MAIS DE 100 MIL PESSOAS FORAM VÍTIMAS DE ACESSO ILEGAL A DADOS DO SNS (E IA PODE TER AJUDADO)
2026-05-25 21:05:13

O caso começou a ganhar dimensão nas redes sociais e em grupos de WhatsApp, depois de vários pais relatarem ter recebido notificações, por SMS ou através do histórico de acessos do SNS24, a indicar que as fichas dos filhos tinham sido consultadas por um médico associado a Miranda do Corvo, apesar de não existir qualquer relação clínica com os utentes. A Polícia Judiciária (PJ) adiantou, esta segunda-feira em conferência de imprensa, novos dados sobre a investigação ao acesso ilegítimo a dados pessoais no Serviço Nacional de Saúde (SNS), depois de dezenas de utentes denunciarem consultas indevidas aos seus processos através da plataforma do SNS24. "Mais de 100 mil pessoas foram vítimas" deste acesso ilegal para o qual, suspeita a Judiciária, terá sido usada Inteligência Artificial (IA) para conseguirem aceder “num curto espaço de tempo” à informação. O acesso “foi permitido durante vários dias” mas a PJ ainda não têm suspeitos identificados. Quanto às vítimas, “mais de uma centena de milhar”, não há nada que, neste momento possam fazer. Além disso, a PJ não consegue garantir que não tem tido acesso a dados médicos, sendo certo que a dados pessoais tiveram. “O acesso já foi bloqueado e estão a ser aplicadas medidas de segurança para evitar que se repita”, acrescenta a Judiciária.Redes sociais e grupos de WhatsApp ajudaram a denunciar O caso começou a ganhar dimensão nas redes sociais e grupos de WhatsApp, depois de vários pais relatarem ter recebido notificações, por SMS ou através do histórico de acessos do SNS24, a indicar que as fichas dos filhos tinham sido consultadas por um médico associado a Miranda do Corvo, apesar de não existir qualquer relação clínica com os utentes. Entre os processos consultados estariam registos de menores, o que aumentou a preocupação dos pais e levantou dúvidas sobre o motivo do acesso aos dados. O bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, revelou ter sido informado pelos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) de que tudo aponta para uma usurpação das credenciais do profissional. O responsável já terá contactado o médico envolvido. À SIC, a Polícia Judiciária confirmou na semana passada a abertura de um processo-crime relacionado com o acesso ilegítimo às credenciais e a consequente consulta não autorizada de dados pessoais de um número ainda não determinado de utentes. Inicialmente, os relatos apontavam para acessos a "fichas clínicas", mas a administração esclarece agora que os acessos indevidos terão incidido sobre registos administrativos e não clínicos. O médico cujas credenciais terão sido comprometidas trabalha no Centro de Saúde de Monção, integrado na Unidade Local de Saúde do Alto Minho. [Additional Text]: Hospital (Arquivo) Ana Lemos