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O PAÍS ESTÁ EM PONTO MORTO?

Observador Online

2026-05-12 21:06:18

A burocracia travou a baixa do IVA da habitação. A reforma laboral não passou. O número de cirurgias baixou e as listas de espera aumentaram O país está em ponto morto? E se arrancar vai para onde? Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões. É hora de conhecermos o tema do Contracorrente desta terça-feira. Se quiser entrar em direto depois do jornal das 10:00, só tem de ligar 91 002 41 85 para se inscrever, mas também pode deixar a sua mensagem nas redes sociais, no site do Observador ou então enviar-nos o seu áudio, a sua mensagem de voz, através do WhatsApp 91 002 41 85. Carla. A reforma laboral não passou. Caiu o número de licenças para projetos de construção e reabilitação, porque a burocracia estatal não se entende sobre qual a taxa de IVA que se deve aplicar. O número de cirurgias baixou e as listas de espera aumentaram. O país estará em ponto morto e se arrancar, Helena Matos, bom dia. Se arrancar, vai para onde o país? Olha, o país não sei para onde vai. Em primeiro lugar, bom dia. Bom dia. O problema é que eu fiquei sem palavras, porque estive a ouvir os Momentos de Glória atentamente, como sempre. E agora não consegues. E ainda está um badaio. Já me deu tudo, sei lá. Não tenho palavras mesmo. Não sei como é que hei de fazer isto, porque uma pessoa quer falar do país em ponto morto e agora cada palavra, cada prova da minha provectíssima idade. Portanto, eu não sei o que é que é melhor. Isto limita muito. Limita, não. Tolle o pensamento. Este não tem um fanico. Exatamente. Pronto. Então, vamos lá. Com as palavras que posso e que presumo que atestarão não apenas a minha idade, mas também o facto de, por causa da minha idade e não só, eu já ter visto várias vezes este filme. E ter visto este filme com diferentes governos, e que os governos são eleitos, os partidos apresentam os seus programas, as pessoas acreditam: "É desta, agora é que vamos conseguir, agora é que finalmente se vai ultrapassar, agora é que realmente todas aquelas inércias, nós vamos conseguir". Nós passámos o cabo das tormentas há vários séculos, no sentido marítimo do termo, mas é como se tivéssemos, não propriamente um cabo das tormentas, mas não sei como dizê-lo. Às vezes aquele homem tem razão, uma espécie de um pântano aqui dentro. Só que ele foi-se embora e deixou-nos com o pântano. E aquilo que nós temos neste momento, a imagem que perpassa é que o governo, com mais jeito, com menos jeito, daquilo que se propôs fazer, é como se tudo esbarrasse. Esbarrasse em alguma coisa. Eu já sei que se está a falar muito da questão da reforma laboral, da forma como ela está mais ou menos parada, mas tentou-se. Agora vai para o Parlamento, tentou-se. Poderia o governo, como defendem muitos, ter logo quando viu que aquilo não levava a lado algum, ter imediatamente cortado as negociações, ir para o Parlamento, de alguma forma procurar acelerar os processos, quanto mais não fosse para mostrar quem não queira? Provavelmente sim ou provavelmente não. A história depois o dirá. Mas há factos muito mais significativos daquilo que eu quero dizer, que é aquilo que mesmo sendo aprovado, não se consegue fazer, senhores. Este "senhores" deve ser terrível, deve dar para aí 100 anos. Que é, por exemplo, aquilo que o Expresso revelou, e que já tem sido muito referido, e que é o facto do IVA da habitação. Parecia bom, o IVA da habitação vai passar de 23 para 6%, que bom. Vai haver mais habitação? Não, não houve. Não houve, porque agora os promotores imobiliários estão todos à espera de que se defina finalmente se vai aplicar no seu caso concreto o IVA a 23 ou o IVA a 6%. E, portanto, está a construir-se menos e, mais grave, estão a entrar menos pedidos, porque é isso que conta, para novas construções. Portanto, é um pouco este lado desta máquina que se consegue implementar alguma medida, aprová-la, na verdade, depois ela chega ali e esbarra. Temos o caso da Justiça, quer dizer, há quanto tempo? Prometem-nos sempre acelerar, que é agora que se vai resolver. Lá continuam as coisas. Da Justiça só temos de vez em quando notícias, caso fuja algum preso. O caso da saúde, a mim parece-me ser muito mais complicado, porque não é apenas a questão da máquina administrativa, não é apenas a questão de haver quem ache que não pode mudar para uma urgência que fica a 30 quilómetros. Não, não é nada disso. Temos aqui um problema muitíssimo mais complexo, e também se percebeu nos Momentos de Glória. Eu, aliás, acho que os Momentos de Glória podem passar a ser o Contracorrente, que é a questão da falta de médicos em determinadas especialidades. E temos o problema, por que as pessoas querem ir para Dermatologia, por que não querem ir para Medicina Interna. E realmente, até mais ver, e voltando novamente aos Momentos de Glória, não se consegue fazer o Serviço Nacional de Saúde com o Reiki, precisa-se de médicos de diferentes especialidades e muitas vezes elas não existem. Portanto, temos aqui uma espécie de quase impossibilidade técnica de mudar o país. É disso que vamos falar hoje no Contracorrente. Eu, que sou daquela geração, quando tirou a carta de condução, tínhamos sempre aquele grande obstáculo do ponto morto, como é que se fazia o ponto morto. E eu acho que essa é uma bela imagem. Eu sei que agora isto já anda tudo com mudanças automáticas, mas a geração que aprendeu a fazer um belo ponto morto naquelas calçadas de Lisboa, tipo a Calçada do Moinho de Vento, com basalto e piso molhado, é um pouco essa a imagem do país. Estamos aqui em ponto morto e parece que daqui não saímos, e pior, que daqui ninguém nos tira. Helena, uma palavra que também já esteve na moda há muito tempo, o inconseguimento. Olha, nunca melhor dito. A palavra na altura pareceu-me um disparate, mas olha, nunca melhor dito. Entrados, o nosso ouvinte já não sabe do que é isto, mas nós falamos melhor às 10:00. Nós também não vamos dizer agora. Não, só depois das 10:00. Até já, Helena. Até já. Ligue 91 002 41 85 e dê-nos a sua opinião em direto no Contracorrente, depois do jornal das 10:00. Tem também as nossas redes sociais, o site do Observador e pode sempre enviar-nos a sua mensagem de voz por WhatsApp 91 002 41 85. José Manuel Fernandes, Helena Matos