FERRARI LUCE ENFURECE FÃS E PROVOCA DERRAPAGEM DE MAIS DE 8% NAS AÇÕES DA EMPRESA
2026-05-26 21:06:06

Acumulam-se os adjetivos desfavoráveis ao recém-apresentado Ferrari Luce. O primeiro elétrico da mítica marca está a fazer derrapar as ações nos mercados bolsistas e já há quem especule sobre a continuidade da estratégia da marca na mobilidade elétrica “Não tem a alma da Ferrari”, “uma vergonha para a mítica marca italiana”, “parece uma limusine do Fiat Panda”, “uma Apple Store com rodas” ou ainda “uma coisa que assusta”. As manifestações de desagrado pelo Ferrari Luce, apresentado esta segunda-feira à noite, em Roma, multiplicam-se um pouco por todo o lado, sobretudo nas redes sociais. Como se isso não bastasse, as ações da Ferrari sofreram um rombo na Bolsa de Milão: fecharam a cair 8,37%. De acordo com Henrique Tomé, especialista em mercados da consultora XTB, “a estética do novo carro claramente não funcionou e gerou uma onda de contestação à escala global e isso está a projetar-se no mau desempenho das ações da Ferrari, que sempre foi uma das melhores dos mercados bolsistas, no seu segmento”. Ações da Ferrari caíram 40% desde o seu máximo histórico Em declarações ao Expresso, Henrique Tomé nota que as ações da Ferrari valem, hoje, menos 41,2% do que no seu máximo histórico (registado em 18 de fevereiro de 2025, com cada ação a cotar nos EUR483, contra os EUR284 desta terça-feira). Aquele analista sublinha que, praticamente desde o momento em que a marca anunciou a sua intenção de avançar para a mobilidade elétrica que as ações da Ferrari não pararam de cair, o que se acentuou hoje, poucas horas depois da apresentação do Ferrari Luce 100% elétrico. Numa nota emitida na manhã desta terça-feira, Henrique Tomé já notava que “o problema é simples: o Luce parece ser algo que os fãs da Ferrari não querem. No X, os utilizadores compararam o carro de EUR550 mil a um Nissan Leaf com um preço na casa dos EUR30 mil”. E enfatiza que vários seguidores da marca “começaram a criar os seus próprios redesenhos no ChatGPT e no Grok - com cada um deles mais baixo, mais elegante, mais ao estilo da Ferrari. Até os carros elétricos chineses receberam melhores críticas nestas comparações”. Um cliente da Ferrari , que já tem várias unidades na sua garagem - disse ao Expresso que “além de nunca comprar um carro elétrico este [o Luce], então, é que nem pensar. É horrível”. Mas admite que haja “montes de fanáticos ” a querer comprar “só porque é o primeiro que sai”. E conclui dizendo que, no futuro, não vê que o Ferrari Luce possa ter sucesso e que “até acaba por banalizar a marca”. A única coisa que aprecia no novo Luce é o sistema de abertura de portas, abrem de forma invertida (também conhecidas como portas "suicidas"). Este cliente do norte do país admite, no entanto, que mesmo que a marca recue na sua estratégia para a eletrificação total dos seus modelos, o Luce (de que não se sabe a quantidade de unidades que serão colocadas no mercado), dentro de algum tempo, “será um carro de coleção”. “No papel é um carro impressionante” E lamenta que a marca tenha “perdido três ou quatro” anos a trabalhar neste modelo totalmente elétrico, sendo que, considera, “está condenado ao fracasso”. “Basicamente a Ferrari fez este carro só para não ficar para trás e para poder dizer que também já tem um modelo elétrico”. E recorda o recuo recente da Lamborghini precisamente na eletrificação total dos seus modelos, por ter concluído que não havia mercado. Henrique Tomé, da XTB, sublinha que, “no papel, o carro em si é impressionante”: quatro motores elétricos, totalizando uma potência de mais de 1.000 cavalos, acelera dos 0 aos 100 km/h em 2,5 segundos, apresenta uma autonomia de cerca de 530 km e uma arquitetura de 880 V com capacidade de carregamento de 350 kW. Não é coisa pouca. Vítor Andrade Coordenador de Economia Vítor Andrade