BAIXAS COLATERAIS DA GUERRA DIGITAL
2026-05-24 21:09:07

O presidente do Automóvel Club de Portugal, Carlos Barbosa Insatisfeitos com a ação policial, cidadãos querem maior presença e mais ação nas ruas da Área Metropolitana Foto: Pedro Rocha Foto: Pedro Granadeiro É difícil perceber que uso poderá fazer um pirata informático com a informação contida nas fichas clínicas de crianças (e são potencialmente milhares), roubadas ao Serviço Nacional de Saúde. Mas a ignorância não tranquiliza ninguém, pelo contrário. Será que era de dados clínicos que o pirata (ou piratas) andava à procura? Ou o acesso através das credenciais de um médico foi apenas a ocasião que fez o ladrão, e procurava era outro tipo de informações sobre as crianças? Vai usar essa informação agora ou no futuro? Que impacto é que isso terá na vida das suas vítimas? Não sei se algum dia teremos respostas e tenho dúvidas que os serviços do Estado, incluindo as forças de segurança, as consigam. Não estão preparadas para este tipo de batalhas. Para além do alerta aos pais, não há esclarecimentos. Mas terá de haver. Independentemente de conseguir ou não explicar as razões e apanhar os criminosos, uma instituição que guarda dados de cidadãos é responsável por eles e tem de responder pela sua negligência, quando permite que sejam roubados. Mais ainda quando são crianças. Temos dúvidas, mas também certezas. No que diz respeito aos crimes digitais ou informáticos, a escala, intensidade e efeitos vão aumentar de forma exponencial com o recurso à inteligência artificial. Nos últimos meses, multiplicaram-se os alertas de especialistas para os efeitos nefastos do desenvolvimento de ferramentas como o Claude da Anthropic, o ChatGPT da OpenAI ou o Gemini da Google (para só referir os mais populares). As versões mais recentes dos dois primeiros, por exemplo, foram capazes de encontrar formas de contornar a segurança dos sistemas informáticos mais avançados do Mundo. Uma arma perigosa nas mãos erradas. Sejam essas mãos motivadas pelo extremismo político ou religioso, pelo dinheiro ou pela simples loucura. Se não nos defendermos e se não forçarmos as instituições do Estado a defenderem-se e, dessa forma, a defender-nos, seremos todos baixas colaterais de múltiplas guerras digitais. Rafael Barbosa