PRIMEIRO TESTE - DENZA Z9 GT: O PORSCHE DA BYD
2026-05-12 21:06:16

Denza Z9 GT Denza é a marca de prestígio da BYD, existe há 15 anos na China e chega no final deste ano à Europa. O Z9 GT será o primeiro de uma gama que inclui vários SUV. Trata-se de uma “shooting brake” parecida a um Panamera Sport Turismo. Francisco Mota já fez o Primeiro Teste TARGA 67 e diz se os 1000 cv do Z9 GT são suficientes. ConteúdosTeste em pistaDireção às 4 rodasInterior luxuosoDetalhes a mudarAs “habilidades”PHEV e BEVConclusão “Sim, o Z9 GT terá 1000 cv” disse Stela Li, a carismática vice-presidente executiva da BYD, grupo proprietário da Denza, ”a primeira marca premium de NEV [New Energy Vehicles, que junta os 100% elétricos aos PHEV] e que vai cobrir todos os segmentos”. Foi durante a apresentação da marca e do seu modelo de topo à imprensa europeia, que os mais altos quadros da BYD falaram com detalhe dos dois assuntos. O assunto de que não falaram foi o posicionamento de preço do Z9 GT, mas considerando os mais de cinco metros de comprimento, formato e prestações, torna-se claro que o Panamera Sport Turismo é o modelo que a Denza tomou como alvo. Teste em pista Do que a marca também não falou foram as características técnicas do Z9 GT. Apesar do modelo estar à venda no mercado chinês, os responsáveis presentes afirmaram que as especificações da versão destinada à Europa ainda não estavam definidas, a não ser a potência máxima, aparentemente. Também por isso, este foi um primeiro contacto dinâmico fora do normal, sem autorização para conduzir o Z9 GT em estrada. Apenas foi possível testar a aceleração máxima numa reta de uma pista de testes, fazer uma ligeira curva de alta velocidade desenhada com cones, as duas curvas nos extremos da reta e depois fazer um teste à travagem automática contra uma maqueta de um carro. O sistema de travagem funcionou perfeitamente, imobilizando o Z9 GT a cerca de um metro do obstáculo, a partir de uma velocidade estabilizada de 50 km/h, sem intervenção do condutor. As rodas de trás variam o ângulo de convergência para aumentar a estabilidade. Quanto ao poder de aceleração, claro que impressionou, apesar de o teste ter sido feito com uma versão PHEV, o valor 0-100 km/h anunciado é de 3,6 segundos. Uma versão 100% elétrica, também estará disponível, capaz de fazer os 0-100 km/h m 3,4 segundos. Direção às 4 rodas Da brevíssima experiência de condução, o que mais intrigou foi a direção às rodas de trás que, ao contrário de sistemas idênticos que se ficam por uma rotação de 2,5 graus a baixa velocidade, no sentido contrário ao das da frente, aqui chega a uns desconcertantes 10 graus. Verdade seja dita que, aproveitando uma das curvas mais fechadas e usando o modo de condução Sport+, o Z9 GT ensaiou uma deriva de traseira ao melhor estilo de um bom tração traseira, apesar de ter tração às quatro rodas. Outras impressões registadas foram a boa insonorização, guiando perto dos 200 km/h, a que se chegava no final da reta e o conforto da suspensão, testado num troço com piso irregular do complexo de testes. O volante e a direção das rodas da frente pareceram muito bem coordenados com a direção de trás, mostrando grande estabilidade na curva de alta velocidade, quando a viragem das rodas de trás fica entre os 3 e 5 graus, no sentido das da frente. Nas zonas de travagem era bem sensível o peso, mas o pedal de travão é fácil de dosear e a passagem do modo elétrico para o híbrido é suave, apesar de o motor de quatro cilindros ter um som vulgar. Tal como em todos os BYD, também neste Denza a intensidade da regeneração em desaceleração é baixa. Estes foram os aspetos que se puderam confirmar em termos dinâmicos. Interior luxuoso Quanto ao habitáculo, quando se entra no banco do condutor e se pressiona o pedal do travão, a porta fecha sozinha. Este é apenas um dos mais simples “gadgets” com os quais o Z9 GT está equipado. O habitáculo é feito de materiais que aparentam alta qualidade e não falta espaço, sobretudo na segunda fila, com imenso comprimento para as pernas, mas o piso é alto e deixa as coxas mal apoiadas. A largura é suficiente para três, apesar de o banco estar desenhado para dois, com um frigorífico para garrafas atrás das costas do lugar do meio, há outro no apoio de braços dianteiro. A mala tem acesso através de uma quinta porta, mas o volume não foi comunicado. A posição de condução é relativamente baixa, com todo o tipo de ajustes no banco e um volante bem posicionado com teclas físicas e boa pega. O painel de instrumentos digital é de fácil leitura e está