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DESPESA DO SNS COM MEDICAMENTOS SUBIU MAIS DE 60% DESDE A PANDEMIA E BATEU RECORDE EM 2025

Observador Online

2026-05-19 21:06:10

Em 2025, o SNS gastou 2.523 milhões de euros em medicamentos nos hospitais e 1.893 milhões em comparticipação de fármacos no ambulatório. Despesa subiu mais de 60% desde a pandemia. A despesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS) com medicamentos subiu mais de 60% desde a pandemia, em 2020, ultrapassando pela primeira vez os 4.417 milhões de euros no ano passado. No que toca ao bolso dos portugueses, só no último ano as famílias gastaram mais de 966 milhões de euros em medicação. Os dados do Infarmed indicam que, em 2025, o SNS gastou 2.523,2 milhões de euros em medicamentos nos hospitais e 1.893,8 milhões em comparticipação de fármacos no ambulatório. No total, a despesa do SNS com medicamentos no ano passado atingiu os 4.417 milhões de euros. Este valor ultrapassou nos hospitais, pela primeira vez, os 2.500 milhões de euros e ultrapassado também os 2.758 milhões de 2020, ano em que a pandemia de covid-19 chegou a Portugal. Deste então, o aumento da despesa com medicamentos nos hospitais tem sido sempre a dois dígitos. Se em 2020 este valor chegou aos 1.399,2 milhões, em 2021 ultrapassou os 1.571 milhões (+12,3%), em 2022 atingiu os 1.762,1 milhões (+12,1%), em 2023 os 1.959 milhões (+11.2%) e em 2024 totalizou 2,269,2 milhões, com uma subida histórica de 15,8%. No contexto hospitalar, o Infarmed diz que o crescimento observado está associado, em grande medida, à disponibilização de terapêuticas inovadoras, frequentemente dirigidas a patologias de elevada complexidade, como doenças oncológicas ou raras. Por área terapêutica, foi a oncologia que teve a maior despesa no ano passado, com 864,5 milhões de euros, um aumento de 16% (mais 119,2 milhões de euros). Esta é igualmente a área que mais peso tem (34%) na despesa total nos hospitais com medicamentos. No ambulatório, a comparticipação do SNS em medicamentos chegou no ano passado aos 1.893,8 milhões de euros, uma subida de 12,4% (mais 208,4 milhões de euros). Por substância ativa, o Apixabano, para prevenir a formação de coágulos, foi aquela que registou maior aumento de despesa, com uma subida de 70,9%, para 66,6 milhões de euros. Nos hospitais, por denominação comum internacional, os medicamentos imunomoduladores - que alteram a resposta do sistema imunológico , foram os que tiveram maior aumento da despesa, com mais 78,3 milhões de euros, seguidos dos citotóxicos (+33,4 milhões) e de outros medicamentos com ação no sistema nervoso central (+32,8 milhões). Foram os medicamentos antidiabéticos os responsáveis pela maior despesa do SNS com a comparticipação, chegando quase aos 478,9 milhões de euros. A Unidade Local de Saúde com maior despesa com medicamentos foi a ULS Santa Maria, em Lisboa, com 304,9 milhões de euros, seguida da ULS de Coimbra (235,9 milhões) e da ULS São João (223,4 milhões), no Porto. Por área de prestação, nos hospitais, a consulta externa e produtos cedidos ao exterior é a que tem maior peso (42,7%), com 1.076,5 milhões de euros (+11,2%), seguida do hospital de dia, com 900,4 milhões de euros (+4,5%), e do internamento, com 231,4 milhões de euros (+16,1%). Contudo, os cuidados de saúde primários foram os detentores do maior aumento da despesa por área de prestação (+66,5%), chegando aos 97,8 milhões de euros. Famílias gastaram mais de 966 milhões de euros em medicamentos no ano passado A despesa das famílias com medicamentos ultrapassou os 966 milhões de euros no ano passado (+4,9%) e nos primeiros três meses deste ano já atingiu os 243 milhões. Só no ano passado, as famílias gastaram mais 45,4 milhões de euros em fármacos do que no ano anterior, quando a despesa do utente chegou aos 920,7 milhões de euros. Já no primeiro trimestre deste ano, a despesa dos utentes chegou aos 243,1 milhões de euros, mais 1,3% (+3,2 milhões) do que no mesmo período do ano anterior. Entre janeiro e março deste ano, o encargo médio do utente com medicamentos baixou 1,2% para os 4,67 euros, enquanto o encargo médio do Serviço Nacional de Saúde (SNS) chegou aos 9,60 euros (+6,9%). No ano passado, o encargo médio do utente por embalagem tinha baixado para os 4,74 euros (-0,3%). A quota dos genéricos em ambulatório chegou em 2025 aos 50,9%, subindo para 63,7% nos segmentos onde existem genéricos comercializados, confirmando o papel destes medicamentos na promoção do acesso e da sustentabilidade do SNS. No total, o relatório refere que, em comparticipação de medicamentos no ambulatório, o SNS gastou 1.893,8 milhões de euros, uma subida de 12,4% (+ 208,4 milhões de euros) relativamente a 2024. O relatório do Infarmed diz que o número de consultas no SNS subiu 0,9% no ano passado, para 40,8 milhões. Quanto às classes terapêuticas com maior utilização, a lista é encabeçada pelos antidislipidémicos (para tratar colesterol e triglicéridos), com mais de 21,3 milhões de embalagens dispensadas (+9,7%). Em relação às substâncias ativas, no ambulatório, a mais utilizada é a atorvastatina (para baixar o colesterol), com mais de 8,5 milhões de embalagens dispensadas, seguida do paracetamol (4,8 milhões), do bisoprolol (3,9 milhões), para a tensão alta, e da metformina (3,4 milhões), usada para a diabetes. [Additional Text]: No contexto hospitalar, o Infarmed diz que o crescimento observado está associado, em grande medida, à disponibilização de terapêuticas inovadoras Agência Lusa