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PERISCÓPIO - INCONGRUÊNCIAS

Notícias de Vila Real

2026-05-13 21:01:42

1 , Haja quem me consiga explicar, de forma que eu possa entender, o que é que os comunistas portugueses continuam a ver na Rússia de Putin, para se comportarem como uns mendigos, se calhar, à espera que dali ainda possa vir algum apoio, para poderem levantar a cabeça e, eventualmente, usufruírem de alguma benesse provinda das mãos dele. Sinceramente, não consigo entender a cegueira de certas pessoas. Ainda não terão entendido que a Rússia não é a União Soviética? Não perceberam que o mundo deu uma volta e continua a mudar em cada dia que passa. De que raio de espírito revolucionário estão imbuídos os restos daquele partido comunista que conhecemos de antes e principalmente depois de Abril de 1974, quando conseguiam congregar centenas de milhares de apoiantes, encher avenidas e reivindicarem direitos por vezes muito para além do que mereciam ou o país lhes podia dar? Expliquem-me, por favor, o que se passa com este partido, que teve dirigentes de peso, gente inteligente, que lutou contra o regime anterior com risco da própria vida, que estiveram nas prisões, que foram enviados para o Tarrafal, que andaram na clandestinidade, que fugiram das prisões, que faziam atentados contra algumas figuras e interesses do regime? Cunhal, que permaneceu comunista até ao fim, estaria de acordo com o pensamento e acção dos comunistas de agora? Ele, inteligente como era, estaria, nas actuais circunstâncias, de acordo com estes dirigentes e militantes que não aprenderam nada com as lições do passado? Digam-me. Repito, o que se passa? O que é que os comunistas actuais vêem na Rússia, em Putin e na sua camarilha? Chamavam conservadores aos militantes de direita. Mas eles é que não evoluíram nada. Não conseguem ver aquilo que está debaixo dos seus olhos. Eles são, na actualidade, os conservadores. Porventura, continuam a sonhar com a instauração de uma ditadura comunista em Portugal? Um regime como o que vigora na Rússia? Porquê? O que os faz pensar que isso possa vir a acontecer? Não verão que as suas atitudes apenas levam ao afastamento de mais militantes e simpatizantes do seu partido para outros partidos de direita e de esquerda e ao crescimento exponencial da direita? Não têm vergonha de apoiar a Rússia em relação à agressão que fez e está a fazer à Ucrânia, porque, segundo Putin, ali vigora um regime fascista? Acreditarão, conscientemente, nesta falácia de Putin? Abandonarem o hemiciclo da nossa Assembleia, quando o Presidente do Parlamento ucraniano entrou na sala, para a cerimónia de homenagem de que foi alvo! Quem compreende isto? O que querem demonstrar? Vêm dizer que naquele Parlamento foram escorraçados alguns partidos. O que fariam se fossem eles a mandar neste ou em qualquer outro país? O que se passa na Rússia? Nem deixam piar a oposição. Os poucos comunistas portugueses apoiam a morte dos opositores russos às políticas de Putin? Digam! É claro que também não ficou bem ao CHEGA sair do Parlamento aquando da visita de Lula, presidente do Brasil. Mas acho um descaramento, para um partido filho de um regime ditatorial, como era o que vigorava a na URSS, continuar agarrado ao cordão umbilical da ditadura agora vigente na Rússia, pois a liberdade e a democracia foi sol de pouca dura, após a queda do regime soviético. 2 , Disse a ministra da Saúde que não é o Serviço Nacional de Saúde que está a falhar. Que é isso o que consta de relatórios oficiais. Mesmo com mais milhões de euros gastos, a produtividade é menor. Será que os nossos políticos não sabem onde está o busílis? Não é credível. Na semana passada recebi comunicação para ir ao nosso hospital para uma pequena cirurgia. Apresentei-me, como indicado, em jejum. Eu e mais umas cinco pessoas. A espera foi longa. Apenas em cima das 13 horas ouvimos chamar por nós, para sermos informados que não haveria cirurgias por falta de camas onde pudés- semos ficar até ao dia seguinte. Algo está errado, para além da falta de organização. A falta de camas tem de ser estudada e encontrada uma solução. Os utentes têm direito a saber as razões. Será que se mantém o problema dos internados cujas famílias não os vão buscar depois de terem alta? A solução tem de ser drástica. Quem não sair do hospital voluntariamente, depois de ter alta, deve ser colocado num outro espaço, hotel, pensão ou outro e avisado o próprio ou a família que terão de pagar a estadia nesses estabelecimentos, caso tenham meios para pagar. Eles ou os filhos. Não é correcto que os filhos aleguem que os pais não têm meios e que tenham de ser os demais portugueses suportar essas despesas. Alguma coisa, alguns meios ou bens terá a generalidade das pessoas. E no final, quando essas pes- soas morrerem, quem recebe as heranças são os filhos e não quem suportou essas despesas. Trata-se de uma questão de justiça. Só mesmo quem não tiver possibi- lidade de pagar deve beneficiar de apoio ou ficar isento de pagamento das despe- sas com a sua estadia noutro local que não hospital. Se não forem tomadas medidas drásticas, nunca qualquer governo vai resolver os problemas do SNS. A.F. Caseiro Marques