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ACESSO INDEVIDO A DADOS DO SNS ATINGE MAIS DE 100.000 VÍTIMAS

Diário de Notícias

2026-05-26 21:06:12

INVESTIGAÇÃO A PJ admite que poderá ter sido usada Inteligência Artificial. Não há ainda suspeitos identificados, nem cenários colocados de parte. APolícia Judiciária (PJ) adiantou ontem que o acesso indevido a dados de utentes do SNS através de credenciais comprometidas de um médico fez, pelo menos, mais de 100.000 vítimas e admitiu que pode ter sido usada Inteligência Artificial. José Ribeiro, diretor da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e Criminalidade Tecnológica (UNC3T), explicou em conferência de imprensa na sede da PJ que o ataque informático que permitiu recolher “um grande volume” de informação decorreu no espaço de dias, permitindo extrair informação que “há poucos meses levaria três meses” a obter. Daí que admita e receie, que se tenha recorrido a Inteligência Artificial, que, para a investigação, tornará o trabalho “muito mais complexo”. A investigação encontra-se na fase de recolha de dados e informação, estando a ser seguidas pistas, mas não havendo ainda suspeitos identificados, nem qualquer cenário completamente posto de parte. No entanto, José Ribeiro afirmou que dificilmente se poder dizer que o médico a quem pertencem as credenciais comprometidas foi c autor do ataque. O diretor da unidade de cibercrime da PJ disse também que as mais de 100.000 vítimas de acesso indevido a dados pessoais estão espalhadas por todo o território nacional, incluindo ilhas, e afirmou que as indicações iniciais de que o roubo de dados incidia de forma expressiva sobre informação de crianças e menores foram feitas “de forma precipitada”. Segundo informação que a PJ obteve junto dos serviços do Mi-nistério da Saúde, as credenciais que permitiram o acesso indevido já foram desativadas, a exfiltração de dados já foi estancada, foram recolhidas máquinas para análise e estão em curso medidas adicionais de reforço de segurança. José Ribeiro apelou, no entanto, a que os médicos alterem as suas credenciais de acesso como medida de segurança. As vítimas ter-se-ão apercebido do acesso indevido às suas fichas de utente sobretudo por notificações ativadas no portal do SNS, através da chave móvel digital, explicou José Ribeiro. Sobre os objetivos do ataque, José Ribeiro disse que “quem e para quê” são as perguntas que todos fazem, sobretudo as vítimas, e às quais a investigação procura agora dar resposta. A PJ coloca como cenários possíveis que o roubo sirva “objetivos maliciosos”, que José Ribeiro não quis especificar, ou “objetivos comerciais”, de venda de dados para fins publicitários, por exemplo, sublinhando que os dados pessoais “são de grande riqueza”. Sobre a possibilidade de o ataque ter partido de um país terceiro ou ter objetivos de espionagem, José Ribeiro disse que “neste momento, tudo é possível”. Ainda por esclarecer está também se para além de dados pessoais foi acedida eroubada informação clínica dos utentes. DN/LUSA José Ribeiro receia que se tenha recorrido a IA, O que tornará o trabalho de investigação “muito mais complexo”.