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CREDENCIAIS ROUBADAS DO SNS EXPÕEM INFORMAÇÃO DE MAIS DE 100 MIL PORTUGUESES. COMO VERIFICAR SE OS SEUS DADOS FORAM COMPROMETIDOS?

Sapo Online

2026-05-26 21:06:09

Foi necessário apenas um login roubado para abrir portas ao SNS, com dados de 100 mil utentes acedidos ilegalmente. Mais de 100 mil utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) foram alvo de acessos indevidos aos seus dados pessoais, num incidente que expôs fragilidades graves na segurança digital do sistema público de saúde. Segundo o Expresso, a investigação da Polícia Judiciária revelou que o ataque foi realizado através de credenciais comprometidas de um médico da Unidade Local de Saúde do Alto Minho. As credenciais foram usadas para consultar, de forma massiva e automatizada, registos administrativos de utentes distribuídos por todo o país. Não perca nenhuma notícia importante da atualidade de tecnologia e acompanhe tudo em tek.sapo.pt As autoridades de investigação acreditam que tenha sido utilizada inteligência artificial para acelerar o processo de recolha dos dados, por ter sido feito num período demasiado curto, numa elevada escala e alta velocidade do acesso. Apesar de inicialmente se ter especulado que o ataque teria como alvo preferencial os dados informáticos de crianças, a PJ esclareceu que essa perceção resultou apenas do facto de muitos pais terem sido os primeiros a verificar as notificações de acesso no portal do SNS. Ao todo, as vítimas correspondem a todas as faixas etárias, mas os acessos confirmados são sobre dados administrativos dos utentes, tais como a identificação, contactos e outras informações adicionadas na inscrição. Ainda assim, as autoridades não afastam o cenário dos dados clínicos terem sido também consultados. Já as credenciais utilizadas no ataque foram desativadas, tendo sido apreendidos os equipamentos envolvidos no acesso, para análise forense. Ainda não existem suspeitos identificados, abrindo-se assim todos os cenários possíveis, desde motivações maliciosas até potenciais usos comerciais dos dados roubados. Em declarações à CNN Portugal, José Ribeiro, diretor da unidade cibercrime da PJ, apelou que os médicos alterassem as suas credenciais de acesso como medida de segurança. Quem pode aceder aos dados e como verificar se a sua informação foi comprometida? O caso reacendeu o debate sobre a responsabilidade das instituições de saúde na proteção da informação dos cidadãos e sobre a necessidade de reforçar práticas de segurança digital. A Ordem dos Médicos sublinha que os profissionais só podem aceder a dados clínicos no âmbito da prestação de cuidados, e que qualquer acesso fora desse contexto constitui uma violação grave, sujeita a processos disciplinares e legais. A ULS do Alto Minho confirmou que o médico em causa não esteve envolvido no ataque e que as suas credenciais foram roubadas. Já o Ministério da Saúde remeteu esclarecimentos para os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, que garantem estar a analisar o incidente. Em paralelo, especialistas em cibersegurança têm reforçado a importância de os cidadãos utilizarem as ferramentas de transparência e auditoria já disponíveis no SNS24. A CYBERS3C explica como ativar alertas de acesso aos dados clínicos, consultar o histórico de quem acedeu à informação de saúde e a gerir autorizações de consulta. Estas funcionalidades permitem que cada utente receba notificações sempre que um profissional acede aos seus dados, identifique acessos suspeitos e mantenha um maior controlo sobre a sua privacidade digital. Num contexto em que incidentes como este se tornam mais frequentes e sofisticados, a literacia digital e a participação ativa dos cidadãos na proteção dos seus próprios dados tornam-se elementos essenciais para reforçar a confiança nos sistemas de saúde digitais, salienta a empresa. Assine a newsletter do TEK Notícias e receba todos os dias as principais notícias de tecnologia na sua caixa de correio.