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RENAULT ESPACE E-TECH 200: A NOSTALGIA DE UM NOME LENDÁRIO COM UM NOVO FORMATO E UMA EFICIÊNCIA SURPREENDENTE

Sapo Online

2026-05-25 21:05:28

A Espace regressa em formato SUV de sete lugares com uma motorização híbrida suave e consumos que desafiam o tamanho da viatura. Não é o monovolume que muitos recordam com saudade, mas é um automóvel que vale a pena conhecer. Há nomes na história automóvel que transcendem os próprios modelos, e a Espace é um deles. Lançada pela Renault em 1984, foi o monovolume que inventou uma categoria inteira, transformou a forma como as famílias europeias viajavam e tornou-se, durante décadas, sinónimo de viagens longas, de espaço generoso e de uma certa ideia de conforto democrático. Para quem cresceu nas décadas de 80 e 90, é difícil dissociar o nome Espace das viagens de Verão. Não perca nenhuma notícia importante da atualidade de tecnologia e acompanhe tudo em tek.sapo.pt A título pessoal, a Espace 3 foi dos primeiros automóveis que conduzi, após tirar a carta, e foram muitas as viagens ao volante desse brilhante monovolume. Há muito, portanto, de subjetivo neste ensaio, e seria desonesto não o admitir desde o início. Com a chegada desta quinta geração, apresentada em 2023, a Espace é um automóvel completamente diferente dos seus antecessores. A Renault abandonou o formato monovolume, algo que a marca praticamente inventou, e converteu a Espace num SUV de sete lugares. Este novo formato, associado à linguagem de design atual da marca, vai ao encontro das preferências atuais do mercado. Entendo a escolha, mas não significa que aprove a decisão da mudança. Design e qualidade de construção Renault EspaceRenault EspaceRenault EspaceRenault EspaceRenault EspaceRenault EspaceRenault EspaceRenault EspaceRenault EspaceRenault EspaceRenault EspaceRenault Espace Visualmente, a nova Espace é um automóvel bem proporcionado no seu segmento. A versão Iconic aqui ensaiada, em Cinzento Báltico, beneficia de jantes de liga leve de 20 polegadas, faróis diurnos LED, assinatura luminosa traseira com indicador dinâmico de direção e faróis traseiros com efeito 3D, detalhes que conferem ao conjunto uma presença muito elegante. O teto panorâmico SolarBay é uma das opções mais bem conseguidas, permitindo controlar a opacidade do vidro de forma eletrónica. No interior, a evolução face às gerações anteriores é notável e imediata. A qualidade de construção e dos materiais saltou claramente de patamar. Os estofos em TEP cinza areia claro de origem biológica têm um toque agradável e um bom visual cuidado. O painel de instrumentos digital de 12,3 polegadas e o ecrã central openR link de 12 polegadas formam um conjunto coerente e, ao contrário do que receava inicialmente, acabaram por ser bastante intuitivos na utilização quotidiana. A Renault teve o cuidado de manter o comando de controlo do infoentretenimento junto ao volante, uma característica da marca há décadas e que continua a fazer toda a diferença na facilidade de utilização durante a condução. O teto panorâmico SolarBay foi, sem dúvida, um dos elementos que mais impressionou durante o ensaio, e não só a quem estava ao volante. Através de um simples toque num botão, o vidro transforma-se progressivamente de transparente para translúcido em segmentos independentes, criando uma experiência que mistura privacidade e luminosidade de uma forma que parece quase magia. Teto panorâmico SolarBayTeto panorâmico SolarBayTeto panorâmico SolarBay A minha filha de 5 anos, que acompanhou grande parte do ensaio, ficou absolutamente rendida à funcionalidade, e passava boa parte das viagens a pedir para ir ajustando os segmentos do teto. É o tipo de detalhe que não aparece nas fichas técnicas, mas que fica na memória. Há, no