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ENTREVISTAS - ENTREVISTÁMOS OS GAIENSES DANIEL FONTOURA, ANIMADOR DA RFM, E ANDRÉ FERREIRA, GUARDA-REDES DO MOREIRENSE

Gaiense (O)

2026-05-11 21:09:09

Daniel Fontoura Animador da RFM II A capacidade de trabalho do Norte não é um mito" » Natural de Gaia e voz bem conhecida da rádio, Daniel Fontoura vive entre três grandes paixões: a música, o microfone e o FO Porto. Há 3 anos, juntou-se uma nova prioridade à equação: a pequena Olívia. Rádio, música e Futebol Clube do Porto. e possível colocar estes três amores por ordem? Acho que não. e como escolher fiIhos. Está tudo no mesmo patamar, com o mesmo grau de importância. Se calhar a música e o Porto entraram primeiro, e a rádio veio depois. à música porque a minha mãe sempre cantou, os meus tios também, e sempre houve esse ambiente em casa. Eu cresci com isso. E o futebol, no caso do Porto, também muito por influência familiar. Está tudo ligado. Para mim é mesmo indissociável a música do Porto por causa disso. A rádio apareceu mais tarde, então? Sim, aos 19 anos. Fiz um casting para a Megahits, aqui no Porto, e entrei. Comecei a fazer rádio e nunca mais parei. Este ano faço 25 anos. Foi uma coisa que surgiu e que acabou por definir o meu percurso. Hoje fazer rádio é muito diferente do que era quando começaste ? e diferente em quase tudo. Desde logo na preparação. Antigamente eu tinha de comprar jornais para saber o que se passava no mundo. Levava cinco ou seis jornais todos os dias e era ali que fazia as minhas pesquisas. A internet ainda não tinha a quantidade de informação que tem hoje. Agora, a 30 segundos de entrar no ar, consigo ir à página de um artista, ver o que ele acabou de publicar e falar disso imediatamente. A nível de informação, isso é ótimo. Depois há outra diferença importante: hoje há sempre uma cara associada. Antigamente havia aquele imaginário “como será esta pessoa da rádio?". Hoje basta ir a uma rede social e perceber tudo. Para nós isso também é bom, porque permite levar o trabalho para outras plataformas e dar-Ihe outra dimensão. Antes, podias estar dois dias a preparar um conteúdo , uma entrevista, uma peça especial , e aquilo ia para o ar uma ou duas vezes e morria ali. Hoje esse conteúdo continua a viver nas redes, na internet, prolonga-se no tempo e ganha mais valor. Claro que isso também nos obriga a pensar na imagem, no vídeo, em coisas que antes não eram tão relevantes, mas sinceramente acho que há muito mais coisas positivas do que negativas. Saíste de Gaia em 2010, mas essa ligação mantém-se muito presente? Muito. Tenho tudo de Gaia e do Porto em mim. Sempre. é verdade que também tenho um bocadinho de Lisboa , já lá estou há muitos anos, a minha filha nasceu lá, reencontrei lá a minha mulher , mas continuo muito ligado a Gaia. Os meus pais vivem cá, tenho muitos amigos cá, e ainda vou ao dentista a Gaia. São coisas que ficam. Há ligações que são mesmo umbilicais e que vão ficar para o resto da vida. Eu sigo O Gaiense, gosto de estar informado sobre o que se passa em Gaia, porque ainda falo disso com os meus amigos e com os meus pais. E com o Porto também tenho uma ligação muito forte, não só por causa do Futebol Clube do Porto, mas pela cidade. Tenho Cà amigos, venho muitas vezes trabalhar ao Porto, e sempre que posso arranjo desculpas para vir cá. Nem que seja para manter o contacto... e comer uma francesinha. Entre a rádio e o palco, onde te sentes mais confortável? São coisas diferentes, mas complementares. Talvez hoje em dia não cante tanto quanto gostaria, mas continua a ser uma forma de comunicar com as pessoas. Seja num estúdio ou num palco, estás sempre a usar o microfone para chegar aos outros. Ainda vamos tendo eventos e outras coisas fora da rádio que permitem esse lado mais de palco, e isso é sempre muito divertido. Conseguias imaginar-te a fazer outra coisa? Sim, acho que sim. Não sou daqueles que dizem que não se veem a fazer mais nada. Acho que