DESPESA DO SNS COM MEDICAMENTOS VOLTA A SUBIR E CHEGA AOS 4417 MILHÕES DE EUROS EM 2025
2026-05-19 21:06:09

Tratamentos para o tratamento do cancro e da diabetes continuam a impulsionar os gastos com medicamentos. Tendência de crescimento mantém-se este ano. Os dados confirmam a “trajectória de crescimento observada nos últimos anos”. No ano passado, a despesa do SNS com medicamentos na área hospitalar e no ambulatório (vendas em farmácias) totalizou “cerca 4417 milhões de euros, o que representa um aumento de 11,7% face ao ano anterior”, segundo dados do Infarmed, a que o PÚBLICO teve acesso. E no primeiro trimestre de 2026 a tendência de subida manteve-se. Olhando para os valores de 2025, o Infarmed explica que o crescimento com a despesa “resulta, em grande medida, de factores estruturais positivos”, como o “maior acesso dos cidadãos aos medicamentos, evidenciado pelo aumento do número de embalagens dispensadas”, a “integração de novas terapêuticas inovadoras, sobretudo em contexto hospitalar” - refere 72 novas opções terapêuticas financiadas pelo SNS - e “maior actividade assistencial, traduzida no aumento do número de consultas”. O valor acumulado dos gastos com as duas áreas ainda não reflecte na totalidade o efeito das contribuições e devoluções ao SNS por parte da indústria farmacêutica, através do acordo existente com o Estado e dos contratos de financiamento. Em 2024, segundo uma nota de imprensa divulgada então pelo Infarmed, o valor final dos gastos com medicamentos na área hospitalar e de ambulatório passou de 3960 milhões para “cerca de 3,5 mil milhões de euros”. Aumentar Na área hospitalar - que inclui gastos dos hospitais e dos centros de saúde, já que o SNS está organizado em Unidades Locais de Saúde (ULS) -, os gastos com medicamentos em 2025 ascenderam 2523,2 milhões de euros, representando um crescimento de 11,2% (mais 254 milhões de euros) em relação a 2024. A oncologia “continua a ser a principal área de contributo para o aumento da despesa, com mais 119,2 milhões de euros”, para um total de gastos que, em 2025, ultrapassou os 864 milhões de euros. Aliás, o peso dos tratamentos para o cancro representou mais de um terço do total da despesa hospitalar com medicamentos. Dentro desta área terapêutica, o Infarmed destaca “o crescimento associado a terapêuticas inovadoras como o Pembrolizumab” - medicamento usado para o tratamento de vários tipos de cancro e que no ano passado registou uma despesa superior a 121 milhões , “ou o Daratumumab” - anticorpo monoclonal usado para o tratamento do mieloma múltiplo. Aumentar Embora tenham um menor peso no total dos gastos, a despesa com vacinas foi a que registou maior acréscimo em relação ao período homólogo de 2024. Foram mais 35,2 milhões de euros, para um total de 85,5 milhões de euros. Nas farmácias pesa mais a diabetes Quanto aos medicamentos vendidos nas farmácias, a despesa do SNS no ano passado “aumentou 12,4%” em comparação com 2024, para um total de 1893,8 milhões de euros. Do lado dos utentes, os encargos também subiram em 2025, mas em menor percentagem , 4,9%. Os utentes gastaram 966,1 milhões de euros, mas o acréscimo parece ser mais pelo lado do consumo , venderam-se mais 10 milhões de embalagens , do que pelo preço médio da embalagem, que se manteve praticamente inalterado (4,74 euros). De forma geral, o aumento da despesa foi “impulsionada sobretudo pelo reforço do acesso a medicamentos com impacto na redução da morbilidade e mortalidade, como os antidiabéticos Dapagliflozina, Semaglutido, Empagliflozina e Dapagliflozina + Metformina”, que são comparticipados a 90%”. Aliás, esta foi a “classe terapêutica com maior aumento de despesa”: mais 61 milhões, para um total de gastos em 2025 superior a 478 milhões de euros. Contribuíram também para o aumento de gastos em ambulatório dois anticoagulantes e um medicamento para a insuficiência cardíaca, refere o Infarmed, que lembra ainda a majoração da comparticipação dos medicamentos para o tratamento da infertilidade e dos destinados aos antigos combatentes e a implementação da comparticipação para a endometriose. Aumentar Na área dos dispositivos médicos, lembra-se que há agora um novo regime para as bombas de insulina, que passaram a ser dispensadas nas farmácias e comparticipadas a 100% aos utentes do SNS. Aqui, os encargos do SNS ascenderam a 26 milhões de euros. Em 2026, despesa continua a subir Apesar da intenção do Governo, expressa na nota explicativa do Orçamento do Estado para este ano, de conseguir uma redução de 208 milhões de euros nas compras de medicamentos e material de consumo clínico para as unidades do SNS, no primeiro trimestre a despesa com medicamentos mantém-se a subir em relação ao mesmo período do ano passado. Na área hospitalar, os gastos até Março chegaram aos 693,4 milhões de euros, o que significa um aumento de 7,6% face ao período de 2025. E, tal como no ano passado, é a oncologia que “continua a ser a principal área de contributo para o aumento da despesa”, sem alteração dos principais medicamentos que mais estão a elevar os gastos. Quanto ao ambulatório, o retrato também não sofre especiais alterações. A despesa do SNS com a venda de medicamentos nas farmácias ascendeu a perto de 500 milhões de euros (mais 9,6% em relação ao primeiro trimestre de 2025), com destaque para os antidiabéticos, que nos primeiros três meses do ano representaram um encargo de 126 milhões de euros. São mais 13 milhões em relação ao mesmo período de 2025. “A evolução do consumo de medicamentos e de dispositivos médicos comparticipados traduz, sobretudo, um reforço do acesso dos cidadãos a terapêuticas que melhoram a saúde dos portugueses”, considerou o presidente do Infarmed, Rui Santos Ivo, citado numa nota da autoridade do medicamento. tp.ocilbup@aiama Em 2025, a despesa do SNS com medicamentos para o tratamento do cancro ultrapassou os 864 milhões de euros Rui Gaudêncio Ana Maia