entanto, dois aspetos ergonómicos menos conseguidos que importa assinalar. O primeiro está relacionado com os botões de controlo do volume, que além de serem digitais, estão colocados na extremidade direita do ecrã central, numa posição de difícil alcance para o condutor. O segundo é um pouco mais sério (mas não é grave), o posicionamento do seletor da caixa de velocidades. A colocação deste, junto ao volante, revelou-se contraditório na prática, tendo levado, nos primeiros dias de ensaio, à ativação involuntária das escovas do limpa para-brisas quando a intenção era engatar a marcha atrás nos estacionamentos. É o tipo de confusão que desaparece com a habituação, mas que não faz sentido existir num automóvel desta categoria. Espaço e habitabilidade É neste capítulo que a conversão para formato SUV cobra o seu preço mais visível. A Espace pode ter sete lugares, mas a terceira fila é genuinamente limitada, e não nos estamos a refirir somente a adultos. O espaço para as pernas na terceira fila é reduzido, tornando obrigatório o ajuste cuidadoso dos bancos da segunda fila para que a terceira fila seja utilizável por qualquer pessoa de estatura média. Disposição dos 7 lugares no interior do novo Renault Espace Os bancos traseiros deslizantes 60/40 com encosto reclinável em configuração 40/20/40 oferecem alguma flexibilidade, mas a verdade é que quem cresceu com a sensação de espaço generoso das Espace anteriores vai sentir a diferença. A segunda fila, essa sim, é extremamente confortável e bem dimensionada. A bagageira, com um volume mínimo de 115 litros (com todos os lugares ocupados) e máximo de 1.711 litros, tem a amplitude que seria de esperar. Renault EspaceRenault EspaceRenault EspaceRenault EspaceRenault EspaceRenault EspaceRenault EspaceRenault EspaceRenault EspaceRenault EspaceRenault EspaceRenault Espace Motorização e condução A tecnologia por detrás desta motorização E-Tech Full Hybrid 200 é genuinamente interessante e mais sofisticada do que aparenta à primeira vista. O sistema recorre à combinação de um motor de combustão de três cilindros de 1.2 litros com 130 cv e 205 Nm de binário com dois motores elétricos. O principal de 50 kW (70 cv) e 205 Nm, é responsável pela propulsão elétrica, sendo o segundo, de 25 kW (34cv) e 50 Nm, um assistente em situações de arranque e na mudança de velocidades. Esquema representativo da solução E-Tech Full Hybrid 200 da Renault A potência combinada chega aos 200 cv, com um binário total de 410 Nm, o suficiente para garantir uma aceleração dos 0-100 km/h em 8,8 segundos. O coração do sistema é a caixa automática multimode, que combina dois modos de funcionamento do motor elétrico com quatro do motor de combustão, conferindo assim um total de 15 combinações possíveis. O resultado prático são cinco estados distintos de funcionamento, um modo totalmente elétrico, híbrido dinâmico (ambos os motores a propulsionar as rodas), e-drive (motor elétrico nas rodas, motor térmico a carregar a bateria), ICE (apenas o motor de combustão ativo) e regeneração (as rodas a acionar o motor elétrico para carregar a bateria). A gestão é totalmente automática, cabendo apenas ao condutor escolher o modo, e ajustar a intensidade do nível de travagem regenerativa através das patilhas do volante. Em termos de condução, o modo Confort foi aquele que genuinamente mais surpreendente, pela sua suavidade. Em cidade, onde o sistema mais brilha, é possível percorrer até 80% do trajeto em modo totalmente elétrico, e foi precisamente em contexto urbano que os consumos mais impressionaram, mantendo-se consistentemente abaixo dos 5 litros por cada 100 km. A bateria de apenas 2 kWh pode parecer pequena, mas a rapidez com que o sistema a recarrega, tanto pelo motor térmico como pela regeneração, torna-a surpreendentemente eficaz. Renault