conseguiria adaptar-me. Agora, também sei que é aqui que me divirto mais e onde me sinto mais realizado, tanto a nível pessoal como profissional. Mas estou aberto , se amanhã tiver de fazer outra coisa, acho que consigo. A paternidade trouxe mudanças grandes? Sem dúvida. A minha filha tem três anos e todos os dias são diferentes. Há sempre novos desafios. Começas a pensar muito mais no futuro, no mundo que ela vai encontrar, em como as coisas vão ser quando ela crescer. Nós somos uma geração que se habituou a adaptar-se , à internet, aos telemóveis, ao euro portanto isso ajuda. Mas há coisas que mudam mesmo. Essa ideia de "agora não posso morrer” passa-te pela cabeça, claro. Tens alguém que depende de ti e isso muda completamente a forma como pensas. Antes decidias coisas de um momento para o outro , férias, planos, o que fosse. Agora já não é assim. Há outras prioridades. Mas ao mesmo tempo é espetacular. é um desafio novo, muito bom, e dá-te uma perspetiva completamente diferente da vida. Ela já está encaminhada para ser do Futebol Clube do Porto? Está completamente encaminhada (risos). A primeira roupa que vestiu foi do Porto. Eu vim ao museu aqui comprar o primeiro babygrow dela. E há uma história engraçada: ela nasceu na Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, e as duas enfermeiras que estavam de serviço eram portistas uma delas de Gaia. A que ficou com a minha filha era de Gaia e até tinha uma ligação semeIhante à minha. Elas pegaram nela e foram mostrá-la às colegas por causa da roupa do Porto. Isto tudo aconteceu sem ser combinado. Por isso, eu digo sempre que só pode ser um sinal. Ela já é sócia desde que nasceu, portanto acho que não há muito a fazer (risos). Como vês as novas gerações a entrar no mundo do trabalho? Vamos Vamos tendo tendo contacto contacto com com esta-estagiários giários e e com com pessoas pessoas mais mais novas, novas, e e noto noto algumas algumas diferenças. diferenças. Acho Acho que que às vezes há menos capacidade para lidar com o falhanço e menos resiliência do que a nossa geração tinha. Também cresceram com muito mais coisas disponíveis e isso não é necessariamente mau , mas às vezes faz com que não valorizem tanto. Dou muitas vezes O exemplo dos concertos. Antigamente havia um ou dois grandes concertos por ano em Portugal, eram acontecimentos únicos. As bandas quase não vinham cá. Hoje tens festivais por todo o lado e os artistas passam cá regularmente. Isso faz com que se valorize menos aquele momento. Antes estavas horas na fila, querias um bom lugar, vivias aquilo intensamente. Hoje há mais distrações, há telemóveis, há a ideia de que podes ver outra vez daqui a pouco tempo. A facilidade de viajar também mudou tudo. Ir a Espanha, a Londres, aos Estados Unidos tudo isso está mais acessível. E às vezes sinto que essa abundância tira um bocadinho o valor das coisas. Acho que as novas gerações podiam valorizar mais aquilo que têm. Respeito, empatia e resiliência na hierarquia de valores Que valores queres transmitir à pequena Olívia? Para mim, o respeito é fundamental. Ea empatia também, que hoje se fala muito e bem. Aliás, acho que as novas gerações até já têm isso mais presente do que nós tínhamos. Mas quero muito passar-lhe a capacidade de trabalho, a resiliência, o não desistir. Dar tudo naquilo que está a fazer, mesmo que no fim não corra como esperava, mas ficar orgulhosa do esforço. E depois há aquela identidade do Norte, do Porto , a capacidade de trabalho, de ir em frente, de não se deixar abater. “Esta coisa de nós sermos aqui do Norte, da capacidade de trabalho e de irmos em frente não é um mito”. Senti isso quando fui para Lisboa. Há uma diferença de atitude. às vezes há quem pergunte “mas vais fazer isso agora? Isso dá muito trabalho..". Dá, mas vai ficar bem feito. Essa mentalidade de dar tudo, de fazer bem, é algo que eu e a mãe vamos fazer questão de Ihe passar. Que ela não se acomode. André Ferreira Começou no Vilanovense, foi