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EDITORIAL - QUANDO O COMBATE À OBESIDADE É COISA DE RICOS

Público

2026-05-18 21:09:18

Editorial OSNS define obesidade como uma “doença crónica caracterizada pelo excesso de gordura acumulada no organismo”. Não é uma questão estética. É “um problema de saúde pública, tanto em Portugal, como no mundo”, representando “um importante factor de risco para o desenvolvimento e agravamento de outras doenças crónicas”. O combate a doenças como a obesidade, a diabetes ou dependências várias é essencial para diminuir a pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde e não deve ser deixado, exclusivamente, nas mãos dos cidadãos. O que acontece hoje em dia, no caso da obesidade, é que há substâncias inovadoras, muito eficazes e caras (e na moda), que receberam “luz verde” do Infarmed para serem comercializadas em Portugal há pouco mais de um ano, mas ainda não têm qualquer comparticipação do Estado. Dados partilhados com o PÚBLICO mostram que, no primeiro trimestre do ano, os portugueses compraram 2355 embalagens por dia só de dois desses medicamentos (os chamados “agonistas dos receptores de GLP-1”), o que representou um gasto diário de 613 mil euros. Ao todo, gastaram 55,2 milhões do seu bolso. Há dados que mostram que Portugal tende a ter tempos mais longos do que outros países entre a autorização de introdução no mercado concedida pelo Infarmed e a decisão de comparticipação. O próprio Infarmed divulgou um comunicado, em Maio de 2025, onde se lia que em “131 processos analisados” no ano anterior, o tempo médio entre a autorização de comercialização e a submissão do pedido de financiamento foi de “256 dias”, aos quais acresceram mais 723 dias, em média, até à decisão final. Avaliação terapêutica, negociações económicas, pedidos de esclarecimento, acordos de risco, atrasos nas submissões dos laboratórios ou intransigência no preço por parte das farmacêuticas fazem com que o processo seja demorado. E quando se trata de medicamentos caros e com potencial para serem usados por uma percentagem elevada da população, como é o caso (em 2022, 37,3% da população adulta tinha excesso de peso e 15,9% era obesa), os prazos estendem-se ainda mais. O Estado não quer ser explorado e as farmacêuticas não querem fazer um mau negócio. Mas há soluções e o economista Pedro Pita Barros já adiantou algumas. Enquanto não se chega ao ponto de equilíbrio nestas negociações, o problema continua a ser abordado como se não se tratasse de saúde pública e emagrecer continua a ser coisa de ricos. O combate a doenças como a obesidade, a diabetes ou dependências várias é essencial para diminuir a pressão sobre o SNS e não deve ser deixado, exclusivamente, nas mãos dos cidadãos Sónia Sapage