PROMESSAS QUE SE ESFUMAM
2026-05-25 08:04:04

QUANDO FOI ANUNCIADA, com aparente convicção, a implementação do meio de transporte de nome estrangeirado Bus Rapid Transit (BRT) na Cidade dos Arcebispos, disse cá para com os meus botões: sim senhor, grande criatividade! Projeto, esse, que o atual executivo da Câmara Municipal de Braga (CMB) decidiu não acolher. Nem mesmo outro, dos apresentados por algumas forças político-partidárias, alternativo ao referido modelo. Contudo, aquele que apelidavam de símbolo da modernidade rapidamente se esfumou, sem qualquer comprometimento do Edil-mor para instalar aquele que seria o verdadeiro Metro. É certo que em algumas cidades do país o metro bus foi aceite e já funciona, não sei se bem ou mal, já que nada é dito sobre o seu desempenho. Mas que não passa de um autocarro articulado a rolar sobre pneus, é indesmentível. Pois pouco traz de vantajoso ao equipamento elétrico já existente, a não ser o facto de ser fator de descarbonização. Ficando no ar, no entanto, a questão sobre se tal opção dessas Autarquias pelo “parente pobre” do Metro sobre carris não terá sido, uma vez mais, dinheiro mal gasto? Em Braga, em minha opinião, certamente que sim. Achando eu, ter sido a forma encontrada pelos Autarcas para darem a volta ao assunto, fazendo os cidadãos esquecerem o transporte ideal que, sendo mais caro, teria o futuro assegurado. Dado ser o Metro , a circular sobre linhas férreas e em canal próprio , não só de elevada capacidade, como versátil e ajustável em carruagens. Algo capaz de, numa versão mais alargada, elevar os caudais de passageiros. Mais, conseguiria melhorar os tempos de viagem e, dessa forma, cumprir os horários previstos. Enquanto o BRT, anunciado como uma revolução na mobilidade, sofre das mesmas pechas de atrasos dos tradicionais transportes urbanos que vêm servindo os passageiros das urbes em todo o país. Daí, nada trazer de mais inovador, embora haja Municípios a embarcarem nestas e outras idiotices, com palavras cheias de purpurina a dourarem o seu discurso, dizendo estarmos perante um milagre sobre rodas. Chamem-lhe o que quiserem. Mas Metro é que o BRT não é. São remedeios de ocasião, mal engendrados e nada consensuais. Tal como teriam sido na nossa Bracara Augusta, caso não se tivesse arrepiado caminho. Já que se tivesse ido avante, a juntar às obras tão necessárias na rede viária local e aos túneis desfeitos para viabilizar o dito cujo, seria o verdadeiro caos na cidade e arredores. Mesmo assim, há Municípios, como o de Famalicão, a teimarem no Metrobus para ligação a Guimarães, como se estivesse aí esgotado o conceito de mobilidade. Quando tal projeto isolado da interligação entre as cidades do Quadrilátero Urbano, de que faz parte, não faz grande sentido. Uma coisa é certa, eleitos houve na nossa bimilenária Cidade dos Arcebispos que andaram durante mais de uma década a festejar as 3 vitórias eleitorais, em vez de tratarem destas coisas da mobilidade. Tendo sido , a pretexto do quero, posso e mando , descurada a criação de infraestruturas rodoviárias de que a cidade e o concelho hoje carecem. E não foi por falta de aviso, pois já se vem falando nelas e no Metro sobre carris desde o desaparecimento dos carros elétricos de boa memória. Enquanto na urbe bracarense tais empreendimentos mais parecem estagnados, na Invicta, segundo o JN, já há luz verde do Governo para o lançamento de uma nova Via de Cintura Externa e outra em túnel em alternativa às atuais VCI e circulares existentes. Oxalá o recente anúncio, divulgado pela CMB, do início da repavimentação da Avenida António Macedo seja o prenúncio de outras empreitadas de idêntico quilate. Para que não se diga que tudo quanto foi prometido por este executivo, em eleições, não passou de “promessas” que se esfumam no tempo. E siga o exemplo da empresa, DST, que acaba de brindar a cidade de Braga com um MUZEU de Arte Contemporânea no belo edifício do antigo Tribunal, a quem endereço o meu bem-haja. Narciso Mendes