campeão em Espanha, e hoje é guarda-redes no Moreirense "Esta é a melhor profissão do Mundo” Johnny Lino » Aos 29 anos, André Ferreira é dono e senhor da baliza do Moreirense, na | Liga portuguesa. ? guarda-redes, que começou a jogar futebol no Vilanovense, construiu uma carreira a pulso, que passou também por Espanha, onde conquistou o título de campeão nacional da Il Liga, pelo Granada. Como é que surgiu a paixão pelo futebol e pela baliza? Desde miúdo que sempre gostei de me atirar para o chão. Cheguei a partir alguns sofás à minha mãe (risos), que me lembra sempre destas histórias. Acabei por ir a um treino e o treinador, na altura, disse que tinha jeito e deveria continuar. Então nunca houve a influência de algum familiar? Toda a minha família gosta de desporto, do futebol em particular. Na nossa idade, crescíamos a jogar futebol na rua, ou na escola, e foi natural. Começou no Vilanovense e a formação foi em clubes como Boavista, Pasteleira, Nogueirense, até chegar ao Benfica. Como olha para o seu trajeto? e um trajeto do qual me orgulho, porque passei por todas as realidades, e foi algo que me preparou para o futebol profissional. Comecei no Vilanovense, um clube humilde, mas que tem muita história em Gaia. Depois faço um jogo contra o Boavista, e eles ficaram de olho em mim. Transferi-me no final dessa época e passei anos muito bons, tanto no Boavista como no Pasteleira, porque quando estávamos no primeiro ano de um escalão, jogávamos no Pasteleira. Lembro-me de irmos a torneios fora do país, fomos à França muitas vezes. Desde muito pequeno, que me liguei muito ao treino e a tentar melhorar a cada dia. Adorava treinar! Quando jogava nesses escalões, provavelmente, as pessoas não pensariam em mim como jogador profissional, pois teria colegas com mais qualidade, mas acho que pelo meu esforço, e preserverança, consegui atingir os meus objetivos. Chega ao Benfica nos Sub-17. Como surge o interesse e como foi evoluir num grande do futebol português? Fiz um estágio no Benfica, e lembro perfeitamente deles dizerem que queriam que eu ficasse. Disseram-me, "olha, durante seis meses vamos melhorar algumas coisas técnicas", porque eu vinha de uma realidade completamente diferente. E recordo-me que ao final de duas semanas comecei a jogar. Iniciei a época no distrital do Porto, e acabei esse ano como campeão nacional de sub-17 (risos). Como é que a família encarou a mudança? Vivia com a minha mãe e os meus irmãos e não foi fácil. Apesar de ter 16 anos na altura, foi a minha primeira experiência fora de casa. Eles tentaram sempre estar muito presentes, iam ver os meus jogos, eu sempre que tinha folga tentava vir a casa. Tive saudades, mas foi para perseguir um sonho, e quando assim é, as coisas tornam-se mais fáceis. Ño Benfica, trabalhou com Jan Oblak. Como foi trabalhar com esta referência? é sempre um motivo de orgulho porque eu era um miúdo, estava habituado a ver grandes jogadores pela televisão, e de repente estava a treinar com eles. Houve uma fase em que trabalhei muitas vezes com a equipa principal, fui a estágios da Champions League e estive na celebração de um título com a equipa principal. São momentos que marcam porque é o máximo que se pode esperar no futebol. àcabei por não me conseguir afirmar, mas levo recordações excelentes. Ficou alguma mágoa por não chegar à equipa principal? Não. Trabalhei com excelentes profissionais, tenho muitos amigos desse tempo, e é um clube que me lançou para o futebol profissional. só tenho que agradecer. Jogou em Espanha, no Granada e Valladolid. Como foi essa experiência? Foi muito boa, pois tenho duas subidas de divisão. Ño primeiro ano o sentimento foi um pouco agridoce, pois tive a minha primeira, e única, lesão grave e não joguei com tanta regularidade. Mas depois ganhei a titularidade e subimos de divisão. Foi um momento muito marcante. Depois tenho vários jogos na Primeira Liga espanhola, que para mim é o topo do futebol. é um privilégio jogar