DE 360 MIL PARA 60 MIL: GOVERNO REDUZ META PARA DAR MÉDICOS DE FAMÍLIA A MAIS UTENTES
2026-05-19 21:06:04

Há cerca de 1,6 milhões de utentes sem médico de família em Portugal Foto: Artur Machado O Governo reduziu drasticamente a meta para atribuir médicos de família a mais utentes com a ajuda dos privados e do setor social. O plano de emergência previa a cobertura de cerca de 360 mil cidadãos em 2025, através dos centros de saúde geridos por entidades privadas (USF-C), que ainda não saíram do papel. O objetivo passa agora por garantir resposta a mais 60 mil utentes até 2029. Com mais de 1,6 milhões de habitantes sem médico de família no país, em especial na Região de Lisboa e Vale do Tejo, o Governo reviu em baixa o objetivo de colmatar a carência destes profissionais de saúde, já que os centros de saúde geridos por privados continuam atrasados e as convenções com especialistas em medicina geral e familiar que trabalham no privado ainda não avançaram. Segundo avança o jornal "Público" esta terça-feira, a nova meta, que consta numa proposta de lei entregue pelo Executivo de Luís Montenegro ao Parlamento, no final de abril, pretende "contribuir para o aumento do acesso a médico de família, garantindo, através da celebração de convenções em MGF [medicina geral e familiar] e da abertura de USF-C, médico de família a mais de 60 000 utentes até 2029". Apresentado em maio de 2024, o Plano de Emergência e Transformação da Saúde previa que a implementação das USF-C cobrisse, numa primeira fase, 180 mil utentes, estendendo-se aos 360 mil após 2025. Porém, o processo para a concretização destes centros de saúde privados continua atrasado. De acordo com o semanário, há vários concursos lançados e duas USF-C já terão sido adjudicadas, devendo entrar em funcionamento neste ano. Nove mil médicos de família Esta terça-feira, dia em que se assinala o Dia Mundial do Médico de Família, a Ordem dos Médicos anunciou que vai entregar ao Governo um compromisso estratégico pela medicina geral e familiar, centrado no acesso universal a médico de família, valorização dos profissionais e numa governação clínica "verdadeiramente eficaz" que reforce a resposta do SNS. À TSF, o bastonário, Carlos Cortes, adiantou que a proposta está orientada para três eixos, de forma a melhor a capacidade de resposta. E avançou que, na última década, o número de especialistas inscritos na Ordem dos Médicos cresceu de seis mil para nove mil, enquanto "no mesmo período de tempo" o número de utentes sem médico de família "passou de um milhão, em 2015, para 1,6 milhões". "Esta degradação da capacidade de resposta no SNS da medicina geral e familiar já acontece há vários anos. Identificamos muitas falhas naquela que tem sido a intervenção do Governo, mas também entendemos que é o papel da Ordem dos Médicos dar o seu contributo, dar o seu apoio, colaborar para que esta situação de grande dificuldade do SNS, nomeadamente da área da medicina geral e familiar, possa ser resolvida o mais rápido possível", considerou Carlos Cortes. Sara Gerivaz