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TRAVAR A DPOC, A PRÓXIMA EXACERBAÇÃO NÃO AVISA

Jornal Saúde Online

2026-05-12 21:05:58

A doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), patologia frequentemente subdiagnosticada, continua a desafiar médicos e doentes em Portugal. Num simpósio promovido pela Tecnimede, duas médicas, uma de Medicina Geral e Familiar e outra de Pneumologia, sublinharam a importância de detetar precocemente os sintomas, adotar uma gestão proativa e garantir a técnica correta na administração dos fármacos inalatórios, enquanto uma assistente virtual destacou o potencial de identificar exacerbações antes que surjam sinais evidentes. osimpósio “Travar a DPOC, a próxima exacerbação não avisa” reuniu os profissionais de saúde presentes nas VIII Jornadas Multidisciplinares de Medicina Geral e Familiar, que se realizaram no Porto, de 19 a 21 de março, para discutir estratégias de combate a uma patologia que, apesar de ser a terceira causa de morte em Portugal, permanece subdiagnosticada. Maria João Barbosa, especialista em Medicina Geral e Familiar, recordou que a doença “é frequente, mas subdiagnosticada; é progressiva, mas potencialmente modificável, com grande impacto na qualidade de vida". Mafalda Van Zeller, pneumologista, acrescentou que a DPOC não se limita aos fumadores, lembrando que fatores como poluição, exposição à biomassa, infeções respiratórias na infância e genética contribuem para o desenvolvimento da doença. “Nos países em desenvolvimento, acredita-se que mais de 85% da DPOC não está associada ao tabaCO. ê fundamental afastar a ideia de que apenas os fumadores devem ser avaliados”, salientou. Durante a inovadora sessão, com participação de uma assistente virtual, a lara, foi enfatizado que a espirometria não deve ser reservada apenas a fumadores. Maria João Barbosa explicou: “Devemos contemplar a espirometria em todas as pessoas com sintomas respiratórios crónicos, tosse, dispneia ou expetoração, e naquelas com fatores de risco identificáveis". De seguida, Mafalda Van Zeller reforçou a necessidade de identificar precocemente os doentes mais vulneráveis: “A DPOC manifesta-se de forma insidiosa; os doentes muitas vezes não valorizam os sintomas e nós não somos proativos na sua identificação." Tolerância zero ãs exacerbações. Entre os tópicos abordados, as novas recomendações da GOLD 2026 mereceram destaque, com a introdução da política de “tolerância zero” às exacerbações. Segundo as oradoras, cada episódio deve ser considerado relevante para ajustar a terapêutica. “Mesmo uma exacerbação moderada aumenta significativamente o risco de mortalidade e eventos cardiovasculares no ano seguinte. Cada intervenção conta”, salientou Mafalda Van Zeller. Outro ponto central foi a técnica inalatória, frequentemente negligenciada. Maria João Barbosa sublinhou que “com um excelente fármaco e má técnica, não há bom tratamento. Ensinar, rever e garantir a correta execução são passos essenciais em cada consulta”. Tal como referiu, a escolha do dispositivo deve ser individualizada, tendo em conta a capacidade respiratória do doente, coordenação e preferência, e o fluxo inspiratório adequado é determinante para a deposição pulmonar e eficácia terapêutica. As oradoras deram ainda destaque à tecnologia Aerosphere, que permite uma deposição mais uniforme ao longo das vias respiratórias, atingindo as pequenas vias aéreas terminais. “Um fármaco bem depositado tem maior eficácia, prevenindo o declínio da função pulmonar”, explicou Maria João Barbosa. No plano da gestão não farmacológica, Mafalda Van Zeller destacou a importância da cessação tabágica, promoção de atividade física, programas de reabilitação respiratória e vacinação. “Diagnóstico precoce, proatividade terapêutica e técnica correta são os três pilares para travar a progressão da doença”, resumiu. A assistente virtual lara, interagindo com as médicas, trouxe uma perspetiva inovadora, alertando que a DPOC pode passar despercebida, mesmo com sintomas discretos. Apesar de virtual, a presença de lara ajudou a sublinhar a necessidade de ferramentas de rastreio e monitorização contínua para antecipar exacerbações. No final, as especialistas concordaram que o futuro da DPOC em Portugal depende da capacidade dos médicos de Medicina Geral e Familiar em suspeitar precocemente, diagnosticar corretamente e intervir de forma proativa. Como concluiu Maria João Barbosa: “Se investirmos na deteção precoce e na gestão terapêutica adequada, não só melhoramos a saúde dos doentes, como reduzimos a complexidade e comorbilidades associadas” o simpósio da Tecnimede deixou claro que cada exacerbação conta e que a integração de evidência científica, tecnologia e prática clínica diária é essencial para transformar o prognóstico da DPOC em Portugal. © Durante a inovadora sessão, com participação de uma assistente virtual, a lara, foi enfatizado que a espirometria não deve ser reservada apenas a fumadores.