembro de 2025, havia 1.056.223 utentes em espera para primeira consulta (um aumento de 17%), dos quais cerca de 44% para lá dos Tempos Máximos de Resposta Garantidos. No final do segundo semestre de 2025, 28.234 utentes aguardavam primeira consulta de cardiologia, um aumento de 8,4% em relação a 2024, sendo que três quartos dos utentes (74,9%) aguardavam para lá do tempo máximo recomendado. Na área oncológica, a lista de espera para consulta registava, a 31 de dezembro, 8.874 utentes com suspeita ou confirmação de doença oncológica, 65,5% com espera superior aos TMRG (Tempos Máximos de Resposta Garantidos). No entanto, neste caso, a ERS não refere a evolução da lista de espera em relação a 2024. Ao contrário da quebra assistencial registadas nas cirurgias, o SNS aumentou o número de consultas realizadas no segundo semestre de 2025: foram realizadas 662.383 primeiras consultas de especialidade hospitalar , não incluindo consultas de Cardiologia, nem consultas com suspeita ou confirmação de doença oncológica ,, o que corresponde a um aumento de 1,4% na atividade face ao período homólogo de 2024. Na área oncológica, o SNS realizou 20.977 primeiras consultas, mais cerca de 3%. Uma evolução semelhante registou-se também nas cirurgias cardíacas. Para Xavier Barreto, uma das medidas que deveriam ser adotadas para aumentar a capacidade dos hospitais realizarem mais primeiras consultas de especialidade é a transferência de parte das consultas subsequentes para a esfera de responsabilidade dos enfermeiros, libertando os médicos para as primeiras consultas e para as consultas de seguimento onde seja imprescindível uma intervenção médica. “Temos de libertar doentes crónicos, com patologia leve e moderada, que podem ser acompanhados por outros profissionais, como os enfermeiros”, defende o presidente da APAH, lembrando que apenas 25% dos atendimentos são primeiras consultas. “Nas consultas subsequentes, há uma parte que precisa de ser feita por um médico e uma parte que não”, defende Xavier Barreto, que considera que os hospitais deveriam “identificar os doentes com base no risco”, libertando os médicos para as primeiras consultas. No caso das cirurgias, “se os hospitais passarem as consultas pós-cirúrgicas e subsequentes (feitas por cirurgiões), para os enfermeiros, isso também liberta horas de médicos para fazer cirurgias”, realça o responsável, defendendo que este é “um bom tema para ser analisado no âmbito do pacto para a saúde”. [Ao décimo dia em Nova Iorque dá-se o homicídio brutal. As últimas horas, o que aconteceu no quarto 3416 e a confissão de Renato sobre como matou Carlos Castro. O acesso aos ficheiros da investigação permite reconstituir toda a investigação ao crime. Ouça o quinto episódio de “Os ficheiros do caso Carlos Castro”, o novo Podcast Plus do Observador, narrado pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir também aqui o primeiro episódio, aqui o segundo, aqui o terceiro episódio e aqui o quarto episódio] Miguel Feraso Cabral [Additional Text]: Hospital Santa Maria, em Lisboa, 18 de maio de 2021. Após várias transformações para dar resposta a milhares de doentes com covid-19, o Hospital Santa Maria, em Lisboa, regressou à normalidade com corredores cheios de utentes para ir a uma consulta externa, fazer exames ou mesmo uma cirurgia. (ACOMPANHA TEXTO DO DIA 21 DE MAIO DE 2021) JOÃO RELVAS/LUSA Tiago Caeiro