nesses contextos. Representa o Moreirense, um clube consolidado na | Liga. Qual é a visão do clube? é um clube que está em crescimento, mas ao mesmo tempo consegue ser um clube familiar, de gente trabalhadora e humilde. é um clube com o qual me identifico, porque são valores que também partilho e que vou passar a alguns dos jogadores mais jovens que temos no plantel. O meu papel aqui também é um pouco esse, passar os valores e, apesar de estar aqui há pouco tempo, identifico-me com esta casa. o clube está a construir um projeto sólido. Até onde pode ir? O Moreirense pretende estabilizar e lutar por lugares do meio da tabela para cima. Também está a desenvolver um projeto de formação, com a aposta na equipa de Sub-23, que vai ser muito importante para dar esse crescimento aos nossos escalões de formação. Está a construir a Cidade Desportiva aqui ao lado e, passo a passo, acho que é um clube que está a olhar para o futuro, que quer crescer e sinto-me parte também desse processo e estou muito feliz por fazer parte dele. Que mensagem quer deixar a quem está a pensar dar os primeiros passos no futebol? Não é um mundo fácil. Temos que fazer alguns sacrifícios e, às vezes, quem não está disposto a isso tem dificuldades, porque é um mundo onde temos que ser focados. Desde que acordamos até nos deitarmos, temos que respirar futebol, ver outros jogos, pensar no futebol, cuidar de nós fora do campo, mas depois é também a melhor profissão do mundo. Acreditar em si, nos seus sonhos, mesmo nos momentos mais difíceis, em que talvez não estejam a ser opção, porque eu também já passei por momentos desses, continuar a trabalhar, continuar a melhorar, porque um dia as oportunidades surgem e é importante estar preparado para elas. Porto campeão: ouro sobre azul Ouro sobre (literalmente) azul, o Futebol Clube do Porto sagrou-se campeão nacional, conquistando O 31.0 título da sua história. Daniel Fontoura destacou o mérito da equipa portista ao longo da temporada. "Fiquei muito feliz, é o primeiro campeonato que a minha filha pode festejar. Foi uma vitória muito merecida da equipa que esteve mais tempo na frente do campeonato, que foi mais regular e que melhor se preparou, conseguindo gerin melhor todos os condicionamentos, altos e baixos que uma época tem. Foi igualmente fruto do trabalho da atual direção nestes dois anos”. "AOS 19 anos comecei a fazer rádio e nunca mais parei” 11 Sempre fui muito ligado ao treino. Adorava treinar!” André Ferreira Guarda-redes do Moreirense Aos 16 anos, mudou-se de armas e bagagens para Lisboa, onde representou ? Benfica Há algum duelo em Espanha que esteja marcado na memória? Os jogos contra os grandes correram-me sempre bem. Eles atacavam tanto que o guarda-redes estava sempre em evidência (risos). Lembro-me que joguei contra O Lamine Yamal, na estreia dele pelo Barcelona, quando eu estava no Granada. Empatámos o jogo 2-2. Joguei também contra O João Félix, quando ele estava no Barcelona. No Real Madrid, quem mais me impressionou foi o Bellingham e O Arda Gúler, e no Atlético de Madrid, se calhar, o Julián àlvarez. são grandes ambientes, grandes jogadores, e são recordações que vou guardar para sempre. Bellingham foi o jogador que mais impressionou o guardião Esteve na Gala O Melhor Treinador.com que ideia ficou do evento? Foi a primeira vez, mas já acompanhei outras edições. é uma gala com muito prestígio para Vila Nova de Gaia e para o futebol, porque é um evento que premeia o futebol de raiz, com pessoas que, muitas vezes, trabalham e fazem do futebol uma paixão, pois saem do trabalho cansadas e ainda vão treinar. é muito justo, e muito bonito, conseguirem juntar profissionais de futebol, treinadores, jogadores portugueses, jogadores estrangeiros e juntá-los todos ali com estas pessoas, podendo também dar-Ihes esse prémio, esse reconhecimento. é muito positivo. André Ferreira entregou o prémio a Emanuel Lino Em Espanha, travou duelos com Bellingham ou Lamine Yamal Susana Marvão