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BALANÇO DA ERS - MENOS CIRURGIAS CARDÍACAS E MAIS LISTAS DE ESPERA NO FINAL DE 2025

Público

2026-05-12 21:06:44

Cirurgias cardíacas e oncológicas diminuíram e as listas de espera dispararam no final de 2025 Relatório da ERS confirma quebra da actividade cirúrgica. Mais de dois terços dos vales para cirurgia ficaram por usar Os hospitais do SNS realizaram menos 1870 cirurgias no último semestre de 2025 face ao período homólogo de 2024, mas a diminuição mais signifi# cativa aconteceu nas cirurgias cardíacas e oncológicas, especialidades críticas onde estão a engrossar as listas de espera. Os dados constam do relatório de monitorização dos tempos de espera no SNS no segundo semestre de 2025, divulgado ontem pela Entidade Reguladora da Saúde (ERS). A ministra da Saúde já reagiu aos números, admitindo que é preciso um “cuidado especial” com a cardiologia e a oncologia. A análise indica que as cirurgias oncológicas realizadas diminuíram 3%, atingindo as 34.771 no segundo semestre de 2025. Já a actividade cirúrgica de cardiologia diminuiu 4,9%, totalizando 4508 cirurgias. Excluindo estas duas especialidades, foram realizadas 283.878 cirurgias programadas nos hospitais públicos, menos 0,7% do que no mesmo período do ano anterior. Olhando para a lista de espera de cardiologia e oncologia, os resultados não são animadores. No final do ano passado, 2703 doentes estavam a aguardar cirurgia de cardiologia, mais 39,5% do que no mesmo período de 2024. Desses, 58,6% já tinham ultrapassado os tempos máximos previstos legalmente, mas ainda assim verificou-se uma ligeira melhoria (0,3 pontos percentuais) face ao período homólogo. Na cirurgia oncológica, área prioritária para o Governo no âmbito do Plano de Emergência e Transformação da Saúde, tudo se agravou. No final do ano passado, havia 8215 doentes à espera de serem operados, mais 9% do que no mesmo período de 2024. Os tempos máximos de resposta garantidos (TMRG) foram ultrapassados em 21,2% das situações. No total, excluindo cardiologia e oncologia, havia 189.444 utentes a aguardar cirurgia no final de 2025, menos 0,6% do que no segundo semestre de 2024. Dos doentes em espera, 16,3% já tinham ultrapassado o TMRG (mais 1,5 pontos percentuais face a 2024). Em entrevista ao podcast Política com Assinatura, da Antena 1, divul-gada ontem à tarde, a ministra da Saúde admitiu a necessidade de uma maior atenção a estas especialidades cirúrgicas. “Reconheço que na cardiologia precisamos de ter um cuidado especial, como precisamos de ter na oncologia”, disse Ana Paula Martins. De resto, a ministra considerou que a redução da actividade cirúrgica no SNS “não é uma falência,éumadificuldade”.Queassocia à falta de eficiência do actual sistema de gestão de listas de espera, que será substituído por um novo, com entrada em funcionamento para as cirurgias prevista para 1 de Agosto. A redução da actividade do SNS é um tema que tem gerado preocupação. Na semana passada, o PÚBLICO noticiou que, nos primeiros dois meses do ano, o SNS realizou menos consultas nos cuidados primários e nos hospitais e fez menos intervenções cirúrgicas programadas. Inicialmente, a ministra da Saúde considerou a quebra da actividade, no início de 2026, uma “redução pontual” justificada pelo impacto da gripe, que obrigou à suspensão da actividade programada. Mas, na passada quinta-feira, no Parlamento, Ana Paula Martins admitiu que a capacidade de resposta do SNS está “muito diminuída” devido aos internamentos inapropriados, ou seja, pessoas que ocupam camas nos hospitais depois de terem alta clínica. De acordo com o relatório, a par da diminuição da actividade cirúrgica, “assistiu-se a um aumento generalizado no número de primeiras consultas realizadas”. Na oncologia, as primeiras consultas aumentaram 2,8%, tendo a percentagem de incumprimento diminuído 4,3 pontos percentuais face ao segundo semestre de 2024, fixando-se nos 57,5%. Na cardiologia, o número de consultas realizadas aumentou 2,4% e os tempos de espera melhoraram ligeiramente, mas ainda estão críticos: em 86,4% destas consultas o TMRG foi ultrapassado. Nas restantes especialidades, “observou-se um aumento de 1,4% no número de consultas realizadas (totalizando 662.383 consultas) face ao segundo semestre de 2024”. Os tempos máximos previstos foram ultrapassados em 51,4% das consultas, uma redução de 1,7 pontos percentuais face ao período homólogo. A monitorização da ERS olha ainda para a actividade dos hospitais dos sectores privado e social que têm acordos de cooperação com o SNS (hospitais protocolados) e convenções no âmbito do Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia para darem resposta à lista de espera quando os hospitais de origem não conseguem garantir a realização da cirurgia dentro dos TMRG estabelecidos por prioridade clínica. Mas, ao longo dos anos, estas alternativas têm mostrado baixa aceitação por parte dos doentes. No segundo semestre de 2025, o SNS emitiu 47.032 vales-cirurgia e notas de transferência, mas só foram cativados 13.312 (28,3%). Na entrevista à Antena 1, a ministra adiantou que dentro em breve serão actualizados os preços contratualizados com o sector privado e social. Relatório da Entidade Reguladora confirma quebra de actividade ciúrgica Sociedade, 16 A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, reconhece que nas áreas da cardiologia e da oncologia “é preciso um cuidado especial” No final do ano, havia 8215 doentes oncológicos a aguardar cirurgia Inês Schreck