pressmedia logo

MAIS DE 100 MIL UTENTES DO SNS AFETADOS NO CASO DE ACESSO ILEGAL A FICHAS CLÍNICAS

Tv Online Fama TV

2026-05-26 21:06:05

Mais de 100 mil utentes do Serviço Nacional de Saúde terão sido afetados por um acesso ilegítimo a dados clínicos realizado através das credenciais comprometidas de um médico. A Polícia Judiciária revelou esta segunda-feira que o caso está a ser investigado pela Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e Criminalidade Tecnológica (UNC3T), admitindo que o ataque possa ter recorrido a ferramentas de inteligência artificial. Durante uma conferência de imprensa na sede da PJ, em Lisboa, José Ribeiro explicou que os autores conseguiram retirar um volume muito significativo de informação em poucos dias, recorrendo a métodos que surpreenderam os investigadores pela rapidez. O diretor da UNC3T afirmou que a quantidade de dados obtida num curto espaço de tempo corresponde a um processo que, “há poucos meses levaria três meses” a concluir, cita a agência Lusa. A possibilidade de terem sido usadas soluções de inteligência artificial está agora em cima da mesa e preocupa os investigadores, já que, segundo José Ribeiro, isso poderá “tornar o trabalho muito mais complexo”. As autoridades encontram-se atualmente a analisar os elementos recolhidos e a seguir diferentes linhas de investigação. Até ao momento, não foram identificados suspeitos e a PJ garante que nenhuma hipótese foi excluída. Apesar de o acesso ter sido feito com credenciais associadas a um médico, a polícia considera improvável que o profissional de saúde seja responsável pelo ataque. “Dificilmente poderemos dizer que o médico [a quem pertencem as credenciais comprometidas] foi o autor”, afirmou José Ribeiro. A PJ confirmou ainda que as vítimas estão distribuídas por todo o país, incluindo as ilhas. O responsável esclareceu também que as primeiras informações que apontavam para um impacto particularmente elevado sobre dados de menores foram divulgadas “de forma precipitada”. Entretanto, o Ministério da Saúde já terá adotado várias medidas para conter o incidente. Segundo a informação transmitida à PJ, as credenciais utilizadas no acesso indevido foram desativadas, a fuga de informação foi interrompida e alguns equipamentos foram apreendidos para análise técnica. Estão igualmente a ser implementadas novas medidas de reforço da segurança. A investigação procura agora perceber não apenas quem esteve por detrás da intrusão informática, mas também qual o objetivo da operação. “Quem e para quê” continuam a ser, segundo José Ribeiro, as questões centrais do caso. José Ricardo Barbosa