EspaceRenault EspaceRenault EspaceRenault Espace A direção 4Control advanced, com eixo traseiro direcional, revelou ser uma preciosa ajuda na agilidade da Espace, especialmente nas manobras onde, apesar das dimensões, dispõe de um raio de viragem comparável ao de um Renault Clio. Usando o modo Sport, a Espace transforma-se em termos de comportamento, tornando-se mais rápida e responsiva, mas impõe um uso mais intenso do motor de combustão, como se estivesse constantemente em esforço. Funciona, é divertido na estrada, mas não é o ideal para uma condução no dia-a-dia. O sistema de assistência à condução active driver assist, o regulador de velocidade adaptativo, a câmara 3D com visão 360º e o estacionamento mãos-livres funcionaram sem sobressaltos ao longo do ensaio. Destaque ainda para um detalhe muito agradável, quando utilizado circulámos em modo totalmente elétrico, os efeitos sonoros e a “música ambiente”. Renault EspaceRenault EspaceRenault EspaceRenault EspaceRenault EspaceRenault EspaceRenault EspaceRenault EspaceRenault EspaceRenault EspaceRenault EspaceRenault EspaceRenault EspaceRenault Espace Esta vertente ficou a cargo de Jean-Michel Jarre, o pioneiro da música eletrónica que a Renault convidou para sonorizar esta experiência em todos os modelos elétricos e eletrificados da marca. O resultado é uma transformação do silêncio do modo elétrico numa espécie de viagem sensorial. O mais curioso é que isto levou a redescobrir a obra de Jean-Michel Jarre, o que, para quem cresceu com o Espace e com a música eletrónica da mesma época, tornou toda a experiência em algo de “poético” nessa coincidência. Consumos e autonomia Outro campo onde esta motorização E-Tech Full Hybrid também surpreende pela positiva foi na questão dos consumos. Ao longo do período de ensaio, os consumos mantiveram-se consistentemente entre os 4 e os 5 litros por cada 100 km, tendo apenas superado os 6 litros quando circulou em autoestrada. Estes são valores impressionantes, quando recordamos que estamos perante um SUV de sete lugares com 200 cv de potência. O resultado prático foi uma autonomia que superou os 900 km num único depósito e com muita estrada, e poucos circuitos urbanos, que seriam o cenário ideal para esta solução. Para quem faz viagens longas com frequência, onde a Espace continua a ser um automóvel de excelência, poder associar o elevado conforto a bordo com este nível de eficiência só poderia resultar em algo bom. Conclusão A nova Espace revelou ser um automóvel bem construído, eficiente, tecnologicamente competente e com uma motorização que genuinamente surpreende pela suavidade e pelos consumos. Não é o monovolume que muitos de nós recordamos, e a terceira fila fica aquém do que o nome histórico prometia em termos de espaço. Mas é um automóvel honesto, refinado e capaz, tendo sido capaz de evocar, em certas situações como nas viagens longas, aquilo que tornava o modelo original tão especial. Disponível a partir de 43.580 euros na versão techno, e a partir de 48.380 euros nesta versão Iconic aqui ensaiada, a nova Espace é um modelo a ter em conta. Esta versão híbrida é perfeita para quem ainda não se converteu totalmente à eletrificação, e considere o meio termo a solução ideal. Ficha Técnica Motor - Full hybrid E-Tech, 3 cilindros, 1.199 cc + Motor elétrico Potência - 146 kW (200 cv) combinado Binário - 410 Nm (combinado) Bateria - 2 kWh (iões de lítio) Transmissão - Automática, tração dianteira 0-100 km/h - 8,8 segundos Velocidade máxima - 180 km/h Consumo - 5,0 l/100 km (WLTP combinado) Bagageira - 115 / 1.711 litros Lotação - 7 lugares Preço - a partir de 43.580 euros (unidade Iconic ensaiada: 53.900 euros) Assine a newsletter do TEK Notícias e receba todos os dias as principais notícias de tecnologia na sua caixa de correio.