ROBÔ OU CIRURGIÃO NA CIRURGIA DA COLUNA?
2026-05-11 21:07:13

A ROBÓTICA NA CIRURGIA DA COLUNA SURGE COMO UMA NOVA REVOLUçãO. MAS A TECNOLOGIA NãO SUBSTITUI O MÉDICO. O CIRURGIãO CONTINUA A LIDERAR TODO O PROCESSO. AS DORES NAS COSTAS SãO uma das queixas mais comuns da população em geral. Para muitos, começam como um incómodo, mas pode tornar-se um problema sério, com impacto no trabalho, na vida familiar e na qualidade de vida. Em alguns casos, quando os tratamentos habituais deixam de resultar, a cirurgia à coluna pode ser necessária. A boa notícia é que esta área da Medicina está a mudar , e a mudar para melhor. Em Portugal, tal como noutros países, a cirurgia à coluna tem evoluído com um objetivo claro: reduzir riscos para o doente e melhorar os resultados clínicos. Os RISCOS Durante muitos anos, estas cirurgias foram associadas a procedimentos muito invasivos, recuperações longas e risco elevado de complicações. Mesmo com os avanços das últimas décadas, existe sempre um momento crítico: a precisão. Muitas cirurgias implicam a colocação de implantes para estabilizar a coluna, e pequenos desvios podem ter consequências significativas. Um implante mal posicionado pode provocar dor persistente, irritação ou lesão dos nervos, limitações na mobilidade e, em alguns casos, obrigar a uma nova cirurgia. Para o doente, isto significa mais sofrimento e mais tempo afastado da vida normal. Para o SNS, representa mais dias de internamento, mais tempo de bloco operatório, mais exames e mais custos. e um problema que afeta todos. A REVOLUçãO e neste contexto que a robótica na cirurgia da coluna surge como uma nova revolução. Mas a tecnologia não substitui o médico. 0 cirurgião continua a liderar todo o processo. A diferença é que passa a contar com um apoio que permite executar passos mais delicados com muito maior precisão. E quando a cirurgia é mais precisa, há menos erros, menos complicações e melhor recuperação. Menos complicações significam também menor risco de reoperações e menos ocupação de recursos hospitalares. Um doente que recupera mais depressa regressa mais cedo à sua autonomia, à vida familiar e ao trabalho, reduzindo o impacto social e económico da doença. A inovação, neste sentido, deixa de ser um luxo e passa a ser uma decisão racional. A FORMAçãO Naturalmente, a tecnologia por si só não chega. e essencial investir em equipas bem formadas, com treino contínuo e partilha de boas práticas, em que o doente deve estar no centro das decisões, com acesso a informação clara sobre as opções disponíveis. Iniciativas como a campanha wOlhe Pelas Suas Costas” ajudam a promover a prevenção, o diagnóstico precoce e escolhas mais informadas. Tratar bem da sua coluna é a medida profilática mais importante. Apostar na inovação é apostar em mais qualidade de vida e um SNS mais eficiente. e, acima de tudo, apostar num futuro onde tratar melhor também significa gastar melhor. Diretor de Serviço do Serviço de Ortopedia e Traumatologia do Hospital de São João DR. ANTÓNIO FRANCISCO MARTINGO SERDOURA