NUNO CATORZE ELEITO PRIMEIRO PRESIDENTE DO COLÉGIO DE MEDICINA DE URGÊNCIA E EMERGÊNCIA
2026-05-13 21:02:07

Diretor da ULS Médio Tejo lidera novo órgão técnico da especialidade criada para responder aos desafios da urgência no SNS, num marco histórico para a Medicina portuguesa Nuno Catorze, diretor do Departamento de Urgência e Medicina Intensiva da Unidade Local de Saúde do Médio Tejo, foi eleito primeiro presidente do Colégio da Especialidade de Medicina de Urgência e Emergência da Ordem dos Médicos. O clínico assume agora a liderança do primeiro órgão técnico desta nova especialidade, cuja criação representa um passo significativo na reconfiguração da resposta urgente e emergente no Serviço Nacional de Saúde. A instituição deste colégio vem coroar um percurso de décadas de reivindicação por parte dos profissionais que sempre defenderam a necessidade de formação própria e diferenciação técnica para quem atua na linha da frente assistencial. Os colégios da especialidade funcionam, na estrutura da Ordem dos Médicos, como instâncias técnicas fundamentais: são eles que definem critérios de idoneidade formativa, organizam a formação médica especializada e estabelecem referenciais de qualidade para o exercício clínico. No caso da Medicina de Urgência e Emergência, o desafio é ainda maior, porque se trata de construir praticamente do zero uma identidade profissional que, durante anos, viveu na fronteira de outras especialidades. “A Medicina de Urgência e Emergência nasce para responder a uma necessidade concreta do país: formar médicos com competências específicas para a abordagem do doente urgente e emergente, reforçando a segurança, a organização e a qualidade da resposta”, afirmou Nuno Catorze, visivelmente emocionado com a nomeação. O médico intensivista, que desenvolve há quase 18 anos grande parte do seu percurso profissional na ULS Médio Tejo, sublinhou que a eleição “representa uma enorme responsabilidade e é também o reconhecimento de um trabalho feito por muitas equipas, ao longo de muitos anos. A partir do Médio Tejo, continuaremos a contribuir para consolidar esta especialidade com rigor, humanidade e compromisso com o SNS.” O programa de ação da primeira direção, que adotou o lema “Medicina de Urgência e Emergência: Consolidar a identidade, liderar o futuro”, parte de um pressuposto claro: a criação da especialidade não é um ponto de chegada, mas sim o início de uma nova fase. Depois de tanto tempo a lutar pelo reconhecimento autónomo, o que agora se impõe é consolidar a identidade, garantir uma formação exigente aos futuros especialistas e contribuir para uma resposta clínica mais segura e organizada, quer no contexto pré-hospitalar quer dentro dos próprios serviços de urgência. A equipa liderada por Nuno Catorze defende uma medicina de urgência capaz de atuar nos momentos mais críticos da vida dos doentes, com competências próprias no diagnóstico, na decisão terapêutica e na estabilização clínica. Mas também aponta metas mais terrenas, como melhorar circuitos assistenciais, reduzir tempos de permanência nas urgências, valorizar a carreira médica e proteger os profissionais do desgaste , um problema que qualquer médico de urgência conhece bem. A inovação tecnológica é convocada como apoio à decisão clínica e à segurança do doente, mas sem ilusões de que a tecnologia substitui o julgamento humano. Para a ULS Médio Tejo, esta eleição tem um significado institucional particular. Além do percurso de Nuno Catorze na casa, há ainda o facto de Carlos Cortes, bastonário da Ordem dos Médicos, ser também profissional dos quadros da unidade. “A escolha de Nuno Catorze para liderar o primeiro colégio de especialidade de medicina de urgência e emergência é motivo de enorme orgulho para a ULS Médio Tejo e para toda a região”, afirmou Casimiro Ramos, presidente do Conselho de Administração. “Reconhece o percurso individual do Dr. Nuno Catorze, mas também o trabalho das nossas equipas, que todos os dias asseguram uma resposta urgente e emergente exigente, humana e tecnicamente diferenciada.” O responsável aproveitou para deixar uma nota sobre a capacidade da região: “O Médio Tejo tem demonstrado que é possível inovar, formar profissionais altamente diferenciados e contribuir, a partir de uma região do interior do país, para decisões estruturantes do Serviço Nacional de Saúde.” Vale a pena recordar que o percurso de Nuno Catorze ganhou particular visibilidade durante a pandemia de COVID-19. Foi nesse período que assumiu um papel central na organização da resposta em cuidados intensivos no Médio Tejo, adaptando circuitos e protegendo doentes e profissionais num contexto de pressão assistencial nunca antes vivido. Os cuidados intensivos da unidade tiveram então um contributo determinante no apoio à região de Lisboa e Vale do Tejo, recebendo e tratando doentes críticos num dos períodos mais exigentes da história recente do SNS. Essa experiência, de certo modo, antecipou a necessidade de uma especialidade autónoma que forma profissionais para o caos organizado das urgências. A ambição agora é afirmar a Medicina de Urgência e Emergência como uma carreira de escolha, com reconhecimento científico, técnico e humano. Não será fácil, avisam os mais experientes. Mas a eleição de Nuno Catorze , um médico intensivista que nunca deixou de atender doentes , pode ser um sinal de que, desta vez, a mudança veio para ficar. PR/HN/MM Diretor da ULS Médio Tejo lidera novo órgão técnico da especialidade criada para responder aos desafios da urgência no SNS, num marco histórico para a Medicina portuguesa [Additional Text]: Nuno Catorze 1