CERCA DE 75% DOS CANCROS GINECOLÓGICOS DIAGNOSTICADOS EM FASES AVANÇADAS
2026-05-22 21:08:56

Os atrasos no diagnóstico e no acesso ao tratamento do cancro do ovário e do endométrio aumenta a despesa do Serviço Nacional de Saúde e agrava a mortalidade. Estas foram as conclusões do projecto OncoGyn PT - Diagnóstico, Tratamento e Acesso no Cancro Ginecológico, desenvolvido pela Nova Medical School Scientifc Services e apoiado pela GSK, anunciados numa nota de imprensa. Segundo a análise, “tratar estas doenças em estádio avançado pode ser até três vezes mais caro do que intervir precocemente, penalizando simultaneamente a sustentabilidade do sistema e a sobrevivência das doentes”. O estudo indica que o impacto dos atrasos é “particularmente grave no cancro do ovário, responsável por 472 mortes por ano em Portugal, apesar de representar menos de 1% dos diagnósticos oncológicos femininos”. Cerca de 75% dos casos são diagnosticados em fases avançadas, quando a probabilidade de sobrevivência é signifcativamente menor. No caso do cancro do endométrio, que apresenta maior incidência e taxas de sobrevivência entre 80% e 90% quando detectado precocemente, o documento alerta que, em estádio IV, a sobrevivência cai para 15 a 17%, evidenciando o peso crítico do tempo no prognóstico. Os especialistas chamam ainda a atenção para o impacto econó- mico dos atrasos, referindo que a evidência internacional demonstra que tratar a doença em estádio avançado pode custar duas a três vezes mais do que uma intervenção precoce, devido a tratamentos mais prolongados, maior risco de complicações e internamentos repetidos, além dos custos associados à perda de produtividade e incapacidade laboral. “O problema não reside na ausência de inovação terapêutica, mas sim em falhas estruturais na organização dos cuidados, incluindo percursos fragmentados entre cuidados de saúde primários e cuidados hospitalares, desigualdades regionais no acesso a equipas especializadas e ausência de métricas que acompanhem a jornada completa da doente”. Entre as principais recomendações está a necessidade de centralizar o tratamento em centros de referência acreditados pela Sociedade Europeia de Oncologia Ginecológica. O impacto dos atrasos é grave no cancro do ovário Atrasos no cancro ginecológico agravam mortalidade