MAIS DE 100 MIL UTENTES DO SNS FORAM VÍTIMAS DE ACESSO ILEGAL A DADOS CLÍNICOS
2026-05-25 21:05:15

Os dados terão sido acedidos através das credenciais de um médico associado a Miranda do Corvo Foto: Pedro Correia A Polícia Judiciária (PJ) revelou esta segunda-feira que mais de 100 mil utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS), incluindo adultos e crianças de todo o país e das ilhas, foram vítimas de acessos indevidos aos seus dados através das credenciais comprometidas de um médico da Unidade Local de Saúde do Alto Minho. O diretor da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e Criminalidade Tecnológica (UNC3T), José Ribeiro, admitiu, em conferência de imprensa na sede da PJ, em Lisboa, a possibilidade de ter sido usada inteligência artificial (IA) para o ataque, tendo em conta o "grande volume" de informação recolhido num "curto espaço de tempo". Segundo o responsável, foi extraída uma quantidade de dados que "há poucos meses levaria três meses" a obter, o que poderá tornar a investigação "muito mais complexa". A PJ garantiu que os acessos indevidos já foram bloqueados, as credenciais utilizadas foram desativadas e a exfiltração de dados foi "estancada". Também estão em curso medidas adicionais de reforço de segurança. As autoridades continuam, porém, sem conseguir confirmar se os autores tiveram acesso apenas a dados administrativos ou também a informação clínica dos utentes. Inicialmente, suspeitava-se que os acessos incidissem sobretudo sobre processos de menores, mas a PJ considerou essas indicações "precipitadas". José Ribeiro afirmou ainda que até ao momento não existem suspeitos identificados e considerou improvável que o médico titular das credenciais utilizadas tenha sido o autor do ataque. O caso começou a ganhar dimensão depois de vários utentes relatarem nas redes sociais e em grupos de WhatsApp terem recebido notificações do SNS24 a indicar acessos às suas fichas por um médico com quem não tinham qualquer ligação clínica. Joana Silva