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FARMÁCIAS ESTÃO NA LINHA DA FRENTE DE UM SISTEMA DE SAÚDE SOB PRESSÃO

Expresso Online

2026-05-25 21:05:33

Profissionais garantem estar disponíveis para uma integração maior com o Serviço Nacional de Saúde, mas faltam mecanismos que o permitam. Este será, entre 28 e 30 de maio, um dos temas em debate no 15º Congresso da Associação Nacional de Farmácias, a que o Expresso se associa como media partner Portugal tem hoje mais de 2.900 farmácias espalhadas pelo território e, todos os dias, centenas de milhares de pessoas entram numa delas. Num país a braços com um Serviço Nacional de Saúde (SNS) sob pressão e com dificuldade em garantir médico de família a todos os cidadãos, o balcão para levantamento de medicação ou aconselhamento é, para muitos portugueses, o primeiro ponto de contacto com profissionais de saúde. Luís Lourenço, farmacêutico e vice-presidente da Federação Internacional Farmacêutica (FIP), não tem dúvidas de que “somos uma porta de entrada para o SNS, mas depois de entrarmos ficamos no corredor". A questão central, aponta, é a falta de integração das farmácias , que, em Portugal, contam com uma média de quatro farmacêuticos por estabelecimento, acima da média europeia , com o sistema de saúde. 1,6 milhões é o número de portugueses que, segundo dados do Portal da Transparência do SNS, não têm acesso a médico de família Neste momento, a referenciação que os farmacêuticos fazem é informal. “Em bom português é dizer: tem que consultar o seu médico”, resume Luís Lourenço. Sem canais estruturados e sem troca de informação entre o consultório médico e a farmácia, é tudo o que é possível fazer. A integração, explica, passa precisamente por criar canais de referenciação formais, pela partilha de informação clínica e por uma redefinição do papel do farmacêutico no acompanhamento do doente crónico, com quem estes profissionais lidam “pelo menos seis vezes por ano” no levantamento da medicação, aponta Ema Paulino. A presidente da Associação Nacional de Farmácias não tem dúvidas de que esta é uma forma de manter a vigilância destes doentes, e, idealmente, de dar ao médico informação sobre eventuais alterações clínicas. A possibilidade de as farmácias terem, à semelhança do que acontece noutros países, um papel mais ativo no sistema de saúde e colaborarem com outros profissionais de saúde será, também, um dos temas do 15º Congresso das Farmácias, que acontece entre 28 e 30 de maio em Lisboa. No encontro será apresentado um estudo desenvolvido em parceria com a Universidade Nova de Lisboa que analisa o valor da rede de farmácias não apenas do ponto de vista clínico, mas também económico e territorial. "Há zonas em que a farmácia é o único serviço disponível", sublinha Luís Lourenço. “Contactamos com uma grande parte da população todos os dias. Teoricamente, num mês, passa pelas farmácias portuguesas toda a população portuguesa”, acrescenta Ema Paulino, que defende haver espaço para que as farmácias possam ter uma integração mais profunda no sistema de saúde. No congresso, que se realiza no Centro de Congressos de Lisboa e conta com o Expresso como media partner, vão ser ainda debatidos temas como a tecnologia ao serviço da saúde e a importância de uma comunicação próxima entre farmacêuticos e a comunidade. Veja abaixo todos os detalhes do evento. 15º Congresso das Farmácias O que é? O Congresso das Farmácias, organizado pela Associação Nacional das Farmácias e a que o Expresso se associa como media partner, regressa ao Centro de Congressos de Lisboa entre 28 e 30 de maio para debater os principais desafios do sector da saúde e o papel das farmácias comunitárias na resposta às necessidades da população. Sob o mote da proximidade e da integração de cuidados, o encontro reúne decisores políticos, profissionais de saúde, académicos e representantes do sector para discutir temas como o acesso à saúde, a articulação entre diferentes níveis de cuidados, a inovação tecnológica e a prevenção. Quando, onde e a que horas? O congresso acontece nos dias 28, 29 e 30 de maio, no Centro de Congressos de Lisboa. Quem são os oradores em destaque? Consulte o programa completo aqui. Álvaro Almeida, diretor-executivo do Serviço Nacional de Saúde;Armindo Monteiro, presidente da CIP;Ema Paulino, presidente da Associação Nacional de Farmácias;Hélder Mota Filipe, bastonário da Ordem dos Farmacêuticos;Janet Morrison, CEO na Community Pharmacy England.Pedro Brinca, professor na NOVA SBE;Pedro Pita Barros, professor catedrático na NOVA SBE;Ricardo Baptista Leite, CEO da HealthAI;Rita Sá Machado, diretora-geral da Direção Geral da Saúde. Porque é que este tema é importante? Num contexto marcado pelo envelhecimento demográfico, pela pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde e pelas dificuldades no acesso a cuidados, a integração entre diferentes prestadores de saúde tornou-se um dos principais desafios do sistema. As farmácias comunitárias, pela sua proximidade às populações e cobertura territorial, são cada vez mais apontadas como parceiros relevantes na prevenção e acompanhamento de doentes crónicos. Este projeto é apoiado por patrocinadores, sendo todo o conteúdo criado, editado e produzido pelo Expresso (ver Código de Conduta), sem interferência externa. Francisco de Almeida Fernandes Jornalista [Additional Text]: Farmácias estão na linha da frente de um sistema de saúde sob pressão Francisco de Almeida Fernandes