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CARNEIRO COM “DOIS COMPROMISSOS FUNDAMENTAIS” NA SAÚDE: NÃO IR PELAS "SOLUÇÕES FÁCEIS" E NÃO RECUSAR EM BLOCO A HERANÇA QUE CONTA RECEBER

Expresso Online

2026-05-26 21:06:07

Líder do PS defende a criação do Registo Único de Saúde para casa utente, mas reconhece que a medida é “muito difícil” de implementar. Admite também que na valorização das carreiras médicas o problema é muito mais do que salarial Criticando, mais uma vez, o Plano de Emergência e Transformação da Saúde (PETS), lançado pelo governo em maio do ano passado, José Luís Carneiro, secretário-geral do PS, estabeleceu esta terça-feira de manhã “dois compromissos fundamentais” do partido para o setor da Saúde. “Não procurarmos oferecer respostas fáceis para questões que são complexas e que são difíceis” e, por outro lado, “sermos capazes de reconhecer aquilo que está a ser bem feito e não irmos contra aquilo que está a ser bem feito só pelo facto de não ter sido proposto por nós”. Para o líder socialista, que falava numa conferência em Lisboa sobre o PETS organizada pelo grupo parlamentar do seu partido, esta é uma forma de “evitar cair nos erros” que atribui à governação da AD no setor da Saúde. Dizendo que a forma “mais diplomática” de qualificar o PETS era considerá-lo “voluntarista” e “sem conteúdo”, o líder socialista criticou também as respostas que o Governo tem vindo a anunciar para a emergência médica: “Vejo com preocupação aquilo que se vai fazer porque aquilo que vi é uma pulverização da resposta da emergência médica”, afirmou - e recordando, mais uma vez, que o Executivo não quis saber das propostas que o PS lhe fez nesta matéria em julho do ano passado. Carneiro aproveitou também para reiterar que o PS participará “de bom grado” no Pacto Estratégico para a Saúde lançado pelo Presidente da República. As propostas fundamentais do partido são para que saia deste plano a determinação de se criar uma “lei de programação plurianual para investir em meios e recursos, por forma a que haja estabilidade no financiamento do investimento relativo às infraestruturas, aos equipamentos, aos meios e aos recursos”. “Há todo um campo de convergência política sobre o qual poderemos e deveremos todos trabalhar. E essa é a vontade e a disponibilidade do PS”, afirmou. Por outro lado, há a questão da valorização das carreiras do SNS. Aqui defendeu que, nomeadamente para os médicos, “a questão fundamental não é uma questão de remuneração”. É antes “uma questão de as pessoas terem um planeamento da sua vida que permita que possam desenvolver processos de aprendizagem e de qualificação, poderem ter outros interesses nomeadamente no seu desenvolvimento pessoal, e também no contributo que podem dar ao desenvolvimento organizacional do SNS”. Outro tema do PS para o pacto presidencial será, segundo o líder socialista, “garantir maior autonomia às administrações hospitalares” e “qualificar as administrações”, assegurando que “o conhecimento, as qualificações e as experiências são o primeiro critério para fazer as escolhas para quem assume tão grandes responsabilidades”. “É uma área que deve suscitar uma ampla convergência política para procurarmos garantir que nas administrações hospitalares temos a qualidade, a experiência, o mérito, uma cultura de serviço público e uma cultura de compromisso com os interesses gerais do Estado”, afirmou, dizendo que “é preciso que os conselhos da administração possam realizar despesa em termos e em tempos oportunos” não tendo de ficar sempre à espera de autorização central. Carneiro referiu também como prioritária a necessidade de se criar um Registo Único de Saúde, de forma a que todos os sistemas de saúde - o público mas também o privado e o social - tenham acesso a tudo o que importa no ficheiro clínico de cada utente. Aqui, porém, salientou a dificuldade de concretizar a medida. “Isto parece simples, mas é muito exigente porque leva à integração dos sistemas tecnológicos - é uma área muito difícil, muito difícil”, afirmou. Ou, dito de outra forma: “É preciso ter coragem, é preciso insistir, é preciso dar força a quem tenha responsabilidade de garantir essa integração, mas ela é indispensável para conseguir alcançar uma alteração” na forma como se circula nos sistemas de saúde, impedindo, por exemplo, “repetições de exames diagnósticos consoante o ponto de entrada” dos utentes nos serviços. Insistiu ainda noutras duas medidas: a criação da carreira de médico dentista (medida já aprovada no Parlamento por proposta do PS) e a integração dos internatos na carreira médica. João Pedro Henriques Jornalista João Pedro Henriques