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DGS DIVULGA ORIENTAÇÃO SOBRE HANTAVÍRUS (E DESCARTA PERIGO PARA PORTUGAL)

Notícias ao Minuto Online

2026-05-12 21:06:09

A Direção-Geral da Saúde (DGS) emitiu uma orientação para profissionais de saúde sobre a gestão de contactos ligados ao surto de hantavírus no navio MV Hondius. Sublinham ainda que o risco para Portugal mantém-se "muito baixo" e não há necessidade de medidas preventivas para a população em geral. A Direção-Geral da Saúde (DGS) divulgou, esta segunda-feira, uma orientação para profissionais de saúde sobre "procedimentos para gestão de contactos" no âmbito do surto de hantavírus no navio de cruzeiro MV Hondius. Segundo a DGS, a orientação, que "enquadra as medidas a adotar, pelos profissionais de saúde português, para gestão de eventuais contactos", surgiu da "necessidade de definir procedimentos a adotar" na "eventual possibilidade de darem entrada em Portugal indivíduos que foram contactos de casos com relação ao surto de hantavírus". No entanto, a DGS garantiu que esta orientação não surge de uma mudança da avaliação do risco de hantavírus para Portugal, frisando que "não existe qualquer alteração da avaliação do risco". "O risco para Portugal mantém-se muito baixo, pelo que não há medidas preventivas a implementar a nível nacional para a população", garantiu, numa publicação nas redes sociais. De acordo com a orientação publicada, um caso suspeito é "qualquer pessoa que tenha partilhado ou visitado um meio de transporte (por exemplo, barco ou avião) onde tenha havido um caso confirmado ou provável de infeção por hantavírus (ANDV)", ou "qualquer pessoa que tenha estado em contacto com um passageiro ou membro da tripulação do MV Hondius" e tenha febre aguda ou histórico de febre e um dos seguintes sintomas: dores musculares, calafrios, dor de cabeça, sintomas gastrointestinais (por exemplo, náuseas, vómitos, diarreia, dor abdominal) ou sintomas respiratórios (por exemplo, tosse, falta de ar, dor no peito, dificuldade em respirar). Um caso provável é "uma pessoa com sinais e sintomas (como referidos no caso suspeito) e uma ligação epidemiológica conhecida com um caso confirmado ou provável de infeção por hantavírus Andes", enquanto um caso confirmado é "um caso suspeito ou provável com deteção de ácidos nucleicos de ANDV por RT-PCR em amostra biológica ou testes serológicos ou isolamento de hantavírus Andes a partir de uma amostra biológica". A DGS definiu como um contacto uma "pessoa que tenha estado exposta a um caso confirmado ou provável de hantavírus Andes em período de transmissibilidade (desde dois dias antes do aparecimento de sinais e sintomas até ausência de sintomas) através de interações que envolvam a exposição a secreções respiratórias, saliva, sangue ou outros fluidos corporais". A DGS publicou no seu site uma Orientação sobre #Hantavírus, para profissionais do sistema de saúde. Esta Orientação define procedimentos a adotar, se derem entrada em Portugal indivíduos que foram contactos de casos com relação ao surto de Hantavírus cruzeiro MV Hondius. pic.twitter.com/l0e3IxaKuq - DGS (@DGSaude) May 11, 2026 Na orientação, a DGS definiu como contactos de alto-risco "todas as pessoas a bordo do navio de cruzeiro, com exceção dos especialistas em saúde pública que embarcaram em Cabo Verde no dia 6 de maio" e indivíduos expostos a um caso provável ou a um caso confirmado. A exposição a um caso provável ou confirmado inclui pessoas que partilham o mesmo quarto; parceiros íntimos ou indivíduos com contacto físico direto; pessoas que partilham uma casa de banho ou um espaço para dormir; indivíduos que se encontrem a uma distância até dois metros durante períodos prolongados ( 15 minutos cumulativos), num espaço confinado; pessoas partilhando refeições, interações sociais prolongadas, prestadores de cuidados médicos ou cuidados assistenciais; profissionais de saúde com exposição desprotegida a um caso confirmado ou suspeito; indivíduos expostos durante procedimentos médicos sem EPI adequado; passageiros de avião sentados na mesma fila e num raio de duas filas em todas as direções em relação ao caso, num voo longo 6 horas; tripulação de cabina ou pessoal de transporte com interações próximas repetidas com um caso confirmado ou pessoa sintomática e pessoas que manuseiam roupa de cama, vestuário, resíduos médicos ou fluidos corporais contaminados sem EPI adequado. Já os contactos de baixo risco são as pessoas sem contacto direto ou prolongado conhecido com um caso provável ou confirmado, incluindo: passageiros de aeronaves fora da zona de proximidade definida (fila e duas filas à frente e duas filas atrás); contactos casuais e breves em trânsito (aeroportos), e em portos; pessoas que partilham grandes espaços ao ar livre sem interação prolongada e profissionais de saúde e outros funcionários que utilizem EPI adequado durante toda a exposição. A orientação da DGS, realizada de acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC), refere ainda que o INEM deve ser ativado para "garantir o transporte do caso suspeito desde o local onde estiver até ao hospital de referência". Os hospitais de referência são a Unidade Local de Saúde (ULS) São José (hospital Curry Cabral para doentes em idade adulta e hospital Dona Estefânia para doentes em idade pediátrica) e a ULS São João (doentes de idade adulta e pediátrica). Foram confirmados até agora, pela OMS e pelo ECDC sete casos de infeção com hantavírus em pessoas que viajaram no cruzeiro "MV Hondius", que saiu do sul da Argentina no início de abril. Três pessoas morreram e existem ainda outros casos suspeitos ou prováveis. O hantavírus transmite-se geralmente a partir de roedores infetados. A variante detetada no paquete, o hantavírus Andes, é rara e pode transmitir-se de pessoa para pessoa. Os sintomas da infeção são, inicialmente, semelhantes aos da gripe, como tosse, fadiga ou dores de cabeça e musculares. A OMS garantiu que o risco deste surto para a população em geral é baixo. Márcia Guímaro Rodrigues