FIBROMIALGIA: O PAPEL DA FISIOTERAPIA NO CONTROLO DA DOR E NA QUALIDADE DE VIDA
2026-05-12 21:06:17

A fibromialgia, cujo Dia Mundial se assinala a 12 de maio, é uma condição crónica caracterizada por dor muscular generalizada, frequentemente acompanhada de fadiga, alterações do sono, dificuldades de memória e aumento da sensibilidade a estímulos. Em Portugal, estima-se que esta condição afete cerca de 1,7% da população, podendo atingir valores entre 3% e 4% devido a casos não diagnosticados, o que representa um número significativo de pessoas no país. Afeta maioritariamente mulheres e surge sobretudo em idade ativa, com impacto direto na qualidade de vida e na capacidade de trabalho. A evidência aponta para alterações na forma como o sistema nervoso processa a dor, o que contribui para a persistência dos sintomas. Inserido numa equipa multidisciplinar, o fisioterapeuta assume um importante papel, através de intervenções personalizadas, ajuda a reduzir a dor, melhorar a função e promover o bem-estar. O exercício terapêutico é hoje reconhecido como uma das ferramentas mais eficazes no controlo da fibromialgia. Os exercícios são, assim, o principal instrumento da fisioterapia. Estudos demonstram que programas regulares podem reduzir a dor em cerca de 20% a 30% e melhorar de forma significativa a capacidade funcional e a qualidade de vida. Outras abordagens, como a terapia manual, podem ajudar no alívio dos sintomas, enquanto a educação postural e as técnicas de relaxamento contribuem para reduzir a tensão muscular e melhorar a forma como o corpo reage à dor no dia a dia. Os programas mais eficazes combinam diferentes tipos de exercício, nomeadamente: Caminhadas ou exercício aeróbico leve a moderado Exercícios de fortalecimento com carga leve ou peso corporal Alongamentos suaves e progressivos Fisioterapia aquática e/ou hidroginástica Exercícios respiratórios e técnicas de relaxamento O exercício em meio aquático aquecido, permite reduzir a carga nas articulações e facilitar o movimento, sendo especialmente útil em pessoas com maior sensibilidade à dor. A fisioterapia tem também um papel importante na superação da cinesiofobia - o medo do movimento - comum nestes doentes. Através de uma progressão segura e orientada, o fisioterapeuta ajuda a restabelecer a confiança no corpo e a reduzir o receio de que o movimento possa agravar a dor. A prática de exercícios de forma progressiva e adaptada, está associada a melhorias não só na dor, mas também no sono, no humor e na qualidade de vida em geral. Manter a regularidade será um fator-chave. O papel do fisioterapeuta é orientar este processo, ajustando o plano a cada pessoa e promovendo autonomia na gestão da doença. Referências Bibliográficas: Antunes MD, Marques AP. O papel da fisioterapia na fibromialgia: perspetivas atuais e futuras. Frontiers in Physiology. 2022; 13:942475. Macfarlane GJ, Kronisch C, Dean LE, et al. EULAR revised recommendations for the management of fibromyalgia. Ann Rheum Dis. 2017; 76(2):318,328. Bidonde J, Busch AJ, Schachter CL, et al. Aerobic exercise training for adults with fibromyalgia. Cochrane Database Syst Rev. 2017; 6:CD012700. Busch AJ, Webber SC, Richards RS, et al. Resistance exercise training for fibromyalgia. Cochrane Database Syst Rev. 2013; 12:CD010884. Bidonde J, Busch AJ, Webber SC, et al. Aquatic exercise training for fibromyalgia. Cochrane Database Syst Rev. 2014; 10:CD011336. Garijo IH, Del Barrio SJ, Gómez TM, et al. Effectiveness of non-pharmacological therapies in fibromyalgia. J Back Musculoskelet Rehabil. 2022; 35(1):3,20. Mascarenhas RO, Souza MB, Oliveira MX, et al. Therapies associated with reduced pain and improved quality of life in fibromyalgia. JAMA Intern Med. 2021; 181(1):104,112. Kundakci B, Kaur J, Goh SL, et al. Nonpharmacological interventions for fibromyalgia: systematic review and meta-analysis. Pain. 2022; 163:1432,1445. Autores: Ana Silva (OF: 1024, ULS Braga), Catarina Assis (OF: 5533, UCC Amarante), Elisabete Matos (OF: 9129, Hospital Lusíadas Braga)