SNS NO 2.º SEMESTRE DE 2025: TEMPOS DE ESPERA ULTRAPASSARAM LIMITES LEGAIS EM MILHARES DE CONSULTAS
2026-05-11 21:01:48

A situação mais grave continua a verificar-se na cardiologia. Os hospitais públicos realizaram 23.838 primeiras consultas de cardiologia, mas 86,4% ocorreram para além do prazo legal. No final de 2025, estavam em espera 28.234 utentes, sendo que 74,9% aguardavam há mais tempo do que o permitido. A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) divulgou uma nova monitorização aos tempos de espera no Serviço Nacional de Saúde (SNS), relativa ao segundo semestre de 2025, revelando que mais de metade das primeiras consultas hospitalares ultrapassaram os Tempos Máximos de Resposta Garantidos (TMRG). Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui Segundo a ERS, foram realizadas 383 mil primeiras consultas de especialidade hospitalar nos hospitais públicos, excluindo cardiologia e oncologia, o que representa um aumento de 1,4% face ao mesmo período de 2024. Ainda assim, 51,4% destas consultas excederam os tempos máximos legais, embora se tenha registado uma ligeira melhoria de 1,7 pontos percentuais em relação ao ano anterior. No final de dezembro de 2025, havia 1.056.223 utentes à espera de primeira consulta hospitalar, mais 17% do que em 2024, sendo que 43,7% aguardavam para além do prazo legalmente previsto. Na área da oncologia, os dados mostram que foram realizadas 20.977 primeiras consultas com suspeita ou confirmação de doença oncológica, mais 2,8% do que no período homólogo. Contudo, 57,5% ultrapassaram os TMRG. No final do semestre, 8.874 utentes continuavam à espera de consulta, dos quais 65,5% já tinham ultrapassado o tempo máximo previsto. A situação mais grave continua a verificar-se na cardiologia. Os hospitais públicos realizaram 23.838 primeiras consultas de cardiologia, mas 86,4% ocorreram para além do prazo legal. No final de 2025, estavam em espera 28.234 utentes, sendo que 74,9% aguardavam há mais tempo do que o permitido. Cirurgias: milhares de utentes continuam em lista de espera Relativamente às cirurgias programadas nos hospitais públicos, foram realizadas 283.878 intervenções cirúrgicas, excluindo oncologia e cardiologia, o que corresponde a uma diminuição de 0,7% da atividade. A ERS refere que 13,2% dos utentes foram operados para além do tempo máximo garantido. No final do ano, existiam 189.444 utentes inscritos para cirurgia, com 16,3% em incumprimento dos TMRG. Na oncologia, realizaram-se 34.771 cirurgias programadas, menos 3% do que em 2024. Ainda assim, 20,4% dos doentes esperaram acima do limite legal. A lista de espera atingia os 8.215 utentes, um aumento de 9%, dos quais 21,2% estavam fora do prazo legal. Já nas cirurgias cardíacas, a ERS assinala um agravamento significativo da lista de espera. Foram realizadas 4.508 cirurgias, menos 4,9% do que no ano anterior, e 32,8% dos doentes aguardaram além dos TMRG. Em dezembro de 2025, estavam em espera 2.703 utentes, mais 39,5% do que em 2024, sendo que 58,6% esperavam acima do tempo legalmente definido. Prestadores protocolados com menor incumprimento Nos prestadores protocolados, a taxa de incumprimento foi globalmente inferior. Nas cirurgias programadas não oncológicas nem cardíacas, foram realizadas 9.963 cirurgias, com um incumprimento de apenas 2,6% dos TMRG. Já nos hospitais de destino, através da utilização de nota de transferência ou vale cirurgia, realizaram-se 13.312 cirurgias programadas, mais 4,5% face a 2024. Contudo, 26,8% das cirurgias ultrapassaram os tempos máximos garantidos. A ERS reconhece ainda que persistem problemas na recolha de informação nos cuidados de saúde primários (CSP). Segundo o regulador, “mantém-se a dificuldade de obtenção de dados que permitam a aferição do incumprimento dos TMRG para os cuidados de saúde analisados, para todas as Unidades Locais de Saúde”. Olímpia Mairos