integrado numa faixa negra que atravessa todo o tablier, incluindo um ecrã tátil também para o passageiro. Mas o ecrã tátil central de 17,3”, bem destacado, pareceu ter uma organização pouco intuitiva. Nele se pode escolher os modos de condução e níveis individuais da resposta do acelerador, assistência da direção, intensidade da regeneração e modo da suspensão pneumática. Detalhes a mudar Na consola está o punho da transmissão, com um acabamento que lembra o cristal e vários botões físicos com aspeto idêntico, que funcionam como atalhos. No entanto, este grupo deverá sair daqui na versão europeia, com a transmissão a ser controlada através de uma haste na coluna de direção e os botões recolocados sob o ecrã central. Grande parte deste evento foi preenchida com os técnicos da marca a demonstrarem as habilidades do Denza Z9 GT, só possíveis por terem levado ao limite o tema da direção atrás, um trabalho que levou três anos. O mais óbvio foi a redução do raio de viragem, obtida através da rotação das rodas traseiras na direção oposta às da frente e ficando-se pelos 9,2 metros. Depois, uma manobra de estacionamento pouco convencional: o condutor entra de frente num espaço com apenas mais 11 cm do que o comprimento do carro e a seguir a roda da frente do lado do passeio é travada, deixando a outra livre. A partir daqui, a direção às rodas traseiras vira-as em sentidos opostos e os dois motores elétricos fazem-nas rodar também em sentidos opostos, levando a traseira a entrar no lugar de estacionamento. O efeito é invulgar, pontuado pelo cheiro a borracha queimada que fica no ar, pelo arrasto dos pneus de trás. As “habilidades” A terceira experiência foi uma inversão de marcha feita seguindo o mesmo princípio, ou seja, desenhando um círculo perfeito no asfalto. A experiência seguinte foi aquilo que a marca chamou de andar de lado como o caranguejo, com as quatro rodas viradas num máximo de 15 graus para o mesmo lado, o que, segundo a marca, pode ser útil numa mudança de faixa a baixa velocidade. Se todas estas habilidades pareceram um pouco fúteis, já a última experiência evidenciou clara utilidade. Colocando o Z9 GT a 180 km/h na reta, um sistema laboratorial esvaziava o pneu dianteiro esquerdo, simulando um rebentamento do pneu. A direção às quatro rodas e os três motores elétricos, intervêm para manter o carro na sua faixa permitindo ao condutor imobilizá-lo em segurança. Ao vivo, esta demonstração é bastante impressionante. Apesar de a Denza não ter ainda as especificações da versão europeia definidas, dizendo só que vai mudar a calibração da suspensão, do grupo motriz, da direção e travões, sempre adiantou que o Z9 GT é feito sobre uma plataforma única da Denza e chamada “E3”, uma base preparada para receber as duas versões, a 100% elétrica e a PHEV. Tem suspensão independente às quatro rodas, com braços sobrepostos, na frente e multi-braço, atrás além de molas de ar e amortecedores adaptativos. Utiliza o princípio de integração da caixa da bateria sob o habitáculo, a “cell-to-body” conhecida da BYD. Esta versão PHEV que experimentei em Itália é uma versão do mercado chinês, mas não se espera que as características da versão europeia mudem muito. PHEV e BEV A designação oficial deverá ser Z9 GT DM-i, como noutros Plug-in do grupo. Tem um motor a gasolina de quatro cilindros e 2.0 litros, turbo e funciona a ciclo Miller, debitando 207 cv. Acrescenta três motores elétricos, um no eixo da frente com 272 cv e dois atrás, com 299 cv cada, perfazendo cerca de 900 cv. A bateria segue o princípio “blade battery”, funciona a 800 Volt e tem 38,5 KWh de capacidade, com uma autonomia anunciada em modo elétrico de 170 km. O peso total é de 2740 kg e atinge os 230 km/h. A versão 100% elétrica tem um motor elétrico dianteiro de 313 cv e dois atrás, com 326 cv cada, para um total de 965 cv. A bateria é LFP de 100 KWh, recarregável até 270 KW, com autonomia estimada de 550 Km em ciclo misto WLTP. Conclusão A Denza tenta a sua sorte no difícil segmento dominado pelas marcas premium alemãs, onde outras marcas europeias e asiáticas tentaram e falharam. Mas, com a BYD por trás, nada é impossível. Sobretudo com o lançamento de outros modelos que aconteceu no Salão de Pequim de 2026. Quando a marca chegar a Portugal e tivermos preços, podemos posicionar melhor a Denza face aos rivais, mas, para já, a Porsche parece mesmo estar na “mouche” do alvo a que a Denza está a apontar. Ler também seguindo o link: Primeiro Teste , BYD Seal U: Ao ataque do Model Y [Additional Text]: Francisco Mota Francisco Mota