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EDITORIAL - EDITORIAL - TRINTA ANOS É MUITO TEMPO

Turbo

2026-05-23 21:09:14

DIRETOR juliosantos@turbo.pt Assumi a direção da Turbo em maio de 1996 sucedendo ao fundador e até então diretor José Vieira a quem me ligava uma enorme amizade e uma profunda admiração profissional, pela coragem que teve em criar, 15 anos antes, uma revista para um segmento quase votado ao abandono e, sobretudo, pelo rigor que implementou em todos os processos do trabalho desenvolvido, tendo sido essa a chave para o sucesso da Turbo. Trinta anos é muito tempo. O tema principal da capa da minha primeira edição, recordo-me, era um teste comparativo entre o MG F e O BMW Z3, dois automóveis que não fizeram escola nem deixaram saudade. Saudade tenho (temos) desses tempos em que O Automóvel era muito mais do que um meio de transporte, ou um tablet com rodas. O mundo mudou de uma forma que nem mesmo o mais criativo filme de ficção científica se atreveria a antecipar e, inevitavelmente, o Automóvel acompanhou esse novo rumo. Olhar para trás é algo que faço com frequência, principalmente em datas como esta. Faço-o não por nostalgia mas porque esse é um exercício essencial para compreender onde estamos, embora sem a mínima veleidade de achar que, dessa forma, conseguirei vislumbrar para onde vamos. Fica-me dessa “viagem” no tempo a sensação de privilégio por me sentir parte espetador e ator , daquela que é maior revolução que O Automóvel está a conhecer desde a sua invenção vai para um século e meio. Trinta anos é muito tempo. Sinto-o de uma forma muito clara mas sem saudosismo. Como em tantas coisas da vida, também no caso do Automóvel O pragmatismo sobrepôs-se à paixão e, mesmo que, como a maior parte daqueles que nos acompanham desde a primeira edição (há 45 anos), por vezes me seja difícil entender que designações como Qualcomm ou Snapdragon (os processadores utilizados nos sistemas operativos de última geração) prevaleçam agora sobre aquelas que sempre nos acompanharam (McPherson, Binário, injeção direta, TDI...), sei bem que “o Mundo pula e avança” e de nada vale querer detê-lo. Bem pelo contrário, o que a Turbo tem feito é adaptar-se aos novos tempos sem ôno entanto afastarse de princípios que temos como essenciais e que SàO OS pilares da confiança que em nós continuam a depositar, todos os meses, milhares de leitores. e isso que faz da Turbo a publicação e referência, seja na edição em papel, seja no que respeita à nossa presença digital. Ser referência não é, para nós, sermos os mais comprados (embora sejamos uma das raras publicações que mantém a transparência de ser auditada pelo organismo independente competente), nem os mais “clicados” , porque não compramos “leitores” em máquinas ôno Paquistão, nem enveredamos pelo sensacionalismo e, ainda menos, pela mentira. Ser referência é e continuará a ser para nós mantermo-nos fiéis à verdade, mesmo que o preço a pagar seja, por exemplo, o “esquecimento” a que somos votados pelo Grupo Renault que não gostou que tivéssemos publicado os resultados dos testes de segurança levados a cabo pelo EuroNcap nos quais os automóveis da Dacia revelaram debilidades preocupantes. Trinta anos é muito tempo, 45 anos, a idade que a Turbo celebra dentro de três meses, ainda mais (tal como os 47 anos de jornalismo que já levo). Ao olhar para trás vejo claramente que o segredo para aqui chegar foi a teimosia de nos mantermos fiéis a um conjunto de princípios que temos como inegociáveis. Teria sido mais fácil contorná-los mas tenho a certeza de que teríamos ficado pelo caminho, como tantos outros. A confiança que continuam a depositar em nós é a resposta mais óbvia para a pergunta obrigatória nestas ocasiões: valeu a pena? JÚLIO SANTOS