PJ ABRE INVESTIGAÇÃO APÓS SUSPEITAS DE USO ABUSIVO DE CREDENCIAIS MÉDICAS
2026-05-23 21:09:14

A Polícia Judiciária abriu um inquérito a alegados acessos indevidos a registos de utentes do Serviço Nacional de Saúde, incluindo crianças, relacionados com a utilização indevida das credenciais de um médico da Unidade Local de Saúde do Alto Minho. A investigação foi avançada pela RTP e confirmada pela Polícia Judiciária à Lusa. Em comunicado, a ULS do Alto Minho esclareceu que os acessos terão resultado da utilização das credenciais de um médico por terceiros, afastando a hipótese de terem sido efetuados pelo próprio profissional. Segundo a instituição, “o compromisso das credenciais do médico terá resultado no acesso indevido a registos administrativos, não clínicos, de diversos utentes, entre os quais crianças”. A ULS acrescenta ainda que comunicou a situação às entidades competentes para apreciação de eventuais atos ilícitos. O caso surgiu após vários utentes relatarem nas redes sociais terem recebido notificações, através da aplicação SNS 24, a informar sobre acessos aos seus processos. As denúncias levaram à apresentação de queixas junto de diferentes entidades da área da saúde. À Lusa, o pai de uma criança de quatro anos contou que soube do acesso ao registo do filho depois de trocas de mensagens num grupo de pais no WhatsApp. Segundo o mesmo relato, “os acessos são às centenas na zona norte e centro do país”. De acordo com testemunhos de vários pais de um colégio da região Norte, os acessos terão ocorrido durante a madrugada e o início da manhã desta sexta-feira e, pelo menos num dos casos relatados, abrangeram também os registos de outros elementos do agregado familiar. O bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, afirmou à Lusa que recebeu dezenas de queixas relacionadas com alegadas consultas indevidas de processos clínicos de crianças atribuídas a um médico da ULS do Alto Minho, numa situação que poderá indiciar uma falha de cibersegurança no SNS. A Ordem dos Médicos informou ainda que enviou ofícios ao Ministério Público, aos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde e à ULS do Alto Minho, acrescentando que o caso está a ser acompanhado pelas entidades competentes. Contactados pela Lusa, os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde recusaram comentar casos concretos relacionados com matérias de segurança ou cibersegurança, mas garantiram que todas as comunicações relativas a possíveis incidentes são analisadas. Numa resposta escrita, os SPMS asseguraram também que mantêm “permanente articulação com as autoridades competentes” nestas situações e que, “sempre que há indícios de factos ilícitos, estes seguem os trâmites instituídos”. lusa/HN A Polícia Judiciária abriu um inquérito a alegados acessos indevidos a registos de utentes do Serviço Nacional de Saúde, incluindo crianças, relacionados com a utilização indevida das credenciais de um médico da Unidade Local de Saúde do Alto Minho. [Additional Text]: investigação_analyzing-financial-data-with-magnifying-glass-and-2026-04-13-23-14-32-utc_por ESBProfessional_ENVATO