MUDANÇA NO REGIME DE MÉDICOS TAREFEIROS DO SNS É CORAJOSA , MAS REQUER CAUTELA , DIZ CEO DA CUF
2026-05-24 21:09:07

O CEO da CUF, Rui Diniz, diz ao Negócios e Antena 1 que as mudanças vão no “sentido correto” e que a solução não é ter “zero” médicos tarefeiros, até porque a saúde vive de “picos”. Como avalia o novo regime para os médicos tarefeiros? Vai ter impacto também no privado? Nós não conhecemos ainda bem a solução, mas não penso que se deva considerar que a solução é ter tarefeiros zero. Porquê? Porque a nossa atividade na saúde é uma atividade com picos. E, sendo uma atividade com picos, faz sentido que alguns desses picos sejam geridos, acomodados, com recursos que não estão lá permanentemente. É uma boa gestão de recursos. Muitas vezes as urgências não têm o mesmo tipo de necessidade em junho ou agosto do que e em janeiro ou dezembro, pelo que é natural que haja algum recurso. Agora, quando passa a um nível em que estamos mais dependentes de tarefeiros do que pessoas do quadro não é positivo. Ninguém consegue gerir uma instituição com pessoas que podem ir ou podem não ir, portanto, era preciso fazer alguma coisa, pelo que parece-me positivo que se esteja a tentar trabalhar nisso. É uma área que requer muita cautela, porque vamos passar para uma situação manifestamente diferente e fazer isso de forma demasiado rápida tem riscos. Mas parece-me que o que está a ser feito é corajoso e vai no sentido correto. Não posso ter a atividade de tarefeiros muito mais atrativa do que eu manter-me no quadro, porque senão acontece o que aconteceu com muitas pessoas: saio do quadro para me tornar tarefeiro. Isso não é positivo. Portanto, eu tenho que garantir que tenho atratividade para que as pessoas prefiram estar no quadro do que ser tarefeiro. Tudo o que for nesse sentido de alinhar os incentivos desta forma parece-me que vai na direção correta. Se vai ter efeitos em nós não tenho a certeza. Fazemos parte do sistema, não somos imunes, pelo que é natural que se o mercado de trabalho como um todo evoluir também tenhamos que ter alguma evolução, mas ainda não sabemos o suficiente para responder adequadamente. Por que razão há falta de médicos no SNS ou dificuldade em fixá-los? Primeiro, provavelmente, precisamos de mais médicos e, sobretudo, em algumas especialidades. Há áreas onde, claramente, temos de apostar mais, como a medicina interna ou anestesia, em que temos de as tornar mais atrativas, mas também já existem algumas áreas onde o SNS é muito competitivo do ponto de vista salarial, sobretudo então quando entram temas como a produção adicional torna-se muito atrativo e difícil até de contrapor. Em alguns casos, nós, na CUF, temos tido a capacidade de construir uma proposta de valor que já vai além do salário, damos muita carreira às pessoas que trabalham connosco, temos bolsas de doutoramento e projeto clínico, entre outros. Portanto, o tema salarial é relevante, mas o projeto clínico, capacidade de trabalhar em rede, de trabalhar com colegas multidisciplinarmente, de ter acesso a muita tecnologia e inovação é muito valorizado pelos médicos. Nós na CUF temos capacidade de atrair quadros, mas neste momento estamos confrontados com dificuldade de contratação de enfermeiros, porque há escassez. Não estamos em quebra, mas a rotatividade é grande. Temos hoje na CUF muita gente que trabalha em enfermagem por turnos e que se, de repente, tem vaga num centro de saúde em que se trabalha sem ser por turnos, sai. Essa é uma proposta de valor muito difícil de contrariar. Ou seja, está a acontecer o contrário: há profissionais a sair do privado para ir para o público. Em algumas áreas, temos tido o Serviço Nacional de Saúde muito competitivo e como o nosso principal concorrente no mercado de trabalho. Mudança no regime de médicos tarefeiros do SNS “é corajosa”, mas requer “cautela” A carregar o vídeo ... CUF enfrenta concorrência do SNS em áreas como enfermagem Diana do Mar dianamar@negocios.pt | Rosário Lira Antena 1 | João Cortesão - Fotografia Diana do Mar dianamar@negocios.ptRosário Lira Antena 1João Cortesão - Fotografia