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LISBOA TORNA-SE PEÇA CENTRAL DA APOSTA EUROPEIA DA PFU NA INTELIGÊNCIA DOCUMENTAL

Digital Inside Online

2026-05-25 21:05:40

Com um investimento superior a 3,3 milhões de euros até 2031, a PFU (EMEA), empresa do Grupo Ricoh especializada em captura e digitalização documental, quer transformar Lisboa num centro europeu de suporte, inovação operacional e desenvolvimento de soluções ligadas à inteligência artificial A transformação digital das organizações entrou numa nova fase. Se durante anos o foco esteve na digitalização de documentos, a crescente adoção de inteligência artificial está a deslocar a atenção para um desafio mais complexo: transformar informação dispersa e não estruturada em dados utilizáveis por sistemas automatizados. É neste contexto que a PFU, empresa do Grupo Ricoh dedicada ao desenvolvimento de soluções de captura documental, decidiu reforçar a sua presença em Portugal através de um plano de investimento superior a 3,3 milhões de euros até 2031. O projeto pretende consolidar Lisboa como um centro europeu de suporte técnico, inovação operacional e desenvolvimento de novas soluções associadas à inteligência artificial e à gestão documental. A operação portuguesa conta atualmente com 14 colaboradores, responsáveis pelo suporte técnico de primeiro nível para clientes e parceiros em toda a região EMEA (Europa, Médio Oriente e África). Segundo Jesús Cabañas Moreno, Diretor para o mercado ibérico da PFU, em declarações ao Digital Inside, esta estrutura da empresa deverá crescer nos próximos anos, acompanhando a expansão dos serviços prestados a partir da capital portuguesa. Mais do que um centro de assistência técnica, Lisboa assume um papel crescente na estratégia europeia da organização. A equipa local participa na formação de parceiros, no desenvolvimento de novas soluções e na integração de tecnologias próprias com produtos de terceiros. O objetivo passa por criar respostas mais ajustadas às necessidades específicas de setores como saúde, educação, justiça e administração pública, áreas onde a digitalização documental continua a desempenhar um papel relevante na modernização dos processos. Um dos aspetos mais relevantes desta estratégia passa pela especialização por mercados verticais. A empresa defende que a tecnologia só gera valor quando é adaptada aos processos concretos de cada atividade económica. Na prática, isso significa desenvolver soluções que compreendam as necessidades de um hospital, de uma escola ou de um departamento financeiro, em vez de disponibilizar apenas ferramentas genéricas de digitalização. A aposta da PFU assenta na ideia de que a qualidade dos dados será um dos fatores decisivos para o sucesso dos projetos de inteligência artificial nas empresas. A organização considera que a simples conversão de documentos em ficheiros digitais já não é suficiente para gerar valor. O foco passa agora pela captura, classificação e estruturação da informação, permitindo alimentar aplicações de automação, análise de dados e inteligência artificial com informação fiável e organizada. Para sustentar esta visão, a empresa está a expandir o seu portefólio de software para captura e gestão inteligente de dados, ao mesmo tempo que desenvolve novas soluções baseadas em IA. Entre as tecnologias recentemente disponibilizadas encontram-se ferramentas destinadas à melhoria da qualidade das imagens digitalizadas e plataformas de captura documental capazes de extrair e classificar informação automaticamente, preparando-a para utilização por sistemas empresariais, plataformas de automação ou aplicações de inteligência artificial. Outra dimensão importante da estratégia passa pelo canal de distribuição. A PFU mantém um modelo de negócio assente exclusivamente em parceiros, sem vendas diretas ao cliente final. Mesmo após a aquisição pela Ricoh, a empresa continua a operar de forma autónoma na Europa, reportando diretamente à estrutura japonesa e mantendo independência operacional relativamente às subsidiárias locais da Ricoh. Essa autonomia reflete-se também na estratégia comercial, em que a própria Ricoh surge como um dos distribuidores das soluções da PFU em vários mercados, incluindo Portugal. A empresa reforçou recentemente a sua rede de distribuição em Portugal com a entrada da TD SYNNEX e da Esprinet, procurando aumentar a cobertura do mercado e aproximar-se dos clientes através de parceiros especializados. Em paralelo, está a investir na qualificação dos revendedores tradicionais de hardware para funções de consultoria e integração tecnológica, acompanhando a evolução das necessidades dos clientes empresariais. A aposta portuguesa surge num momento em que as organizações procuram extrair valor dos seus repositórios documentais, muitos deles ainda compostos por informação dispersa entre papel, ficheiros PDF e sistemas isolados. Para Jesús Cabañas Moreno, a digitalização eficaz depende cada vez mais da capacidade de transformar esses conteúdos em dados estruturados e preparados para análise automatizada. É uma visão que procura posicionar a captura documental não como uma função administrativa de retaguarda, mas como uma etapa fundamental na cadeia de valor da economia digital. A estratégia estende-se igualmente à preservação documental e patrimonial. Entre os projetos realizados pela empresa encontra-se a digitalização dos arquivos históricos do Dicastério para a Comunicação, no Vaticano, incluindo documentos com mais de um século. A iniciativa ilustra uma dimensão frequentemente menos visível da digitalização: a conservação e disponibilização de informação que, de outra forma, poderia degradar-se ou tornar-se inacessível. Caso os objetivos definidos sejam concretizados, a PFU admite duplicar a dimensão da operação portuguesa nos próximos cinco anos, reforçando o papel de Lisboa como plataforma de apoio ao crescimento europeu da empresa e ao desenvolvimento da próxima geração de soluções de inteligência documental. João Miguel Mesquita