ESPECIALISTAS DESMONTAM TEORIAS DA CONSPIRAÇÃO - HANTAVÍRUS NÃO É COVID-19
2026-05-25 21:05:40

Atúalidade CRISE DE SAuDE PuBLICA TEORIAS D& CONSPIRAÇAO REGRESSAM COM HANTAViRUS UM NOVO VÍRUS QUE se espalhou num navio de cruzeiro despertou os influencers dedicados a espalhar desinformação online sobre as causas da doença O surto de hantavírus a bordo do navio de cruzeiro holandês MV Hondius matou pelo menos três pessoas e instigou o pânico global, numa altura em que as consequências da pandemia de Covid-19 estão ainda bem frescas na memória coletiva. Enquanto as autoridades tentam conter a doença numa operação que tem a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) na linha da frente , uma onda de teorias da conspiração voltou a emergir, liderada por influencers das redes sociais, regra geral, associados a movimentos de extrema-direita. O norte-americano Alex Jones foi um dos primeiros a espalhar desinformação e fake news sobre o tema: “Alerta de confinamento: os globalistas lançam a Covid 2.0 enquanto o hantavírus se espalha pelo mundo”, escreveu, no x, o polémico radialista, próximo de figuras como Donald Trump e Jair Bolsonaro, que sempre desvalorizaram o coronavírus. Quase imediatamente, as publicações sobre as causas da eventual crise de saúde pública multiplicavam-se nas redes sociais = espalhando-se mais velozes do que o próprio vírus. As principais teses alegam, falsamente, que o hantavírus é uma pandemia planeada ou uma manobra para interferir nas eleições intercalares nos EUA, agendadas para 3 de novembro, que marcam meio mandato presidencial. Outras recuperam a tese de que o vírus não passa de uma “ arma biológica” criada pelas grandes farmacêuticas para envene-nar” as pessoas ou até mesmo um efeito colateral da vacina contra a Covid-19 da Pfizer. o facto de a doença ter sido identificada a bordo de um navio de cruzeiro contribuiu para um conjunto de publicações que defendem que o MV Hondius “não foi contaminado por acaso”, mas “selecionado pelas elites globais para testar novos modelos de confinamento”, lê-se em mensagens que a Domingo identificou online . Como também aconteceu por altura da pandemia da Covid-19, vários influencers portugueses já entraram no jogo: “Isto [o hantavírus] é apenas o exercício de simulação para preparar o público para futuras restrições na circulação de pessoas”, lê-se em fóruns que partilham opiniões sem qualquer base científica. As teorias da conspiração insistem ainda numa “estratégia das multinacionais farmacêuticas” e voltam a apontar o nome do multimilionário Bill Gates como “inimigo”. Carlos Lima Alves, especialista em doenças infecciosas do Centro Hospitalar Universitário SAO João, no Porto, admite que esta é uma situação que tem gravidade para as pessoas que contraem a doença”, tendo em conta “ a elevada taxa de mortalidade, que pode ser de 50%”. Ainda assim, o médico afastou cenários catastróficos: “Podemos estar tranquilos, pois as coisas parecem controladas. Não tem nada a ver com o caso da Covid-19.” A explicação para o surto parece agora mais simples, embora as autoridades continuem à procura da origem. O primeiro caso de hantaví- rus foi detetado a bordo do MV Hondius, um navio de cruzeiro que levantara âncora a 20 de março, em Ushuaia, na Terra do Fogo (Argentina), e realizara várias excursões pela Antártida. A 1 de abril, o navio regressou a Ushuaia, de onde partiu novamente, agora rumo a norte, para uma travessia transatlântica. Dias depois, um cidadão holandês, de 70 anos, adoeceu gravemente, acabando por morrer a bordo no dia 11 desse mês. Antes de se con-cluir que o homem tinha sido infetado pela estirpe Andes que faz parte da família dos hantavírus, endémica das Américas, e é transmitida aos seres humanos através do contacto com urina, excrementos ou saliva contaminados de roedores infetados =, O navio ainda fez paragens nas ilhas de Tristão da Cunha e Santa Helena, com 147 pessoas a bordo, de 23 nacionalidades. Desavisados, tripulação e passageiros desconheciam, por essa altura, que a doença podia ser transmitida entre seres humanos através de contacto próximo e prolongado. Em Santa Helena, 30 passageiros desembarcaram, entre os quais a viúva, de 69 anos, da então única vítima mortal. Transportada para a Africa do Sul, a mulher preparava-se para regressar aos Países Baixos num voo de Joanesburgo, quando adoeceu. Ainda chegou a entrar no avião, mas o agravamento do seu estado de saúde obrigou a uma transferência para um hospital local, onde morreria apenas dois dias depois, a 26 de abril. O pânico instalou-se definitivamente quando um terceiro passageiro a bordo do MV Hondius, um alemão de 65 anos, apresentou os mesmos sintomas que incluem febre, dor de cabeça, dores musculares e sintomas gastrointestinais, tais como dor abdominal, náuseas ou vómitos. O pacien-te morreu a bordo no dia 2 de maio. Com a OMS e a ECDC em cima do assunto, seguiu-se uma rota de isolamento. O navio esteve ancorado vários dias em Cabo Verde, país sem condições para a realização do desembarque em segurança. os passageiros só puderam desembarcar em Tenerife, nas Canárias (Espanha). Foram todos transferidos para os seus países de origem, onde cumprem quarentena. Entretanto, mais oito pessoas testaram positivo ao hantavírus. O MV Hondius seguiu depois para Roterdão, nos Países Baixos, com 27 tripulantes a bordo. Atualmente cumprem o isolamento de seis semanas num espaço monta-do para esse efeito. Entretanto, as autoridades de saúde internacionais continuam a procurar contactos ligados ao surto mais de 440 pessoas já foram identificadas e testadas em pelo menos 30 países. Em Portugal, uma pessoa, de nacionalidade portuguesa, deu entrada no início da última semana no Hospital de são Francisco Xavier, em Lisboa, de acordo com a RTP. Após a execução das normas da Direção-Geral da Saúde, o teste efetuado deu resultado negativo, mas a pessoa seguiu para O Hospital Curry Cabral. Fernando Maltez, diretor de infecciologia do Hospital Curry Cabral, em Lisboa, explicou à Domingo que a partir do momento em que se detetou que a origem do problema era MEROTO um hantavírus foram tomadas as medidas para controlar a infeção, naquele ambiente”. “Sabemos como se pode prevenir e travar esta infeção. Por isso, não considero que estejamos perante um problema grave de saúde pública. Isso só aconteceria se as medidas de controlo postas em prática fossem rompidas, mas não me parece que possa existir esse problemas daqui para a frente”, afirmou. O CONSPIRACIONISTA ALEX JONES LANçOU TEORIAS SOBRE O CASO DO HANTAViRUS TRéS PASSAGEIROS DO MV HONDIUS MORRERAM APoS SEREM INFETADOS A ESTIRPE ANDES DO HANTAViRUS ATACA OS PULMõES EO CORAçAO 0 A maior parte dos passageiros do MV Hondius desembarcou nas Canárias 2 Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, acompanhou, de perto, o processo de desembarque 8 o navio de cruzeiro vai ser submetido a um processo de limpeza e desinfeção, em Roterdão, e deverá voltar a navegar em julho João Amaral Santos