DGS REFORÇA VIGILÂNCIA EM PORTUGAL DEVIDO AO SURTO DE ÉBOLA
2026-05-20 21:06:35

A Direção-Geral da Saúde está a reforçar os mecanismos de vigilância e preparação em Portugal face ao surto de Ébola que afeta a República Democrática do Congo e já se expandiu ao Uganda. O alerta internacional intensificou-se após a Organização Mundial da Saúde declarar o atual surto como uma Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional, perante a rápida propagação da doença e a ausência de vacina para a variante atualmente em circulação, denominada Bundibugyo. Apesar de Portugal nunca ter registado qualquer caso confirmado de Ébola, as autoridades nacionais de saúde admitem a possibilidade - ainda que considerada reduzida - de surgirem casos importados através de viajantes provenientes das zonas afetadas. Segundo a DGS, estão a ser atualizadas as medidas de deteção precoce, vigilância e resposta clínica, em alinhamento com as recomendações do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças. O reforço inclui a atualização de protocolos clínicos, informação dirigida aos profissionais de saúde e preparação dos hospitais de referência, nomeadamente o Hospital Curry Cabral e o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, responsáveis pelo diagnóstico e eventual tratamento de casos suspeitos. O atual surto tem epicentro na província de Ituri, no nordeste do Congo, uma região marcada por conflitos armados e dificuldades sanitárias. De acordo com dados da OMS e do ECDC, já foram registados 336 casos suspeitos, 88 mortes e pelo menos nove casos confirmados laboratorialmente no Congo, além de dois casos confirmados no Uganda, um deles mortal. A OMS manifestou especial preocupação com a velocidade de propagação da infeção. O diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou estar “profundamente preocupado com a escala e a velocidade” do surto. O Ébola transmite-se através do contacto direto com sangue, secreções, fluidos corporais ou materiais contaminados de pessoas infetadas. O período de incubação varia normalmente entre sete e dez dias e o vírus apenas é transmissível quando surgem sintomas. Entre os sinais iniciais mais frequentes estão febre, dores de cabeça, fraqueza intensa, vómitos, dores abdominais, diarreia e hemorragias. A atual variante Bundibugyo não dispõe de vacina aprovada nem de tratamento específico. O acompanhamento clínico baseia-se sobretudo em cuidados de suporte destinados a aliviar os sintomas e aumentar as probabilidades de sobrevivência. Segundo especialistas internacionais, sem tratamento adequado e atempado, a taxa de mortalidade associada ao Ébola pode atingir entre 80% e 90%. [email protected]