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OPINIÃO - FINANÇAS E IMAGEM DE TOMAR

Templário (O)

2026-05-23 21:09:13

O Partido Socialista emitiu um comunicado sobre a aprovação, na Assembleia Municipal, em 30/04/2026, das contas do Município relativas a 2025, criticando a comunicação social por esta não ter divulgado o facto. De facto, em Tomar, há uma grande falta de informação á comunidade dos assuntos públicos, por parte da Câmara Municipal (CMT), das outras autarquias, das instituições de Economia Social e de outros que o deviam fazer. Há anos que venho defendendo uma prática de informação constante á comunidade, pelo que fui atacado pelos partidos políticos e por instituições ditas sociais. Os socialistas apregoam, agora, uma evolução muito positiva da situação financeira na CMT, pergunta-se porque não a foram divulgando ao longo dos doze anos em que lideraram o Município? Diz o PS que “O Saldo Orçamental da Gerência do exercício de 2025 apresenta um valor positivo de 2.816.998,20 euros. Tendo em conta o Saldo de Gerência de 2024, no valor de 3.542.972,15 euros, acrescido de 29.289,75 euros referentes a reposições não abatidas nos pagamentos, o saldo final do exercício ascende a 6.389.260,10 euros”. A composição do saldo atribuído a 2025 deve ser melhor esclarecida. Questões: O saldo positivo atribuído a 2025, de 6.389.260,10 euros, é o somatório do Saldo de Gerência positivo de 3.542.972,15 euros, em 2024, mais 29.289,75 euros das reposições, mais o Saldo Orçamental da Gerência, em 2025, de 2.816.998,20 positivos, qual é o Saldo efetivo de 2025? O orçamento de uma autarquia local é um Plano Financeiro anual, como é que o Saldo de Gerência de 2024 entra no mesmo Saldo em2025? Qual é a composição das reposições? Porque é que houve reposições? O que diz a Assembleia Municipal? O Partido Socialista deve esclarecer a comunidade. Um esclarecimento importante, por motivos políticos, e porque há quem diga que o “PS acusa a imprensa de omitir que deixou nos cofres da Câmara de Tomar mais de 6 milhões de euros”. Este erro de análise é vulgar, demonstra do imperativo de esclarecimento das questões colocadas no parágrafo anterior. O saldo orçamental acumulado não é disponibilidade em caixa, não passa de movimentos contabilísticos. Seria uma irracionalidade ter mais de seis milhões de euros em caixa. A boa gestão de tesouraria de qualquer organismo recomenda a tendência zero no saldo de caixa, ou seja, o mínimo possível e recomendável. Um saldo de caixa daquela dimensão é dinheiro parado, passivo, quando devia ser ativo, e coloca problemas de segurança enormes. Os valores em caixa devem estar de acordo com o Orçamento de Tesouraria, este existe na CMT? Nas Finanças Locais, por consequência da atividade constante, o Plano de Atividades, mais o Orçamento e o Orçamento de Tesouraria, devem emitir relatórios periódicos, estes são realizados na CMT? Se a CMT tem tanto dinheiro disponível porque não começou a fazer obras imperativas, como a substituição da rede de abastecimento de água no concelho ou outras? O Partido Socialista no seu comunicado realça coisas positivas que na sua governação foram realizadas pela CMT, em benefício da imagem de Tomar, como o da redução do Prazo Médio de Pagamentos a fornecedores, que terá passado de um ano para cinquenta dias. Muito bem. E fala das contas certas. Hoje, no país todos pretendem ter as contas certas. Em Tomar, instituições da Economia Social apregoam contas certas, apesar de acumularem prejuízos desde há muitos anos. Como afirmaram recentemente o Professor de Finanças Públicas Cavaco Silva, um Ex Secretário de Estado das Finanças do PS, um Banqueiro e outros economistas, por efeito de multiplicadores e de dívidas as contas nunca estão certas, só na aparência do equilíbrio. No relativo à imagem de Tomar, além da acusação no Médio Tejo de preferência pelas festarolas em vez de por projetos estruturantes, o PS nunca esclareceu devidamente a situação da Zona Industrial/ Empresarial em Santa Cita, nem da saída da Critical Software de Tomar, assuntos que, ao longo dos anos, tenho proposto o seu esclarecimento junto da comunicação social e da comunidade. Em 24 de abril de 2026, o Jornal Público editou uma reportagem sobre a empresa sueca SAAB, que está a pensar construir em Portugal parte dos aviões militares Gripen E/F, concorrentes do F 35 americanos. A SAAB recordou no artigo, “que já tem memorandos de entendimento activos com as OGMA-Oficinas Gerais Material de Aeronáutica e a Critical Software, duas empresas muito capazes, com um grande potencial para maior cooperação e colaboração”. A Critical Software instalou-se no Politécnico de Tomar em 2019, de onde saiu em meandros de 2024, por ter constatado que, em Tomar, não havia possibilidade de desenvolvimento. A Critical Software instalou-se em Tomar no reinado socialista, o PS nunca veio a público analisar a sua partida. Como tenho vindo a escrever ao longo dos anos todos estes casos acumulados com outros constituem um saldo negativo para Tomar e a sua imagem interna e externa. SÉRGIO MARTINS